Buenas, moçada!

Que tal vai a coisa?

Preciso dizer que pra mim a coisa complicou um pouco nessa semana. O feriado batendo perna no centro de São Paulo e uma série de compromissos que só terminarão no fim da tarde de sábado prejudicaram a newsletter de hoje. Ela está mais atrasada e menor do que o habitual – o que até pode ser bom – para que a qualidade não fosse prejudicada. Ainda assim pode ser que eu tenha deixado escapar alguma coisa relevante. Mas o importante é manter a regularidade.

Vamos nessa, então.

Começo pelo principal motivo da semana ter sido atípica: Festival piauí GloboNews de Jornalismo. Não só porque, como eu disse, fiquei em São Paulo durante o feriado, mas porque fui convidado pelo caderno PrOA, do jornal Zero Hora, a escrever um artigo sobre o evento. Vai sair neste próximo domingo. Semana que vem eu compartilho o link, mas quem quiser ler durante a semana, o artigo logo deve ser disponibilizado no site do caderno. O texto faz uma síntese do evento sob uma perspectiva da tensão entre mudança e permanência que perpassa o jornalismo atualmente. Não vou furar a ZH, mas ofereço a vocês um TEASER:

“Sintetizar as experiências de oito jornalistas integrantes da elite mundial da profissão que participaram do segundo Festival piauí GloboNews de Jornalismo revela a importância de ser paciencioso com o tempo. De enfrentar transformações tomando cuidado para proteger a reportagem, essência da profissão e tema principal do evento. Não se trata de negar a mudança, mas sim de se adaptar resistindo, como disse o jornalista Franklin Foer, ex-editor da The New Republic, um dos convidados.”

Ainda não tive tempo de procurar outras repercussões do evento. Dei uma olhada na hashtag e descobri esses dois balanços (primeiro dia, segundo dia), feitos pelo perfil @politicaefoda no Medium. Pelo que entendi, trata-se de uma análise do que foi tuitado durante os dois dias do evento. De repente vale conferir, nem que seja para chegar aos perfis no Twitter que estavam fazendo algum tipo de cobertura.

Adiante com esta boa entrevista do diretor de estratégia digital do Guardian, Wolfgang Blau, para o jornal sul-coreano The JoongAng Ilbo. Blau falou sobre jornalismo mobile, sobre a necessidade de as métricas evoluírem e sobre tecnologia na redação. Vale a pena. A entrevista não é longa e levanta boas questões, principalmente a respeito de como medir o impacto do jornalismo, o que Blau chama de métricas “E agora?” (Now what?). “Você visitou nosso site, leu ou assistiu algo e nós medimos a sua interação, mas agora você nos deixou de novo. E agora? Qual foi o nosso impacto em você e o que você vai fazer com isso?”

Antes de seguir, gostaria de mostrar para vocês um trecho dessa mesma entrevista em que Blau responde a uma pergunta sobre a necessidade de as redações terem excelentes desenvolvedores para conseguir inovar em seus produtos digitais.

“Um desafio que os publishers parecem estar enfrentando agora é como recrutar e manter os melhores desenvolvedores. A competição com os gigantes do Vale do Silício e com as start-ups de tecnologia é imensa. Enquanto a maioria dos publishers não pode competir com o Vale do Silício em relação a salários ou ações da empresa, você ainda pode oferecer aos desenvolvedores uma opção de carreira bastante significativa em termos de relevância social, desde que você dê certeza de que e a equipe de produtos receberá o mesmo respeito e apreço que a equipe editorial, e que ambas não trabalharão isoladas. Garanta que seus desenvolvedores e seus jornalistas conheçam uns aos outros pessoalmente, compartilhem o espaço de trabalho e sejam encorajados a aprender a partir da experiência do outro.”

Perdão pela longa citação, mas realmente achei interessante. Demonstra 1) a dificuldade das empresas de conteúdo / mídia desenvolverem produtos próprios à altura do que vem sendo feito no Vale do Silício e 2) a importância da experiência transdisciplinar para o jornalismo (e também para a tecnologia). Somente a convivência e, quem sabe, certo nível de fusão entre as duas atividades vão possibilitar o desenvolvimento de produtos tecnológicos voltados ao jornalismo.

Falando em convivência nas redações, deem uma olhada neste material simpático do Poynter: 5 razões para prestar atenção nos veteranos da redação e 5 razões para prestar atenção nos jovens da redação. Acho que, de algum modo, todos nos identificamos com ao menos um dos pontos sugeridos. Confiram lá.

Ainda sobre redações, 15 dicas para inovar nas pequenas redações oferecidas pela jornalista Alison Gow no blog Headlines and Deadlines. Em geral são coisas que todos nós sabemos, mas é bom quando alguém escreve. A que eu mais gostei foi: “só porque os outros estão fazendo, não significa que funcionará para você.” Né?

Seguindo.

Nas edições recentes da NFJ comentei sobre as polêmicas envolvendo veículos jornalísticos / jornalistas que abordavam pessoas que haviam sido testemunhas de episódios graves, como o recente tiroteio no Oregon. Pois bem, o assunto segue rendendo. Este link do Journalism.co.uk tem uma entrevista com Johh Pullman, global head of visual and pictures (editor de fotografia?) da Reuters sobre o assunto.

Ele destaca que a agência indica uma pessoa para fazer esse trabalho, evitando uma enxurrada ainda maior de tentativas de contato. Mas o desafio, diz ele, é resolver “as abordagens provenientes de toda a indústria”. “Isso nos leva ao problema da competição, e a quem vai dar um passo atrás, deixando seus rivais conseguirem um conteúdo exclusivo”. Pullman levanta a hipótese de que poderia haver uma centralização das tentativas de contato para vários veículos diferentes. Mas ele mesmo acha difícil que essa possibilidade seja levada adiante. “Acredito que começar a falar sobre isso já é um começo”, disse ele ao Journalism.co.uk.

Adiante para este texto publicado no Medium sobre o projeto WBEZ’s Curious City, em Chicago, que quer aproximar o jornalismo do público por meio de uma plataforma chamada Hearken. A ideia é que as pessoas façam perguntas que gostariam de ver respondidas e também votem nas que acharem mais relevantes. O resultado, diz o texto, são histórias “originais, relevantes e populares”. Um trecho:

“No coração do nosso trabalho está a convicção fundamental de que um jornalismo a serviço da comunidade, como o proporcionado pelo Hearken, não apenas é a chave para a estabilidade do noticiário local, mas também é o caminho vital para construir comunidade melhores, mais vibrantes e conectadas. Notícias são uma ferramenta cívica que o público tem ânsia por usar, mas raramente tem chance”.

Indo para o final.

E a última novidade do NYT, vocês viram? É uma equipe chamada “Express Team”, cuja responsabilidade será “cobrir notícias que os leitores estão buscando e comentando online, fazendo o noticiário avançar, e não apenas reempacotando o material em busca de cliques”. As informações são de um memorando interno assinado por gerentes e editores grandões do jornal. Eu li tudo isso nesta matéria do Politico Media. Segundo consta, o Express Team é a consolidação de uma equipe de redatores (rewrite team) que vinha sendo testada. O objetivo, diz o texto do Politico Media, dar ao Times a capacidade de competir com os concorrentes mais rápidos do mundo digital sem sacrificar o compromisso do jornal com um jornalismo preciso e de alta qualidade. À primeira vista pode até parecer que até o NYT está entrando na jogada “pega essa nota aqui e reescreve com as tuas próprias palavras”. Mas não é bem assim. Esta matéria do Nieman Lab esclarece as coisas.

O texto descreve o Express Team mais como uma equipe de breaking news do que simplesmente reempacotadores de conteúdo em busca de audiência. O artigo traz ainda uma entrevista com Patrick LaForge, editor de news presentation do NYT. Em uma das perguntas ele esclarece o objetivo da nova iniciativa do jornal.

“Sei que alguns sites estão interessados em obter tráfego, e então eles são atraídos para qualquer coisa que seja popular no momento. Nós temos uma abordagem um pouco diferente. Nós temos sorte de ter assinantes interessados em certo tipo de cobertura, e nós queremos atrair mais assinantes. Então, nós vamos cobrir histórias que acreditamos ser capazes de converter audiência em assinaturas, atuando de maneira séria, o que eu acredito ser o que as pessoas esperam do Times.”

Por fim, vocês viram que o Aos Fatos, iniciativa de checagem de discursos políticos, lançou uma campanha de crowdfunding? Eles querem arrecadar R$ 30 mil até o fim de novembro. O dinheiro será “o pontapé inicial para uma rodada de prospecções, aportes e parcerias”, segundo o email que a Tai Nalon enviou durante a semana.

Vamos apoiar?

Bueno, gurizada, é isso por hoje. Mais uma vez me desculpe pelo atraso e pelo conteúdo mais enxuto. Semana que vem as coisas devem voltar ao normal.

Bom fíndi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório