Buenas, gurizada!

E aí, como foi a virada de ano de vocês? A minha foi ótima. Passei com amigos em um chalé em São Francisco de Paula, na serra gaúcha. Tempo agradável, piscina, cheiro de mato. E uma overdose de cerveja, espumante, lentilha e lombo de porco. Resultado: estou meio destruído e, confesso, um tanto arrependido de não ter feito um recesso na newsletter. Mas tudo bem. Me comprometi estar aqui na primeira sexta-feira do ano para o 27º boletim do Farol Jornalismo, e aqui estou. Mas, assim como na semana passada, o ritmo segue lento, quase parando, beleza?

Então vamos lá.

A escola de jornalismo da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, disponibilizou uma pesquisa sobre o jornalista norte-americano na era digital. Foram entrevistados 1080 profissionais em 2013, em um trabalho que dá continuidade a censos realizados desde o início da década de 1970 no país. Apesar de retratar a realidade dos EUA, é possível encontrar padrões parecidos com o estado do jornalismo brasileiro. O documento é relativamente curto (27 páginas) e fácil de ler.

Pincei dois trechos que resumem o trabalho:

Comparado ao estudo de 2002, a atualização do perfil dos jornalistas americanos revela que eles estão em média mais velhos, levemente propensos a ser mulheres, levemente menos propensos a serem de minorias raciais ou étnicas, levemente mais propensos a ter diploma de graduação, se dizem mais independentes politicamente, e menos propensos a se alinharem com republicanos ou democratas.

Entre os resultados mais negativos estão que os jornalistas estão menos satisfeitos com seu trabalho, menos propensos a dizer que eles têm autonomia completa para selecionar histórias, muito mais propensos a dizer que o jornalismo está indo na direção errada do que na certa, e muito mais propensos a dizer que as redações afundaram no ano passado do que dizer que cresceram ou continuaram iguais.

Na sequência, os autores explicam cada um dos achados em 21 tópicos. Todos dão muito pano pra manga. Quero fazer um rápido comentário sobre dois, o 20º e o 21º.

Ambos falam sobre jornalismo e redes sociais. Primeiro sobre a percepção que os profissionais têm delas, depois sobre como eles as utilizam. Não é surpresa dizer que 40% consideram as mídias sociais muito importantes, e que quase 54% estão no Twitter. Também não há grandes novidades sobre como os jornalistas usam as redes sociais: 78,5% as consideram como uma espécie de termômetro, um lugar para saber o que está acontecendo e para checar o trabalho dos concorrentes. Por outro lado, o número de jornalistas que enxergam nas redes sociais como um lugar para verificar informações e encontrar e conversar com fontes é bem menor: 24,7% verificam informações, 21,9% procuram fontes, e 20% entrevistam fontes.

Esses números mostram que se por um lado as redes sociais, principalmente o Twitter, vêm se consolidando como um lugar em que os jornalistas precisam estar para ter uma ideia do que anda rolando na superfície noticiosa, por outro parece haver um potencial a ser explorado em uma camada não tão aparente das discussões que se movimentam nessa superfície. Falo do esforço de saber quem, de fato, são algumas das vozes (principalmente as não jornalísticas) que participam do debate, destacando-as quando houver uma contribuição relevante. É o primeiro passo para que novos argumentos venham à tona e o debate seja pluralizado.

Bueno, falando em Twitter, deixa eu fazer uma pequena autopromoção. No final deste mês, vou ministrar um curso de curta duração sobre Twitter na ESPM-Sul, aqui em Porto Alegre. A ideia é discutir questões relevantes envolvendo o jornalismo e propor exercícios para instrumentalizar conceitos úteis para a nossa profissão. Informações sobre datas, preços e programa do curso, confiram neste link.

E ó, parece que agora é sério: o Twitter está por lançar um recurso que vai te mostrar quais os tweets “mais relevantes” postados enquanto você esteve deslogado. O “while you were away” (enquanto você esteve fora, na tradução livre) é um ganho de terreno da automatização baseada em algoritmos em uma plataforma cuja sua grande força (ainda) é a ordem cronológica inversa. O objetivo da empresa é popularizar a plataforma e obter novos usuários. Para desespero de quem a enxerga como um serviço de utilidade pública (quase) livre de algoritmos capazes de tomar decisões até há pouco associadas só a humanos.

Aliás, em 2014 falei muito sobre o algoritmo do Facebook, especialmente sobre o poder que um código possui para nos dizer o que devemos ou não ler/ver. Este link tem algumas dicas sobre como ele funciona. Está longe de explicar sua operação ou de refletir sobre seu impacto, mas oferece highlights sobre a sua lógica.

Já que nos afastamos um pouco do jornalismo em si para falar mais sobre SEO, sugiro a leitura deste texto da New Yorker sobre o americano Emerson Spartz, um jovem empreendedor que fez fama e grana apostando em virais. Ele construiu seu primeiro site aos 12 anos (hoje tem 27), o MuggleNet, que virou a página sobre Harry Potter mais popular do mundo. Hoje, sua empresa controla mais de 30 sites.

Andrew Marantz, o autor da matéria, descreve Spartz como um garoto prodígio um tanto excêntrico. Traduzi um trechinho do texto, sobre o primeiro encontro dos dois:

Eu me encontrei com Spartz algumas semanas antes, em um jantar de uma conferência de tecnologia em Manhattan. Quando eu perguntei no que ele trabalhava, ele respondeu: “Eu sou um apaixonado por viralidade”. Meu semblante deve ter demonstrado que eu estava confuso, pois ele disse: “Deixe-me trazer isso de volta de um nível de 33 mil pés”. O garçom ainda não havia trazido a entrada Ele checou a hora no seu celular e limpou a garganta. “Todos os dias, quando eu era criança, meus pais me faziam ler quatro biografias curtas de pessoas de sucesso”.

Bueno, a caminho do final, algumas coisas rápidas.

Por hoje acho é o bastante, não? Semana que vem estarei de volta, espero que já num ritmo parecido com o de pré-festividades de final de ano. Até lá, aproveitemos este período em que todos estamos autorizados a funcionar mais lentamente.

Por fim, não esqueçam que o Farol Jornalismo também está no Flipboard com a revista Tendências no Jornalismo. Curtam o nosso conteúdo por lá também.

Bueno, era isso então.
Bom findi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório