Buenas, gurizada! Tudo em cima?

Olhem só que massa. Pouco mais de um ano atrás este vídeo de um GOLAÇO (sério, vejam) marcado por uma menina em um campeonato na Irlanda apareceu no YouTube e logo goes viral. Muito devido ao trabalho da agência Storyful, que descobriu o vídeo com pouco mais de 100 views (hoje passa de 2 mi) e entrou em contato com os autores para licenciar o material e distribuir para os seus clientes.

Resultado: Steph Roche, a autora do gol, é a única mulher concorrendo ao prêmio Puskas, que escolhe o gol mais bonito do ano em todo o mundo. Tipo, ela simplesmente está concorrendo com esta OBRA PRIMA do James Rodríguez contra o Uruguai ou desta BUCHA do Ibra. Aqui dá pra ver todos os concorrentes.

Eu votei na Steph. Mas pra mim na real o mais bonito é esta COISA LINDA do australiano Cahill naquele jogo épico contra a Holanda aqui em Porto Alegre.

SDDS Copa. Bueno, vamos ao que interessa.

Não canso de falar sobre as iniciativas inovadoras no jornalismo holandês. Nas últimas edições sempre tinha algum texto sobre o De Correspondent ou sobre o Blendle. Pois aqui vai outro: no final da semana passada, o jornalista brasileiro Giuliander Carpes, que está na Holanda fazendo um mestrado em, vejam só, negócios e novas mídias, publicou no Medium um artigo com um título provocador: Existe empreendedorismo no jornalismo brasileiro? No texto, Giuliander conta que uma situação curiosa que ele assistiu na TV o motivou a abrir um espaço de discussão (o canal dele no Medium) sobre inovações no jornalismo. Confere lá.

O texto do Giuliander vai na mesma linha deste post publicado no blog do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFSC. A autora do texto, a doutoranda Lívia de Souza Vieira, lista as últimas revoadas dos passaralhos pelo Brasil para chamar a atenção para a necessidade de começar a formar jornalistas “para além do mercado”, que sejam empreendedores e que pensem “fora da caixa”.

Adiante.

Escrevi na newsletter de uma ou duas semanas atrás sobre os planos do Twitter para atrair mais usuários e acalmar seus investidores, e que isso poderia significar uma mudança em sua característica mais importante, a ordem cronológica reversa dos tweets. Pois bem, na última quarta Kevin Weil, vice-presidente de produtos, publicou um post no blog da empresa dando alguns poucos detalhes dos planos do Twitter. Em resumo, eles querem oferecer a todos os usuários, dos mais heavy até aqueles que logam só de vez em quando, um retrato instantâneo e relevante da realidade. Mas para isso, talvez tenham que colocar em destaque tweets “velhos” ou não necessariamente de perfis que o usuário segue. Ó que eles dizem:

“Agora, o que você vê dos 500 milhões de tweets publicados todos os dias está baseado em quem você segue, e muita gente gosta desse modelo. Mas com tantos tweets, não tem como achar tudo que é relevante para os seus interesses em determinado momento, por mais ávido que o usuário seja. Por isso estamos explorando jeitos de destacar tweets relevantes, para que o conteúdo interessante para você fique fácil de ser descoberto – seja permanecendo o dia inteiro conectado, seja visitando a plataforma por apenas alguns minutos – ao mesmo tempo que a natureza de tempo real que fez o Twitter especial é preservada.”

Olha, vou não sei se concordo inteiramente com Weil quando ele diz que não é possível, em meio a tanta informação, visualizar um retrato relevante e instantâneo da realidade para os meus interesses. Claro, fazer isso dá um belo trabalho e, sim, sempre vai ficar algo de fora. Mas gostaria de ter a chance de poder seguir fazendo isso, e não entregar a tarefa a um algoritmo. Entendo a preocupação em tornar a ferramenta atrativa para usuários mais light. Só espero que as novas medidas sejam opcionais, e não algo compulsório, o que descaracterizaria, e muito, o Twitter.

Mudando de assunto.

Mais uma interessante reflexão de Mathew Ingram, agora sobre breaking news. Especificamente sobre um comentário um tanto polêmico feito por Mark Little, um dos fundadores da Storyful, durante um evento de jornalismo realizado em Dublin, na Irlanda, semana passada. Ele disse que a “autenticidade substituiu a autoridade” nos primeiros momentos de uma cobertura de um fato urgente, um breaking news.

Ou seja, logo que há um momento brusco de ruptura no fluxo normal das notícias, as pessoas tendem a buscar informações que estejam mais próximas do fato, mesmo que elas não sejam exatamente confiáveis, ao invés de acompanhar o trabalho de jornalistas profissionais. Ingram diz que é como se os usuários precisassem escolher entre dois canais para acompanhar aquele evento que irrompe. O primeiro diz “velocidade” ou “autenticidade”, o segundo diz “fatos” ou “autoridade”. A escolha, diz ele, é pelo canal que te leva para mais próximo do fato. Depois, quando as coisas se acalmam, a tendência é que as pessoas busquem meios qualificados (o jornalismo, no caso) para confirmar de fato o que aconteceu.

Escreve Ingram:
“Mesmo que a informação seja problemática e indigna de confiança – ao menos para os padrões jornalísticos – as pessoas se jogam em direção a ela, compartilham-na, discutem sobre ela e se engajam com ela. Pode não ser o comportamento que os veículos de imprensa gostariam de ver, mas é o que acontece. E vai seguir assim.”

O problema é que, em um ambiente como este, em que as informações não são confiáveis, o rumor e a desinformação se aproveitam do ápice da vida de uma notícia, como pontua Ciro Marcondes Filho no livro “Ser Jornalista”.

“um boato circula como verdade por certo tempo, até que seja desmentido. E como a mercadoria informação é um bem altamente perecível, começando a perder força já no instante em que é divulgada, o boato ou a manipulação vão funcionar como notícia no melhor período, isto é, na fase mais crível da informação jornalística.” 

Por isso a importância, finaliza Ingram, do trabalho de agências como a Storyful e de iniciativas como o Emergent.info para sintonizar um canal entre o “velocidade” e o “fatos”, trazendo o rigor da apuração jornalística para o coração do breaking news.

Segue o baile.

Interessante texto sobre a redação do Quartz, o simpático veículo de economia da Atlantic Media. Principalmente para entender como ela foi pensada para ser não só digital first, mas mobile first, aproveitando o fato de ter nascido do zero, sem a tradição de uma redação mais convencional. Confiram uma aspa de Kevin Delaneym, um dos fundadores da empresa que completou dois anos em 2014:

“A convicção que eu trouxe para o Quartz foi que teríamos mais sucesso quando editores e desenvolvedores trabalhassem juntos, e eu quis fazer disso uma prática diária. (…) Meu objetivo como um dos líderes do Quartz é que essa colaboração, esse brainstorming, seja um dos ingredientes para que sigamos tendo sucesso.”

Vamos para o final?

Parece ser bem interessante este estudo (livro) sobre a situação dos correspondentes na Europa. Foram entrevistados cerca de 2.500 profissionais em 27 países. A título de curiosidade: o Reino Unido é o destino da maioria dos jornalistas (1.700) e a Alemanha é o país com o maior número de profissionais espalhados pelo continente (505). O Brasil tem 50. Salaverría dá mais detalhes.

Por fim, eu já contei para vocês que a agência Padrinho, aqui de Porto Alegre, lançou um financiamento coletivo para cobrir a Copa América 2015 no Chile? Se já, desculpem, minha memória é tipo a do Ten Seconds Tom. Se ainda não, eu sugiro dar uma olhada. Uma boa oportunidade para apostar em uma cobertura independente e fazer o crowdfunding para jornalismo avançar no Brasil.

Fim de papo, agora é curtir o final de semana. Eu começaria assistindo a este vídeo com cenas clássicas de filmes feitas com Lego (maior brinquedo EVER).

Nem precisava dizer, mas digo: também estamos no Flipboard com a revista Tendências no Jornalismo. Acessem o Farol Jornalismo por lá também!

Bueno, era isso então.
Bom fíndi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório