Buenas, gurizada!

Tudo?

Vamos direto ao que interessa porque vou pegar uma praia no final de semana.

Hoje teremos uma edição mais dinâmica, mais diversa e, consequentemente, menos aprofundada, a exemplo das primeiras. À medida que o ano vai engrenando, aumenta o ritmo de novidades e de assuntos a comentar. Nos últimos sete dias adicionei 21 links na Tendências no Jornalismo, nossa revista no Flipboard. Aproveitando que hoje é dia 16, vou contar o que 16 deles têm de interessante (fraquíssima essa). Pra dar uma ideia do todo, enumerarei os links de 1 a 16.

Vamos lá entonces.

Já que na semana passada falamos de diversidade no jornalismo em função de um texto do professor Mark Deuze, gostaria de começar por este tema. Deem uma olhada nesta conversa por email (1) entre o editor do Gawker Jason Parham e o CEO Nick Denton sobre o desafio de tornar a postura editorial do Gawker Media mais aberta e diversa. “Para o Gawker Media competir, se desenvolver e crescer, nosso compromisso em criar uma ecossistema de operações precisa envolver um compromisso com a diversidade em todos os departamentos, em especial no editorial. […] Para isso, o Gawker Media precisa se comprometer em publicar e contratar mais vozes latinas, vozes queer, vozes negras e vozes marginalizadas em todos os seus sites”, escreveu Parham em um email direcionado à diretoria.

Na resposta, Denton disse que Parham tem toda a razão, enumerou algumas das medidas feitas para tornar a redação mais diversa e destacou que uma empresa como o Gawker tem ainda mais responsabilidade em relação ao assunto. “Nossa plataforma e empresa, comprometida em criar laços entre as pessoas online, precisa de uma diversidade ainda maior do que a convencionalmente imaginada”.

O Gawker também foi notícia nesta semana por outro assunto: suas mudanças internas. Este link do Nieman Lab (2) resume: um dos primeiros veículos online a se preocupar com métricas de audiência vai pisar no freio. A ideia é atualizar menos a capa (deixando matérias com potencial em destaque por mais tempo) e investir na volta de um “julgamento editorial subjetivo”, segundo Denton. Para ele, a batalha pela audiência foi vencida pelo BuzzFeed. Está na hora de mudar de estratégia.

Quer mais? Mathew Ingram também escreveu (3) sobre as mudanças no Gawker.

Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, publicou as respostas que ele deu a um estudante de jornalismo a respeito do Twitter como fonte (4). Alguns trechos:

Sobre o papel de jornalistas e veículos no Twitter: “As pessoas têm uma relação diferente com uma “marca” (o jornal) do a que elas têm com uma pessoa. Então, perfis de marcas tendem a ser mais “broadcast” na maneira como eles interagem, enquanto jornalistas podem ser mais pessoais e interagir mais”.

Sobre o principal apelo jornalístico do Twitter: “O fato de ser sucinto. Se alguém quer contar algo para você, será preciso ser breve. E você precisará ser breve também. […] Mas também ele [o Twitter] combina apuração com produção e distribuição: eu posso, com um único clique, adicionar e distribuir uma informação.

Sobre o uso do Twitter para criar engajamento: “[…] usuários do Twitter tendem a ser mais importantes para os jornalistas em termos de valor como fonte: do mesmo jeito que blogueiros tendem a ter uma especialidade ou ter uma voz forte, usuários de Twitter muitas vezes também são especialistas em algum assunto.”

Ainda sobre redes sociais, o Journalism.co.uk listou cinco ferramentas úteis para encontrar fotos publicadas no Instagram (5). Destaco a Gramfeed.

A BBC publicou um resumo de um estudo (6) sobre o uso de redes sociais no Qatar, onde 97% da população está online. Destes, um terço usa WhatsApp para buscar as últimas notícias. Taí uma coisa que venho me perguntando: como usar o WhatsApp no jornalismo para além de um canal para ouvintes/leitores enviarem sugestões/reclamações/denúncias? Como usar o WhatsApp para distribuir notícias?

Falando em novos canais/formas de dar notícias, o jornal Charlotte Observer criou o Charlotte Five, uma tentativa de atrair leitores mais jovens. A ideia do produto é publicar apenas cinco matérias por dia de uma forma mais atrativa – mas vinculadas a notícias tradicionais do jornal. No topo da página um relógio conta o tempo que resta para a próxima publicação. O Nieman Lab escreveu sobre o Charlotte Five (7).

O interessante deste caso, além de apresentar assuntos relevantes em formatos diferentes, é ver mais um indício de diminuição no ritmo enlouquecido do jornalismo na internet. Aliás, a proposta do Charlotte Five – com seu contador e um número limitado de matérias por dia – é muito parecida com a do app Yahoo News Digest.

A seguir, dois links sobre dados e algoritmos. Não, eu não canso.

Neste texto publicado no site Tech Republic (8), o colunista Alex Howard chama a atenção para o fim do romance com a expressão “big data”. Ele salienta que, depois da euforia envolvendo as políticas “data-driven”, cujo auge foi em 2013, é tempo de começarmos a ser mais criteriosos ao usar dados para não acabar usados por eles.

Nas palavras de Howard:

“O nosso mundo, inundado em dados, precisará de novas técnicas para garantir a confiabilidade dos algoritmos, levando a uma nova geração de jornalistas com conhecimento em computação capazes de exigir, através de leis de acesso, não apenas informações, mas códigos. Isso permitirá a eles entender como decisões e políticas estão sendo realizadas por softwares nos setores público e privado. Não assumir essa postura permitirá que as decisões guiadas por dados continuem vivendo dentro de uma caixa-preta, governadas por códigos secretos, escondidas do escrutínio público ou de métodos tradicionais de responsabilidade.”

O segundo link é da Atlantic (9) e segue na mesma vibe.

Vejam como Ian Bogost, o autor, finaliza a matéria:

“Algoritmos não são deuses. Não precisamos acreditar que eles dominam o mundo, mas admitir que o mundo é influenciado por eles, às vezes profundamente. Vamos trazer os algoritmos de volta à Terra novamente. Deixemos de fetiche com os computadores, sem se curvar a eles nem diminuir o inevitável poder que eles têm sobre nós […]. Nós não queremos uma cultura do algoritmo, especialmente se essa frase é um eufemismo para uma teocracia corporativa computacional.”

Tá, tem mais um link sobre o assunto. De novo um do Online Journalism Blog (10). Desta vez, Paul Bradshaw se pergunta se o ensino de jornalismo de dados está cometendo os mesmos erros cometidos no ensino de jornalismo online, dez anos atrás. Ele dá o exemplo do ensino de HTML ao invés de fazer os alunos pensarem sobre as particularidades do meio. “Formamos jornalistas que sabiam criar suas páginas mas não sabiam o que escrever para elas elas”, disse Bradshaw.

Hoje, se pergunta ele, não estaríamos cometendo os mesmos erros ao achar que basta aprender a programar e/ou misturar o curso de jornalismo com ciências da computação? Como ele mesmo diz, o texto só traz perguntas, não respostas.

Agora, um pouco de Charlie Hebdo. O site da BBC Academy contou (11) como a equipe de mídias sociais da BBC trabalhou durante a cobertura em tempo real dos ataques em Paris. Destaque para a discussão sobre a publicação ou não do vídeo em que os terroristas atiram no policial Ahmed Merabet.”Naturalmente, você não quer sentar na foto mais forte de toda a história, mas nós não estamos trabalhando para mostrar imagens fortes”, disse o editor-assistente Mark Frankel.

Foi grande o debate embate sobre a atenção dispensada aos massacres de Paris e de Baga (Nigéria). Aqui tem um estudo comparando as duas coberturas (12).

Chegando ao final, leiam este post da Storyful (13) sobre o ano que está iniciando. Ele tem um jeitão de quem está querendo prever o que vai acontecer, mas na verdade apenas projeta para 2015 o que forma a espinha dorsal do trabalho deles – e muito do que discutimos aqui no Farol Jornalismo e especialmente na newsletter.

Saquem o início do texto:

“2015 vai assistir a chegada da era da descoberta das ferramentas digitais para a web social. Será o ano em que encontrar conteúdos ativamente, ao invés de passivamente, se tornará a norma. Espera-se que cada jornalista observe os boletins noticiosos, caminhe nas vias digitais através de múltiplos dashboards, sintonize seus canais nos fluxos de conteúdo e mantenham suas próprias listas nas redes sociais durante a busca por conteúdos relevantes e consistentes.”

Pra finalizar, três coisas rápidas. Primeiro, uma sobra de 2014: The Best Online Storytelling and Journalism of 2014 (14), no Medium. Segundo, também no Medium, um texto sobre ser correspondente de guerra (15). Por fim, um guia completo de métodos jornalísticos para todas as fases da reportagem (16).

Ok, agora deixem-me pegar a estrada em direção ao litoral mais bonito do mundo (ns). Ah, BTW, um pouco de cultura inútil: vocês sabiam que Xangri-lá (uma praia aqui do RS) se autodenomina “A capital dos condomínios”? Pra quem não conhece o fantástico litoral gaúcho, nos últimos anos houve um crescimento vertiginoso de condomínios fechados de fazer inveja ao Show de Truman. Sad but true.

Bueno, era isso então.

Bom findi e até a semana que vem! 🙂

Moreno Osório