Bem-vindos à primeira edição da nossa newsletter.

Em primeiro lugar, que massa poder chegar na caixa de emails de vocês. Não sei se vocês estão acompanhando, mas nos últimos tempos houve o renascimento da boa e velha newsletter, recurso muito utilizado até o início dos anos 2000 e que teve a morte decretada principalmente devido ao aparecimento e consolidação das redes sociais. Teve gente que previu inclusive o fim do próprio email. Veja como são as coisas.

Bom, as previsões estavam erradas. Pelo menos por enquanto. Tudo bem que a newsletter pode até ter ~dado uma morrida~ de uns anos pra cá, mas vem ressuscitando com força nos últimos meses. Eu mesmo voltei a assinar várias. Algumas diárias, outras semanais. Todas com o mesmo objetivo: salvar do caos informacional que se transformou a rede assuntos do meu interesse, trazendo-os para a tranquilidade da minha caixa de emails. Um lugar onde não há algoritmos cujo funcionamento não conheço ditando o que eu devo ou não prestar atenção.

A volta das newsletters foi tema de um artigo do analista de mídia do NYT David Carr. “Newsletters estão funcionando porque leitores cansaram do fluxo infinito de informações da internet, e ter algo finito e reconhecível na sua caixa de entrada pode impor um pouco de ordem neste caos”, escreveu ele. Confere aqui o texto na íntegra.

Vamos adiante.

Vocês conhecem o Instituto Humanitas Unisinos (IHU)? Se não conhecem, taí uma newsletter que vale assinar. Eles também têm uma revista semanal que sempre traz assuntos interessantes. A última teve como tema jornalismo. Mais especificamente o jornalismo pós-industrial – para ficar no termo utilizado no já clássico relatório da Columbia University, publicado no Brasil pela revista da ESPM.

O especial do IHU traz dez entrevistas com jornalistas brasileiros e do exterior. Entre eles, C. W. Anderson, um dos autores do relatório. Obviamente ele comenta o texto assinado com Emily Bell e Clay Shirky. Mas também dá seu pitaco sobre a eterna dúvida a respeito do futuro dos jornais impressos e diz acreditar que existe crise no jornalismo e nas organizações jornalísticas. Mas que o declínio de credibilidade sofrido pela imprensa tradicional se deve muito mais a um panorama mais geral, com questionamentos a outras instituições tradicionais, como a Igreja e os governos, do que algo relacionado especificamente à mídia e ao trabalho realizado por ela.

Leia a entrevista com C. W. Anderson aqui.

Outra entrevista interessante é a com espanhol Ramón Salaverría, destacado pesquisador de webjornalismo no cenário mundial. Ele diz que o meios nativos digitais estão colocando cada vez mais em xeque a forma tradicional de notícia, e que veículos com o NYT tem o que aprender com o estilo Buzzfeed de produzir conteúdo.

Leia a entrevista com Salaverría aqui.

Os outros entrevistados são: Ronaldo Henn, Antonio Brasil, John Pavlik, Luiz Martins da Silva, Joshua Benton, André Lemos, Ivana Bentes e Cremilda Medina.

Volta e meia o assunto algoritmos retorna à nossa pauta. Na terça o Poynter repercutiu o fato de a agência AP usar robôs para escrever um determinado tipo de texto – especialmente os que envolvem dados financeiros. O que vocês acham de códigos escrevendo matérias? O editor Lou Ferrera não vê problemas. Ao contrário.

“Eu não posso ter jornalistas gastando um tempão processando dados. Eu preciso deles fazendo reportagens”. Ele completa dizendo que quanto menos tempo eles ficarem em cima de números, mais tempo eles terão para fazê-los significativos.

Falando em algoritmos, um assunto que deu o que falar nessa semana foi o tal estudo em que o Facebook alterou o tipo de conteúdo da timeline de quase 700 mil usuários para verificar se haveria mudança no comportamento dessas pessoas. Pinçamos algumas repercussões – todas disponíveis na nossa revista no Flipboard.

Pra finalizar, no dia 28 de junho fez 100 anos do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, incidente que deu início à Primeira Guerra Mundial. Efeméride redondinha, vocês sabem, é cobertura certa por parte da imprensa mundial. Entre todos os materiais massa publicados durante a semana, eu curti esse do Wall Street Journal.

Bueno, era isso então.

Bom findi e até a semana que vem! 🙂

Moreno Osório