Buenas, gurizada!

Tudo na boa?

Chegamos à terceira edição da nossa newsletter com uma pequena mudança. A partir de agora, o título do email vai trazer os principais assuntos destacados aqui dentro.

Vocês viram que dia louco foi ontem no noticiário internacional? Um avião – ao que tudo indica – abatido no interior da Ucrânia (mais uma vez com a Malaysia Airlines envolvida, a exemplo do voo desaparecido no Oceano Índico – que fase), ânimos exaltados entre Rússia e Estados Unidos, Israel dando início a uma operação por terra em Gaza, furacão nas Filipinas. Como alguém comentou no Twitter, só faltou o Kim Jong-un anunciar um novo teste nuclear na Coreia do Norte ou algo do tipo.

Tá, mas não é a ideia discutir cobertura internacional neste espaço, embora eu curta. Mas isso não significa não falar dos seus aspectos jornalísticos, principalmente porque ontem vivemos um grande breaking news sendo noticiado em tempo real. Um acontecimento que sempre chama a atenção – a queda de um avião de passageiros – elevado à segunda potência por ocorrer em meio a outra cobertura importante e complexa: os conflitos separatistas na Ucrânia. Prato cheio para se espalhar boatos (propositalmente ou não), mas também para o jornalismo fazer a diferença.

Eu queria mostrar um exemplo do segundo caso. Há pouco o jornalista Mathew Ingram publicou um texto no GigaOm.com sobre como fazer e onde ir para ajudar no processo de verificação online e coletivo de notícias como a queda do avião da Malaysia. Ele cita alguns serviços e ferramentas que podem fazer a diferença no trabalho de formiguinha que é diminuir o ruído na rede em momentos como o de ontem.

Me chamou a atenção a plataforma Grasswire, uma versão aberta da Open Newsroom, mantida pela Storyful. Basicamente, um lugar onde conteúdos sobre breaking news são verificados pela comunidade por meio de votações e botões de “verdadeiro” ou “falso”. Eu não conhecia a Grasswire. Ficarei de olho. Fiquem também.

Ingram também fala que Twitter e Facebook são lugares onde dá para fazer um bom trabalho conjunto de verificação. Era no Twitter que Brown Moses, alcunha do blogueiro britânico Eliot Higgins, buscava esclarecer informações que podiam ser determinantes para a cobertura, como as coordenadas geográficas do local da queda do MH17 e de onde teria sido disparado o míssil que derrubou a aeronave.

Com ajuda da extração de dados e metadados retirados de informações publicadas na rede (tweets, fotos no Instagram, vídeos no YouTube), ele tentava, em tempo real, diminuir as incertezas durante um momento caótico da cobertura. Dá uma olhada desses três tweets (1, 2 e 3) para ter uma ideia do que eu tô falando.

Moses ficou conhecido por fazer um grande trabalho dessa natureza durante um período do conflito na Síria, emergindo como um grande nome do jornalismo cidadão.

Ah, já ia esquecendo. O Moses lançou nesta semana a sua própria plataforma de jornalismo colaborativo, o Bellingcat. O objetivo dele é abrir um canal onde as pessoas que trabalham dessa maneira possam conversar. “É surpreendente que ainda existam tão poucas pessoas que saibam trabalhar com esse tipo de investigação open-source“, disse o jornalista ao site Journalism.co.uk.

Outro perfil que estava colaborando muito com as investigações online na tarde de quinta era Renk van Ess, pesquisador que se define no Twitter como data geek. Ele foi uma das primeiras pessoas a disponibilizar o que poderia ser a localização exata da queda do MH17 utilizando as ferramentas Geofeedia e Banjo.

Em meio a todas as possibilidades que as atuações do Moses e do Renk nos mostram, é bom lembrar que um pouco de pragmatismo e pé atrás nunca é demais. Ontem foi um bom dia para tentar colocar em prática as reflexões propostas pelo professor Mike Ananny neste texto traduzido pelo Farol.

Pra finalizar o assunto verificação jornalística, separei esta entrevista com o professor Jeff Jarvis (que, aliás, já teve texto traduzido pelo Farol também) sobre o futuro da apuração. Essa ainda não vi, então não consigo adiantar nada. Mas o Jeff é um sujeito interessante e bastante influente no meio jornalístico norte-americano.

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Mudando um pouco de assunto, recomendo a leitura deste artigo. O texto, assinado por Jeb Lund, questiona alguns usos que jornalistas fazem do Twitter. Um deles é utilizar a ferramenta como uma espécie de novo jornalismo declaratório, simplesmente transformando uma matéria em uma fila de tweets embedados com frases dos personagens. Outra é sobre um tipo específico de RT, o que é dado manualmente. Segundo Lund, trata-se de uma maneira do jornalista se apropriar do conteúdo de um terceiro, já que o seu perfil fica muito mais evidente do que apenas clicando em RT.

Concordando ou não, é interessante ler opiniões desse tipo. Sinal de que tem gente constantemente refletindo sobre a maneira como usamos ferramentas como o Twitter.

Bueno, era isso então.

Bom findi e até a semana que vem! 🙂

Moreno Osório