Texto originalmente enviado por email para os assinantes da Newsletter Farol Jornalismo (assine). Link original do texto.

Buenas, gurizada!

Sejam bem-vindos a mais uma newsletter extraordinária. Agora estou em Lisboa, sentado na Graça do Vinho, uma casa especializada em vinhos e queijos localizada no bairro da Graça, atrás do Castelo de São Jorge, centro histórico da capital portuguesa. Ao lado do meu note, uma taça de um alentejano tinto. Que bela cidade.

Pois bem, vamos ao que interessa.

Enquanto a coisa segue feia em Gaza e na Ucrânia, intensifica também a discussão sobre a cobertura da imprensa, especificamente a realizada em tempo real – que é a que me interessa mais. Tenho a impressão que desde a maratona de Boston um evento (no caso, dois) não suscita tantas manifestações sobre o trabalho do jornalismo e dos jornalistas. Maldita hora que eu resolvi fazer turismo.

Mas bueno, paciência, de qualquer forma eu selecionei algumas coisas.

A primeira é week in review do Nieman Lab. Eles destacaram vários links sobre essa discussão. Alguns eu já havia sublinhado na semana passada, como as técnicas da Storyful fazendo a diferença na hora de verificar informações a distância. No domingo o Guardian repercutiu exatamente isso. “Histórias como a envolvendo o avião da Malaysia Airlines mostra a importância da verificação de conteúdos do Twitter e do YouTube”, diz a linha de apoio do texto assinado por Ben Cardew. Mathew Ingram, um dos jornalistas atentos à evolução da verificação online, considera esse processo algo bom. Essas técnicas democratizaram o processo de apuração, fazendo surgir todo “um novo ecossistema” jornalístico, defende ele.

Do outro lado do Atlântico, o analista de mídia do NYT David Carr também deu o seu pitaco sobre a guerra invadir nossas timelines de forma instantânea. Depois de fazer uma recuperação histórica da atuação da imprensa em conflitos e listar alguns episódios (mais ou menos polêmicos) envolvendo a cobertura atual, ele se pergunta se o fato de estarmos “assistindo” aos conflitos ao vivo faz com que nos importemos mais ou se as fotos de corpos do MH17 e de mães palestinas desesperadas acabam se tornando apenas mais um conteúdo na nossa barra de rolagem.

Mudando de assunto, vocês viram que o NYT está planejando lançar uma versão compacta do jornal impresso? Este texto publicado na Capital New York traz alguns detalhes da iniciativa, que pode incluir acesso a alguns apps que o jornal vêm lançando, como o NYT Now, para quem assinar essa versão reduzida. Parece que a ideia é diversificar ao máximo as possibilidades para que as pessoas sigam pagando pelo conteúdo. E acho que tá dando certo. Tanto é que, segundo essa matéria, eles ganharam 32 mil novas assinaturas digitais no segundo trimestre de 2014.

Duas coisas interessantes. Primeira, o a quinta edição do relatório de transparência do Twitter, no qual eles informam o número de solicitações de informações feitas por governos, retirada de conteúdo e notificações por violação de copyright no primeiro semestre de 2014. Os Estados Unidos, vejam só, aparecem na frente na lista de solicitações por informações, com 1257 pedidos. O número do Brasil também é bem alto se comparado à media do restante dos países: 77. O interessante é que, na apresentação do documento, o Twitter diz que vem conversando com o governo americano para tentar publicar (e entender melhor as) informações a respeito dos pedidos envolvendo “segurança nacional”. Mas a resposta vem sendo a mesma: não.

Segunda, outro texto do Mathew Ingram, agora sobre uma empresa de marketing digital que está lançando um braço de jornalismo investigativo. O título é sugestivo: O Iceberg resgata o Titanic. A proposta parece bem legal e envolve o Gawker e a plataforma de publicação Creatavist – a mesma em que está publicado o nosso ebook.

Chegando ao fim…

Pra ficar ligado: internet.org.

Leituras que todo jornalista que trabalha com social media deveria fazer.

Ah, lembrem-se que a nossa revista no Flipboard, a Tendências no Jornalismo, segue existindo! Todos esses links da newsletter também estão lá, e são acrescentados durante a semana,

Por fim, antes de sair para o findi, anota aí na agenda: dia 7 de agosto, próxima quinta, estreia o Mercado de Notícias, documentário do Jorge Furtado sobre jornalismo. Eu já vi e curti. Acessa o site e assiste ao trailer. Confere também o material adicional porque tem conteúdo nosso lá!

Bueno, era isso então.
Bom findi e até a semana que vem! Aí novamente de Porto Alegre 🙂
Moreno Osório