Texto originalmente enviado por email para os assinantes da Newsletter Farol Jornalismo (assine). Link original do texto.

Buenas, gurizada!

E chegamos a mais uma sexta-feira em nossas vidas. Não sei pra vocês, mas pra mim é sempre um grande momento. Ainda mais que não faço mais plantão. 😛

Queria começar mostrando este post publicado ontem no blog do Flipboard Brasil. Ele traz relatos e dicas de jornalistas que utilizam o Flipboard profissionalmente. E o Farol Jornalismo está lá! Ficamos felizes de poder falar sobre a Tendências no Jornalismo e como ela se insere no processo de produção da newsletter.

Dito isto, sigamos.

Duas tendências têm ficado claras nos últimos tempos. A primeira já é óbvia: o jornalismo precisa encontrar novas formas de se financiar. A segunda não é tanto, até porque é mais conceitual: o jornalismo precisa abrir seus processos para os leitores/usuários. Os jornalistas (e os veículos) dependem cada vez mais da interlocução com seu público para sobreviver em um ambiente em que a informação corre solta. Por esse motivo a notícia não pode ser mais uma caixa-preta.

Digo isso porque eu sou um entusiasta da iniciativa de transformar o conceito de assinantes em sócios. E acho que é um método com potencial para atender às duas tendências: arrecada-se grana aproximando dos processos e das rotinas o leitor realmente interessado, transformando-o em parceiro para a produção jornalística.

Embora ainda não conheça nenhum caso de grande sucesso, e depois de iniciativas pontuais não terem ido adiante, (fiquei esperançoso quando o falecido Impedimento anunciou o ImpedClub), agora teremos a oportunidade de ver um dos grande se jogar na empreitada: o Guardian lançou o seu programa de sócios.

A ideia do gigante britânico é aproximar os leitores mais entusiastas da “marca do Guardian e de sua filosofia de jornalismo aberto”. Quem quiser participar do Guardian Membership terá três opções. A primeira não precisa pagar nada e dá acesso a eventos e outras iniciativas menores. Por 15 libras (R$ 56) por mês, o associado tem descontos e prioridades em eventos (em 2016 o jornal vai inaugurar um grande espaço de convivência para os sócios). E 60 libras (R$ 225) por mês garante acesso a alguns níveis de backstage da produção, como visitas à redação e ao parque gráfico e pequenas inserções nos processos de decisões editoriais.

Segundo o editor-chefe do jornal, Alan Rusbridger, a primeira concepção da ideia surgiu dois anos atrás, quando o jornal abriu as portas para 6 mil pessoas para um “festival” durante um final de semana. “[…] os leitores queriam mais – muito mais – daquilo. A possibilidade de fazer parte dos debates, ideias e diálogos foi muito atraente”, escreveu Rusbridger. Muitos leitores disseram que ficariam felizes em poder contribuir financeiramente com a “causa” do Guardian, acrescentou.

Dá até vontade de ser sócio. Mas como não moro em Londres e nem tenho 50 reais para ficar gastando assim, só pela experiência, vou ficar só observando por ora.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Wall Street Journal fez o mesmo.

Mudando de assunto mas ainda falando em tendências, uma matéria publicada no Guardian hoje mostra como narrativas jornalísticas desenvolvidas por robôs estão ganhando espaço. Por enquanto o foco ainda está em áreas que necessitam dar conta de uma grande quantidade de dados, como o setor financeiro ou a meteorologia. Mas à medida que os softwares e as técnicas vão se especializando, a possibilidade de automatizar alguns processos vai deixando de ser algo distante. Vide o jornalista do Los Angeles Times que escreveu um código que furou todo mundo ao noticiar primeiro um terremoto em Los Angeles em março.

Ficou com vontade de aprender a programar (ou pelo menos deixar de se assustar quando topa com uma tela com um monte de códigos)? Dá uma olhada aqui.

Vamos adiante.

Três coisas rápidas:

1) Um link sobre uma discussão que eu gosto: Twitter, Facebook e breaking news. Na verdade, é mais um texto dizendo que, durante a cobertura de Ferguson, o Twitter e sua lógica de cronologia reversa funcionou muito melhor que o algoritmo-que-ninguém-sabe-como-opera do Facebook. Embora seja mais do mesmo (ao menos aqui na newsletter), acho que vale para reforçar esta ideia:

What you see on Twitter is determined by who you follow. In contrast, what you see in your Facebook newsfeed is “curated” by the company’s algorithms, which try to guess what will interest you (and induce you to buy something, perhaps). Having a frank discussion about the racism that disfigures America might not fit that bill. Which is why Facebook is for ice-bucket memes and Twitter is for what’s actually going on.

2) Para quem se interessa no comportamento de quem consome notícias, pode ser interessante dar uma olhada nessa pesquisa aqui. Segundo Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, ela vale a pena porque, diferentemente do padrão em pesquisas desse tipo, os pesquisadores não perguntaram aos usuários como eles consomem notícias, e sim os observaram enquanto liam, assistiam e ouviam.

3) O Journalism.co.uk publicou uma matéria sobre o novo dashboard que a Storyful está desenvolvendo para os seus clientes. Adam Thomas, chefe de produto da agência, disse que a ideia é que no novo painel os assuntos apareçam mais verticalizados (ou seja, divididos em grandes assuntos, como notícias internacionais ou esportes). Além disso, será mais preparado para trabalhar com vídeos – coisa que antigo não fazia bem – e vai procurar levar em conta futuros formatos e/ou redes não conhecidas do público ocidental, como a russa VKontakte e a chinesa Weibo.

***

Na semana passada, eu falei de um texto de Mathew Ingram sobre não deixar os conteúdos que produzimos inteiramente nas mãos de redes sociais como o Facebook, lembram? Ontem ele escreveu outro sobre o mesmo tema. Agora para falar da Know, uma plataforma de publicação open source cujo objetivo é dar ao usuário controle sobre suas publicações sem deixar de compartilhá-las nas redes.

O Know parece uma mistura de Wordpress com Tumblr. Pode ser instalado em um servidor próprio e permite a adição de plugins e a modificação do código, como o WordPress. E tem uma interface simples e intuitiva, como o Tumblr. Beleza, então por que precisamos de mais uma plataforma de publicação?

A diferença, segundo os criadores, é que o Know, ao contrário do WordPress, por exemplo, foi desenvolvido desde o início para ser uma plataforma de publicação cruzada. Conectando as principais redes sociais nele, é possível marcar presença nesses serviços mantendo o conteúdo sob o guarda-chuva do usuário. Em outras palavras, no WordPress é possível fazer isso, mas no Know é muito mais fácil.

Eu criei uma conta para o Farol Jornalismo no Know. Ainda não testei muito, mas minha primeira impressão é de que seria necessário um grande esforço para deixar o NewsFeed do Facebook um pouco de lado para incorporar o Know à rotina de publicação e compartilhamento de conteúdo. De qualquer maneira, acho que muito mais do que a plataforma, o interessante aqui é a postura. Como diz Ingram, pode até não dar certo, mas o importante é que sejam oferecidas alternativas ao domínio que os grandes como Twitter e Facebook têm sobre o conteúdo gerado na web.

E pra entrar no clima do final de semana: consta que os jornalistas são os profissionais que mais tomam café, ficando à frente de policiais e professores.

Pra fechar, aquela clássica lembrança: todos os links (e outros!) estão também na Tendências no Jornalismo, nossa revista no Flipboard. Quem quiser, pode acompanhar, durante a semana, os assuntos que serão discutidos na newsletter.

Bueno, era isso então.
Bom findi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório