Buenas, gurizada!

E se foi janeiro, hein.

Bueno, vamos lá porque hoje é sexta e segunda é feriado aqui na capital dos gaúchos, o que significa que temos um final de semana prolongado pela frente. \o/

Semana passada falei bastante sobre newsletter via WhatsApp. Comentei sobre as iniciativas dos jornais Helsingin Sanomat, da Finlândia, e Oxford Mail, da Inglaterra, e perguntei se havia algum veículo brasileiro que tivesse investido no serviço.

Pois bem, eis que no dia 27 o Jornal NH, da cidade de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, lançou a sua newsletter via WhatsApp. Ela é enviada duas vezes por dia, de manhã e no final da tarde, cada uma com cinco destaques – links de notícias publicadas no site do jornal. Para assinar, basta enviar uma mensagem pelo WhatsApp para o número disponibilizado no site do NH. Aí basta esperar que a equipe do jornal cadastre o número para começar a receber a news.

Ontem o jornal publicou no Facebook que, devido ao grande número de pedidos, eles estavam com dificuldades de dar conta da demanda, e pediam paciência. Agora de manhã troquei umas mensagens com Gabriel Guedes, editor dos sites do Grupo Sinos, e ele me contou alguns detalhes da iniciativa. Confere a entrevista abaixo junto com um print da newsletter enviada na manhã desta sexta-feira.

Quando e por que vocês decidiram criar uma newsletter via WhatsApp?

Eu e a editora-assistente Raquel Reckziegel já tínhamos uma ideia de distribuir notícias via WhatsApp desde o final de 2014. A gente enxergava potencial no público que interagia conosco, enviando mensagens, fotos e vídeos (criamos o WhatsApp do jornal no começo de 2014). Desde então, a ferramenta se popularizou muito entre os leitores e ao mesmo tempo houve uma queda na audiência de nossos posts no Facebook. Então, estudamos estratégias para reverter essa situação, e o Whats foi uma delas. Decidimos lançar a newsletter depois da estreia do WhatsApp Web, que agiliza a montagem do boletim.

Como é feita a newsletter e como é organizado o cadastro dos assinantes? 

As pessoas tinham que identificar que queriam receber a newsletter, então, [na hora do cadastro] criamos a palavra-chave “JORNAL NH NEWS”, e para não repetirmos na lista, o nome delas. Só que no meio do caminho a gente viu que as listas de transmissão só podem ter 256 cadastros. Tivemos que mudar a estratégia:  passamos a cadastrar os leitores por grupos. Quando um grupo atinge 256, a gente monta uma lista nova. É um trabalho de cadastro totalmente artesanal, já que o WhatsApp não facilita o manejo com os contatos do telefone. Na hora de enviar, replicamos o conteúdo da newsletter em cada uma das listas.

Com quantos assinantes a newslettter está?

São 1.250 inscritos e mais 800 na fila de espera. Tudo isso desde quarta de manhã. A receptividade está muito boa. Os leitores estão elogiando muito.

A inserção é feita manualmente, por isso a lista de espera? 

Sim. Como o smartphone é um só, estamos nos revezando, de maneira a trabalharmos quase que ininterruptamente no cadastro.

Deu pra perceber impacto na audiência? As pessoas estão clicando nos links?

Sim. Essa semana tivemos vários momentos com cerca de 40% de acesso mobile e 30% de PCs (e 30% de outros dispositivos, não identificados) e acessos diretos. Mas não temos como rastrear os links via WhatsApp, já que eles são diretos ao site (diferente do Facebook, em que é possível saber origem do clique).

Vocês pensam em diversificar o serviço? Dividir por assunto ou por região?

Pensamos em quem sabe regionalizar a distribuição por cidades. Mas isso é um plano ainda distante. Vamos avaliar nos próximos meses os benefícios da prática.

Às vezes me pego pensando que num futuro não muito distante talvez eu vá lembrar como era bizarro aquele tempo entre 2006 e 2011 ou 12 em que a gente fazia de tudo por meia dúzia cliques (PVs) ou acessos (UVs) para conseguir bater nossa meta e garantir o bônus no final de ano, mesmo que, para isso, o jornalismo fosse chutado para longe. Sei que, de maneira geral, a regra ainda é essa, e parece estar longe de mudar. Mas ao ler textos como este, do Ev Williams, fundador do Blogger, do Twitter e do Medium, fico um pouco mais esperançoso.

Usando a comparação recente entre Twitter e Instagram como mote, Williams reflete sobre as métricas usadas pelo mercado para medir quem é maior, quem é mais poderoso, quem tem mais capital, seja ele social ou financeiro. Ele traça um pequeno histórico das diferentes formas de mensuração, analisando e criticando as características de cada uma, para chegar à conclusão de que não existe a “métrica Deus”, ou seja, uma métrica capaz de dar conta de toda a complexidade que envolve conteúdos subjetivos – principalmente no caso da mídia e do jornalismo.

Ele não dá a solução para a questão das métricas, claro (nem é esse o objetivo, na real). Mas em tempos de cegueira causada pelos números, é bom quando alguém chama para um debate inteligente. Por isso faço minhas as palavras do jornalista Leandro Demori: “Eu, como produtor de conteúdo, sinto que o futuro pode ser mais brilhante do que o embate por cliques que vivemos hoje ─ embate que terraplana tudo, nivelando por baixo, no meu entender, qualquer discussão de ideias.”

Aliás, graças ao Leandro, que edita o Medium Brasil, o texto do Williams foi traduzido. Então aproveita: leia já. Destaco um trecho pra vocês se animarem.

“Se você se importa com o impacto que faz no mundo, ou está tentando dar conta dele, tais medidas podem se tornar suspeitas. Você não está medindo um retângulo, está medindo um espaço multidimensional. Você tem que aceitar que há muitas imperfeições nas medições e simplesmente tentar aprender o máximo possível sobre as métricas e suas anedotas ilustrativas.”

Ou será que o Calvin tem razão?

Bom, já que falamos sobre um dos fundadores do Twitter, um bloquinho sobre Twitter. Talvez vocês tenham visto que o Twitter lançou uma nova funcionalidade: usar as DMs (direct messages) para conversar em grupo. Outra novidade (que será disponibilizada aos poucos para os usuários) é a possibilidade de compartilhar vídeos de até 30 segundos a partir dos aplicativos mobile do Twitter. Hoje é possível fazer isso a partir do Vine, mas os vídeos são de apenas 6 segundos.

Duas rapidinhas sobre Twitter: 1) 12 tweets de Malachy Browne, um dos jornalistas do reported.ly, com dicas sobre verificação digital e 2) 5 dicas do site Press Gazette para jornalistas usarem o Twitter durante as eleições gerais britânicas deste ano (e que obviamente servem para outras eleições e coberturas em geral)

Adiante.

Vocês usam Snapchat? Eu não. Mas a galera mais jovem, especialmente nos Estados Unidos, usa bastante. Como renovar as audiências vem sendo o grande desafio da imprensa e de produtores de conteúdo nos últimos tempos, uma das alternativas é estar presente onde a gurizada está. Conscientes disso, alguns veículos de mídia, entre eles CNN, ESPN e National Geographic, fizeram uma parceria com o Snapchat por meio de um recurso lançado esta semana chamado Discover. A ideia é, uma vez por dia, oferecer conteúdo exclusivo para o aplicativo. Joshua Benton, do Nieman Lab,escreveu sobre a novidade. Vale conferir.

A BBC publicou o primeiro relatório de um projeto chamado Future of News. A ideia do documento é tentar se preparar para o que vem por aí no jornalismo nos próximos dez anos. A íntegra do relatório pode ser conferida neste link. Eu, que estou contando as horas para ir para a praia, aproveitei o resumo que o Journalism.co.uk fez. E ele diz o seguinte: aparelhos menores e mais poderosos farão as notícias estarem em todos os lugares, a automação no jornalismo vai aumentar (lembram do repórter do LA Times que criou um algoritmo para noticiar terremotos em primeira mão?), a colaboração entre público e jornalistas vai se tornar mais estreita, e, por fim, vídeos e jornalismo de dados chegaram para ficar.

A matéria do Nieman Lab tem outra pegada, com um enfoque maior no papel da BBC em si, e não no jornalismo de maneira geral. Destaque para a necessidade de repensar a cobertura global e local e da BBC se abrir ainda mais no futuro próximo.

Por falar em BBC, ela lançou seu novo app de notícias. Ainda não testei.

Gurizada, acho que é isso por hoje. Vou terminar com aquela listinha clássica de pequenas dicas para a vida em geral dentro e fora das redações.

Hoje só com duas:

Vocês sabem que sempre tem mais coisas na Tendências no Jornalismo, nossa revista no Flipboard. Se a newsletter não foi o suficiente, passa lá.

Bueno, era isso então.  🙂
Bom feriado para os porto-alegrenses, bom fíndi para nós e até a semana que vem!
Moreno Osório