Texto originalmente enviado por email para os assinantes da Newsletter Farol Jornalismo (assine). Link original do texto.

Buenas, gurizada!

Antes de começar, deixa eu dizer uma coisa pra vocês. Estou pensando em mudar a newsletter para segunda-feira. Não porque eu queira curtir meu final de tarde de sexta, e sim porque vocês querem. Ok, NÓS queremos. Na real é óbvio. Depois de encarar uma semana de trabalho, o que mais desejamos é descansar, deixar o jornalismo um pouco de lado (a não ser que seja final de semana de plantão). Na segunda, ao contrário, é hora de engatar a quinta marcha e encarar mais uma jornada.

O que vocês acham? Se vocês tiverem algo a dizer, fiquem à vontade para enviar um email para moreno@faroljornalismo.cc ou se manifestem lá no Facebook.

Bueno, de qualquer maneira, vocês estão avisados. É possível que a próxima newsletter chegue na segunda, dia 1/9, e não sexta, 29/8. Feito?

Dito isto, seguimos.

Tivemos mais uma semana bem agitada em Ferguson, como vocês devem ter acompanhado pelo noticiário. Naturalmente, a cobertura feita por lá também segue repercutindo. Quero mostrar pra vocês algumas coisas que li durante a semana.

O primeiro é este texto do professor norte-americano de jornalismo Jeff Jarvis, um simpático representante da velha guarda que pensa na renovação do profissão.

Jarvis usa o episódio para refletir sobre uma percepção que ele tem do jornalismo: a de que nossa profissão precisa se voltar ainda mais para o social. Vou tentar explicar em poucas linhas: antes de falar sobre uma comunidade, por exemplo, o jornalismo precisa saber de fato quais são as necessidades daquela comunidade. Para isso, precisa conhecê-la de fato, e não simplesmente ir lá, ouvi-la, voltar à redação e escrever um texto cheio de aspas mas sem o entendimento necessário para permitir que outros compreendam quem são e o que querem os membros dessa comunidade.

Mas isso não é o que o jornalismo deveria fazer? Pois é. O fato é que Jarvis parece querer adaptar aos novos tempos uma característica intrínseca ao jornalismo: ouvir. Mas não apenas isso. Ao dar voz, não fazer isso de uma maneira “midiacêntrica”.

Confesso que é difícil de entender a diferença. O próprio Jarvis admite. As coisas ficam um pouco mais claras quando lemos uma troca de tweets entre ele e um morador de Ferguson (o diálogo está no texto). Pelo menos dá para sacar o que incomoda Jarvis e o que ele quer com um jornalismo “mais social”. Isso fica evidente quando o morador diz que Ferguson não é o que está aparecendo na mídia.

Tal percepção se dá, diz Jarvis, porque um jornalista cobrindo os desdobramentos da morte de Michael Brown é capaz de saber o que seu editor quer, mas não é capaz de compreender Ferguson e sua comunidade, quais são de fato suas necessidades. E só uma aproximação mais efetiva seria capaz de diminuir essa distância.

Se o jornalismo não for capaz de fazer isso, seu discurso acaba perdendo força, pois agora, ao contrário de poucos anos atrás, as comunidades podem ter uma voz. É só observar que o morador diz que se informou pelo Twitter e por live streams.

Para saber mais, leiam um texto que Jarvis escreveu (o original está no Medium, mas o Farol traduziu para o português) especificamente sobre esta ideia – que ele quer transformar em um curso na Universidade da Cidade de Nova York (CUNY).

Seguindo adiante, um texto na linha da discussão abordada na newsletter da semana passada. O papel do Twitter e do Facebook – e seus respectivos algoritmos – na cobertura dos distúrbios de Ferguson. O Poynter fez um apanhado do assunto, destacando as críticas às mudanças que têm deixado ambos mais parecidos.

O que particularmente parece apavorar alguns heavy users do Twitter, inclusive eu. O argumento é que a inserção de algoritmos que alteram o caráter elementar de linha do tempo – em que os conteúdos vão aparecendo todos um depois do outro – compromete a capacidade que o Twitter tem (e o Facebook não) de mostrar eventos em tempo real.

E em mais uma análise sobre Ferguson, Mathew Ingram desce o pau no algoritmo do Facebook, que, por meio de uma lógica de funcionamento que ninguém conhece bem, “censurou” conteúdos relacionados aos protestos, principalmente nos primeiros dias.

Mudando de assunto, mas ainda sobre o Twitter.

Neste texto publicado no site da New Yorker, Jay Kaspian Kang se pergunta se o Twitter (e Facebook e YouTube) agiu certo ao retirar do ar conteúdos referentes à decapitação do jornalista norte-americano James Foley. É uma boa discussão.

Em resumo, Kang questiona a decisão de censurar o material (embora tenha sido um pedido da família) e diz que as políticas dessas empresas são pouco claras em relação a isso. O que não é aceitável se levarmos em conta a importância que essas redes possuem, servindo de palco para uma discussão pública mundial.

***

Três coisas rápidas.

Uma última coisa: vocês devem ter visto o Truco, um projeto bem massa da Agência Pública para cobrir as eleições. Se não viram, corre lá!

Era isso. Lembrando que todos os links (e outros!) estão também na Tendências no Jornalismo, nossa revista no Flipboard. Quem quiser, pode acompanhar os assuntos que serão discutidos aqui durante a semana, enquanto eu seleciono os textos.

Bueno, era isso então.
Bom findi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório