Buenas, gurizada! Tudo em cima? Is Christmas all around?

Olha, por aqui a coisa tá devagar. Cheguei à última sexta-feira do ano quase parando. Nem abri o computador nas últimas 48 horas, por isso a newsletter dessa semana está em FORMATO DE BOLSO. Imagino que vocês também não devem estar muito afim de jornalismo por esses dias. Aliás, minha solidariedade aos colegas plantonistas. Sei como é. Foram oito anos trabalhando ou no Natal ou no ano-novo. Este é primeiro feriado de descanso FULL TIME. Em tese, afinal, estou aqui batendo ponto na newsletter. Mais um motivo para não me alongar muito.

Então vamos lá.

Uma das coisas que andei dando uma olhada nessa semana foi uma lista publicada no Nieman Lab com alguns dos artigos científicos mais relevantes de 2014 sobre jornalismo e mídias sociais. Destaquei dois deles, mas vale a pena dar uma conferida no resumo de todos – pelo menos para saber o que a academia anda pesquisando. Dos que eu escolhi, apenas o primeiro pode ser lido na íntegra sem pagar (pessoal do Taylor Francis Online acha legal cobrar US$ 40 por um paper).

O poder do guardião dos portões
O artigo The battle for ‘Trayvon Martin’: Mapping a media controversy online and off-line, assinado por Erhardt Graeff, Matt Stempeck e Ethan Zuckerman, sugere que o papel das mídias tradicionais, como a TV, é crucial para a mobilização posterior das comunidades via redes sociais. “Nossa análise descobriu que o poder do gatekeeping ainda está enraizado na transmissões de mídia… Sem a cobertura inicial dos veículos e da televisão, não fica claro se as comunidades saberiam sobre o caso Trayvon Martin e, assim, se mobilizariam em torno dele”, escreveram.

Menos audiência, mais bem público
O artigo The Ethics of Web Analytics: Implications of using audience metrics in news construction, de Edson C. Tandoc Jr. e Ryan J. Thomas, toca num ponto sensível das discussões jornalísticas recentes: a questão “bom jornalismo” vs audiência. Apostar em um jornalismo conduzido por métricas faz aumentar o “risco de o sistema midiático atuar como um alcoviteiro da sua audiência ao invés de iluminá-la e desafiá-la, colocando uma barreira à formação da comunidade em torno de valores compartilhados e de uma inscrição coletiva ao sucesso da democracia”.

Quem acompanha a newsletter desde as primeiras edições sabe do meu interesse por verificação digital, principalmente pelo trabalho da Storyful. Por isso, sempre que eles publicam alguma de suas experiências no blog, eu corro lá para ler. É sempre uma aula sobre as possibilidades de se fazer jornalismo relevante e interessante com (a ajuda de) conteúdo disponível nas mídias sociais.

No dia 24 eles publicaram este post, sobre como contar histórias de conflitos utilizando vídeos publicados por usuários (e verificados por jornalistas). Especificamente sobre um minidocumentário do NYT sobre o Estado Islâmico e uma web série de três partes do Wall Street Journal sobre a guerra civil síria.

E o legal é que Eliza Mackintosh, autora do post, chama a atenção não só para a importância jornalística do chamado user generated content (UGC) na cobertura de conflitos recentes, mas também para a responsabilidade que os veículos de imprensa têm (ou devem começar a ter) de organizar e, mais importante, arquivar esse material, pois sabemos que eles podem sumir a qualquer momento da rede.

Diz Eliza:

Embora criar um arquivo não seja a tarefa da Storyful, ele acabou surgindo como uma consequência da nossa cobertura nas mídias sociais. Ao documentar a Primavera Árabe, a guerra civil na Síria, a ascensão do Estado Islâmico e outras histórias em tempo real, nós acumulamos uma história visual dos conflitos atuais.

Eu assisti à primeira parte da série do WSJ e é bem massa. O foco é a cidade de Homs, uma das pérolas do Oriente Médio e que foi completamente devastada em quatro anos de conflito. A narrativa tem uma estética Medium e usa ao menos dois vídeos verificados pela Storyful ainda em 2011, quando os protestos eram pacíficos e a população não fazia ideia do que iria acontecer nos meses seguintes.

Falando em redes sociais, o IJNET mostrou como jornalistas usaram as redes sociais em cinco das principais coberturas de 2014: Copa do Mundo, epidemia de ebola, conflitos em Gaza, protestos em Ferguson e a queda do voo MH17.

Eu destacaria o trabalho de Tim Pool, do Fusion, em Ferguson, e o do Bellingcat no MH17. Quando começaram os protestos na cidade americana, Pool usou Twitter, Instagram, Vine, LiveStream e YouTube na cobertura, além de abrir um tópico no reddit que teve mais de 600 comentários. Já o Bellingcat ganhou relevância depois que seu trabalho de verificação digital apontou que milicianos russos eram os responsáveis pela tragédia com o voo da Malaysia Airlines, num contexto em que nenhuma investigação independente conseguiu chegar a qualquer conclusão.

Aproveito o ENSEJO para mostrar uma lista do Journalism.co.uk com cinco formas como o Instagram vem sendo utilizado por veículos de imprensa internacionais.

Por fim, assistam a este vídeo e vejam que interessante a ferramenta desenvolvida para o NYT pela empresa Datafloq. O projeto Cascade promete dar ao jornal americano a possibilidade de visualizar (e entender melhor) o impacto do compartilhamento de seus links nas redes sociais. Ele é capaz de desenhar, por exemplo, o caminho traçado por um único tweet a partir do momento da publicação.

Moçada, se vocês não se importam, por hoje é isso. Semana que vem estarei aqui, mas ainda devagarito, já que sabemos que a ressaca da virada é sempre maior.

Bueno, era isso então.
Bom findi, feliz ano-novo e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório