Buenas, gurizada!

Mais uma sexta-feira em nossas vidas e EIS QUE chegamos à 30ª edição da newsletter. Estamos na segunda quinzena de janeiro, aquela época mágica em que o cara vai dormir assistindo ao Australian Open e quando acorda a transmissão ainda não terminou – e às vezes periga estar passando o mesmo jogo. \o/

Aqui em Porto Alegre, sol, um pouco de vento e INACREDITÁVEIS 28ºC (qualquer valor abaixo de 30ºC é motivo de comemoração). Como parece que o final de semana será assim, bora pra praia de novo. Não é Melbourne, mas dá pro gasto.

Vamos nessa, portanto.

Antes, A TÍTULO DE curiosidade:

Vocês sabiam que essa semana que passou foi a Semana de Trabalhar em Casa (Work From Home Week) no Reino Unido? Eu não sabia até ler este post do Journalism.co.uk reunindo dicas para quem pode trabalhar de pijama. Como venho trabalhando de casa nos últimos meses, achei a sacada interessante. São dicas básicas e que precisam ser adaptadas à rotina de cada um – afinal, ninguém aumenta a produtividade com um passe de mágica. De qualquer maneira, tem uns toques úteis: estabelecer períodos específicos para acessar as redes sociais, inserir exercícios no dia a dia e dar uma saída para ao menos tomar um café são práticas que eu assino embaixo. Eu adicionaria estabelecer uma hora para terminar o expediente. Não fazer isso é pedir para fechar doze horas trabalhando.

Ok, agora vamos.

Semana passada falei sobre o WhatsApp ser uma das principais formas usadas pela população do Qatar para buscar notícias e me perguntei sobre como usar o WhatsApp para fazer jornalismo. Durante a semana selecionei dois links a respeito disso, ambos sobre veículos que estão usando o app para distribuir notícias.

O primeiro é o caso do diário finlandês Helsingin Sanomat, que, em dois meses de serviço, obteve três mil assinantes. O jornal, cujo site registra 2,4 milhões de visitantes únicos por semana, envia uma apenas mensagem por dia pelo WhatsApp com três ou quatro manchetes, que variam entre notícias, opinião, entretenimento, política nacional e agenda cultural. Às vezes a mensagem é respondida pelos leitores, o que pode acabar em uma conversa com os repórteres. “É realmente um canal direto de comunicação, as mensagens são muito pessoais, muito diferente das coisas que enviávamos por email, por exemplo. É mais direto, mais pessoal e mais propício à conversação”, disse o editor Jussi Pullinen ao Journalism.co.uk.

O outro caso não é bem recente, foi publicado em junho pelo Journalism.co.uk. É o do Oxford Mail, que lançou o serviço na oportunidade e obteve 200 assinantes em duas semanas. A ideia é mesma do jornal finlandês: cinco ou seis manchetes enviadas todas as manhãs, excepcionalmente algum breaking news.

No primeiro não fica claro como o Helsingin Sanomat faz para gerenciar a newsletter via WhatsApp. Tenho curiosidade de saber se já existe um software que ajude a gerenciar a lista de contatos e o fluxo de inscrições. A segunda matéria sobre o assunto, embora traga mais detalhes, também não deixa claro.

O que dá pra saber é que a equipe do Oxford Mail edita a newsletter em um computador antes de enviar via WhatsAssp e quem quiser assinar precisa adicionar um número nos seus contatos e enviar uma mensagem solicitando o tipo de newsletter que quer receber – notícias, esportes ou ambos. Neste link dá pra entender melhor como funciona o processo de inscrição no Oxford Mail.

Vocês conhecem algum veículo brasileiro de notícias que já esteja enviando notícias via WhatsApp? Não é receber informações de leitores/ouvintes, como vários já fazem, ou permitir o compartilhamento de notícias por WhatsApp, como faz o app da Folha, é utilizar o serviço como ferramenta de newsletter. Confesso que não conheço nenhum. Até dei um Google pra ver se encontrava, mas não achei nada.

Se realmente não houver nenhum, tá na hora, não? Talvez agora que rolou uma versão web fique mais fácil gerenciar uma newsletter e coisa engrene.

Adiante.

O Twitter anunciou a compra de uma empresa indiana chamada ZipDial, que é especializada em desenvolver plataformas que permitem acessar conteúdo via SMS ou serviço de voz, por exemplo. A ideia é introduzir o Twitter em sociedades em desenvolvimento, onde milhares de pessoas recém estão entrando na era mobile, embora nem sempre com grana suficiente para pagar por um plano de dados (ou vivendo onde sequer há sinal 3G). Segundo o ZipDial, na Índia, a média de consumo mensal de dados é de 60MB por usuário, enquanto nos EUA é de 1.38GB.

Mathew Ingram explica melhor o que a ZipDial faz e o que significa, para países como a Índia, a “missed call”, a chamada perdida, em português, ou simplesmente aquele “toque” que a gente dá no telefone de alguém quando está sem créditos ou quer simplesmente dar algum sinal. Nos países em que um plano de dados é muito caro, esse tipo de uso se transformou em uma prática estabelecida para obter informações ou participar de promoções. O sujeito dá um toque em um número fornecido por uma empresa, por exemplo, e recebe de volta um SMS com um cupom promocional. Ou notícias sobre o seu time de críquete. Coisas assim.

A ideia do Twitter, que já trabalhou em conjunto com a ZipDial em algumas oportunidades, é ampliar a distribuição do seu conteúdo nesses lugares. Um morador de Mumbai fã do cinema indiano vai poder, ao dar um toque em um determinado número, receber os tweets do seu astro de Bollywood, por exemplo.

Ainda sobre Twitter, confiram essas dicas da equipe de mídias sociais do NYT sobre a atuação do jornal no Twitter. Adianto que não há nada revolucionário, mas vale a pena ver como algumas coisas funcionam (ou não) para o @NYTimes. Michael Roston, o autor do texto, fala sobre a redação de títulos específicos para o Twitter, sobre o uso de imagens nos tweets e sobre formas de responder às críticas dos usuários, entre outras lições aprendidas por eles durante o ano de 2014.

Pra fechar o assunto, a história interessante de um professor de inglês nos EUA que quis tornar a “escola mais social” e introduziu o Twitter na sala de aula.

Seguimos com uma pequena notícia publicada no Nieman Lab sobre o aumento no número de sites especializados em verificação de fatos (fact checking) do ano passado pra cá. Em 2014 eram 59 sites (44 deles ativos), agora são 89 (64 ativos). Embora o censo realizado pelo Duke Reporter’s Lab considere veículos dos EUA, é interessante pensar em uma tendência jornalística que ganha espaço e se diversifica. Falando nisso, saiu a versão em espanhol do Verification Handbook, o Manual de Verificación. Lembrando que desde o ano passado está disponível a versão em português – cuja tradução o Farol Jornalismo ajudou a realizar.

Vocês viram que a Agência Pública lançou o seu segundo projeto de Crowdfunding? A ideia é boa: levar leitores para dentro da redação para discutir pautas de interesse público. Vai funcionar mais ou menos assim: colaborando com o financiamento coletivo (a partir de R$ 20, e eles querem arrecadar R$ 50 mil), a pessoa fica habilitada a participar do conselho editorial que vai acompanhar 10 reportagens a serem desenvolvidas durante o ano. Dá pra colaborar até o dia 7 de março.

Falando em esforço coletivo, o jornalista Leandro Demori está com uma proposta de reportagem no Contributoria, uma rede de jornalismo independente que tem o Guardian por trás (já falamos sobre ela na newsletter #18). É uma pauta sobre o sonhado trem-bala, que ligaria o Rio de Janeiro a São Paulo mas acabou indo por água abaixo ninguém sabe bem por que. O Demori quer contar essa história. Querendo ajudar, é só acessar o Contributoria e dizer que tu assina embaixo. Não precisa pagar nada. Depois a matéria será publicada na revista Bang, no Medium.

Quase terminando.

Só pra variar um pouquinho, mais uma novidade sobre o algoritmo do News Feed do Facebook. Agora, Mark e seus asseclas estão desenvolvendo uma ferramenta que vai permitir ao algoritmo identificar conteúdo falso. Quem vai dizer se um link contém ou não informação não confiável são os próprios usuários, através de flags. Obviamente a novidade já causa polêmica. O Nieman Lab escreveu sobre isso.

Pra finalizar, quatro links pra colaborar na INSTRUMENTALIZAÇÃO do lance:

E não esqueçam a Tendências no Jornalismo, nossa gloriosa revista no Flipboard.

Bueno, era isso então.
Bom fíndi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório