Buenas, gurizada!

Como vocês tão, tudo na boa? Por aqui tudo tranquilo. Chegamos à 15º edição da newsletter. Estou feliz com o crescimento modesto mas constante dos assinantes da nossa análise semanal, ainda mais que o percentual de leitura se mantém alto. Obrigado!

Vamos nessa então.

A abertura do jornalismo (explicitação dos processos, aproximação com a audiência etc) é assunto frequente aqui na newsletter. Na semana passada, por exemplo, ele estava presente na discussão sobre o sucesso da publicação holandesa De Correspondent, que estabeleceu um diálogo constante com seus leitores-financiadores sobre o dinheiro investido no projeto e sobre decisões editoriais.

Decisões editoriais, aliás, que, em geral, são decididas naquela tradicional reunião de pauta entre editores ou, em versões mais modernas, em conversas via Skype, email ou em fóruns. Pois olha só que interessante o que o Quartz, o jovem canal (tem apenas dois anos) de economia da Atlantic Media, fez no último dia 7.

Os jornalistas estavam discutindo em um fórum interno sobre se valeria a pena dedicar uma matéria sobre o Square Cash, um aplicativo para smartphones que permite enviar e receber dinheiro via bluetooth. Como eles mesmos disseram, um bando de trintões tentando entender como os Millennials estão administrando a grana deles. A conversa sobre uma pauta acabou se transformando em um choque de gerações, uma discussão sobre privacidade, convívio social e a relação das pessoas o seu com dinheiro, revelando muito sobre a sociedade atual. Um conteúdo tão relevante quanto a própria pauta. Então eles decidiram publicar essa conversa.

O resultado é esta matéria, que reúne parte do diálogo da redação: Read what happens when a bunch of over-30s find out how Millennials handle their money.

Sobre a decisão de compartilhar a discussão sobre uma pauta com os leitores, olha o que escreveu S. Mitra Kalita, em um post publicado no Poynter:

“Você pode dizer que a sua redação não tem a capacidade ou o desejo de oferecer esse tipo de transparência sobre o processo de decisões editoriais. Que o espaço em branco da sua página impressa só tem espaço para 700 palavras.

A popularidade desse post pede uma reconsideração sobre esse tipo de pensamento. O que temos aqui é um insight, uma postura autêntica, um texto sobre uma tendência que não fala de cima para baixo com os leitores, mas permite que eles se sintam realmente parte de uma conversa.”

(Jornalismo à parte, mas que beleza parece ser esse Square Cash, hein. Com um aplicativo como esse fica muito mais fácil dividir a pizza de telentrega.)

BTW, Vice, BuzzFeed, Slate e Wired são os preferidos dos Millennials (nos EUA).

Na semana passada também falamos sobre a chegada do Medium no Brasil. Pois para vocês terem uma ideia da relevância do Medium como uma plataforma de publicação social, Obama e a Casa Branca criaram perfis no site. É mais um movimento da administração democrata para ir conversar com as pessoas no lugar onde elas estão. O primeiro texto – Why I’m Betting on You to Help Shape the New American Economy (Por que eu aposto em vocês para ajudar a moldar a nova economia norte-americana, na tradução livre) – escrito pelo presidente já dá uma ideia de qual é o público que eles querem atingir: os Millennials, vejam só.

Ok, chega de Millennials por hoje.

Vocês viram que o Jeff Bezos quer transformar o The Washington Post em um jornal de alcance nacional (nos EUA, claro)? Pra fazer isso ele vai utilizar todo o poder da sua empresa, a Amazon. A ideia é oferecer uma seleção do conteúdo do jornal em forma de revista eletrônica em um aplicativo instalado no tablet Kindle Fire. Pode ser o primeiro grande passo de Bezos para renovar clássico jornalão americano, que vem sofrendo com a queda de anúncios e de leitores.

O blog Jornalismo nas Américas, do Knight Center, publicou alguns posts interessantes nos últimos dias. Sobre a situação do jornalismo pelas bandas latino-americanas, sugiro conferir este, sobre uma jornalista mexicana agredida dentro da redação; este, sobre o Paraguai ser o centésimo país a ter uma lei de acesso à informação; e este, sobre o estado da liberdade de expressão na Venezuela.

Mas como o nosso foco aqui são tendências, chamo a atenção especialmente para este, que fala de um livro (gratuito) que reúne as principais iniciativas relacionadas a jornalismo de dados no contexto ibero-americano. Como diz o post, o livro “traz recomendações e tutoriais sobre onde e como conseguir dados, com temas como mineração e raspagem de dados, trabalhos de visualizações e mapeamento, pesquisa na web profunda, acesso à informação pública e segurança cibernética”.

Bom, hein. Essencial, eu diria.

Adiante.

Olha que interessante este post do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia. Ele mostra como técnicas de análise de grandes volumes de dados extraídos da Internet, principalmente das redes sociais, podem servir como fontes importantes para cobrir assuntos complexos, como o aquecimento global ou a ascensão da extrema-direita na Europa.

O texto chama a atenção para o enorme potencial jornalístico que existe na atribuição de sentido a dados (públicos) que estão sob a superfície das interações “visíveis” na web (metadados). Uma tarefa só possível com o uso de tecnologia.

Por fim:

Confesso que não tenho muita paciência para alguém que se diz “futurista da mídia” (media futurist), mas a ideia do jornalista Steve Outing até que não é de se jogar fora. Ele abriu uma espécie de crowdbrainstorm no seu blog (Media Disruptus) para tentar reunir ideias que possam lançar uma luz sobre o financiamento do jornalismo. Quando o processo todo terminar (faltam 81 dias), ele promete sistematizar as ideias e escrever sobre os resultados. Enquanto isso, dá pra ver o que as pessoas estão sugerindo. Qualquer um pode dar pitacos e votar nos pitacos dos outros.

Sobre passaralhos e ficaralhos: CNN vai cortar 300.

Lembra que na semana passada eu comentei sobre fim (sem ter começado) do Indie Journalism e o começo do Brio? Pois é, assim como sexta-feira passada, recebi informações novas por email bem no fechamento da newsletter, mas a tempo de compartilhar com vocês. Pra quem não acompanhou a discussão sobre esses dois projetos, sugiro dar uma olhada na newsletter do dia 3 de outubro.

Pois bem, segundo Felipe Seligman, um dos jornalistas à frente do projeto, o Brio “será será uma plataforma multimídia de histórias reais, profundas e prazerosas de ler. Reportagens que façam você ter vontade de saber mais após a última linha e de falar sobre elas com amigos e com pessoas interessadas em suas temáticas.”

Ele disse ainda que a plataforma está em desenvolvimento, mas que o Brio já está trabalhando em dez histórias. A ideia é que duas sejam publicadas por mês quando o projeto for lançado, na última semana de janeiro de 2015. Como a estreia é um momento especial, eles estão preparando a publicação de quatro dessas histórias.

São elas, nas palavras de Seligman:

  • “Queremos que você veja a estrutura de recrutamento de crianças e adolescentes de uma das maiores organizações criminosas do mundo.
  • Vamos colocar você na sala onde foram tomadas as decisões que produziram a ascensão e a queda de um império.
  • Mostraremos o que acontecia antes e o que aconteceu depois de quatro improváveis jogos de futebol.
  • E sobre o Dalai Lama, bem, nós queremos apresentar Sua Santidade em seu mais atual conflito de reencarnações.”

Bueno, sigo de olho no Brio. Vocês podem acompanhá-los pelo Facebook.

Se não me engano era isso, moçada.

Sempre lembrando que todos os links estão na Tendências no Jornalismo, nossa revista eletrônica no Flipboard. Apreciem o Farol Jornalimo por lá também.

Bom findi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório