Buenas, moçada!

E aí, presente do amigo secreto comprado? Aqui, nada ainda. Vou deixar pra semana que vem. Comprar muito antes não tem graça. No mais, ano se resolvendo, com apenas mais uma semaninha pela frente, na prática. A partir do dia 19 a ordem é se agarrar nos fios de ovos, no pêssego em calda e no lombo de porco.

Isso pra quem não está de plantão.

Bueno, chegamos à 75º NFJ em uma sexta-feira de sol e clima ameno em Porto Alegre. Como toda sexta-feira deveria ser, aliás. Que assim permaneça.

Começo passando rapidamente pelas novidades relacionadas às grandes plataformas de distribuição de conteúdo. Vocês devem ter visto, mas não posso deixar de comentar aqui os testes que o Twitter vem fazendo com um feed baseado em algoritmos, ou seja, uma timeline funcionando fora da ordem cronológica. Vou fazer que nem vi, ok, Twitter? Com essa história de querer virar o Facebook, o nosso querido passarinho azul só tem a perder. Como diz esta matéria da Vice, implementar uma mudança tão drástica vai fazer com que o Twitter perca o que ele tem de “agradável – a relevância, a efemeridade e o diálogo”. Não inventem.

Certamente esses testes fazem parte das tentativas de fazer o Twitter crescer (e agradar seus investidores). Nesse sentido, outra cartada da empresa, segundo esta matéria do re/code, é mostrar anúncios para pessoas que não necessariamente estão logadas no serviço, mas que o acessam através de pesquisas no Google.

Às vezes acho que o Twitter deveria assumir de vez seu caráter midiático / jornalístico, já que de cada cinco jornalistas, quatro usam o Twitter, segundo este texto do IJNet. Aliás, essa mesma matéria traz dicas de como repórteres pode tirar o máximo das features mais recentes lançadas pela empresa. Confiram lá.

Pra fechar o assunto Twitter, eles divulgaram os assuntos mais trends de 2015.

Do Twitter para o Facebook.

Diz o WSJ que o Facebook está revendo alguns parâmetros de publicidade do Instant Articles a pedido dos publishers. A reclamação é que está difícil gerar receita por meio da plataforma de Mark e sua turma. Como resposta, a empresa decidiu permitir a inserção de mais anúncios por conteúdo. Antes, era possível inserir propagandas nas reportagens a cada 500 palavras. Agora é a cada 350.

Ainda sobre o Facebook, interessante esta matéria do Nieman Lab sobre a publicação de podcasts no feed. Como o Face não permite o upload de arquivos de áudio, a rádio WNYC, de Nova York, está apostando no que eles apelidaram de “audiograms”, podcasts publicados em vídeo com uma imagem estática. Ou: a boa e velha gambiarra. E parece estar dando certo. Tanto é que a ideia também vem sendo utilizada no Twitter para áudios curtos, especialmente para breaking news.

Falando em podcasts, quem está de volta é o Serial. A segunda temporada vai tratar da história de um soldado americano que abandonou seu posto enquanto servia no Afeganistão, em 2009, e foi capturado e mantido pelo Talibã durante quase cinco anos. No texto de apresentação, Sarah Koenig diz que a narrativa é sobre Boew Bergdahl – o soldado – e também sobre a “estranha decisão que ele tomou, abandonar seu posto”. “O ato de Bergdahl me fez lutar com duas coisas que eu pensava mais ou menos entender, mas descobri que não: o que significa ser leal, ser resiliente, ser usado, ser punido”, escreveu Koenig. Deem uma conferida.

Ah, e esqueçam aquela história de o Facebook não permitir upload de arquivos de áudio. O sucesso do Serial parece estar mudando essa história. Esta matéria, também do Nieman Lab, fala sobre os experimentos que o Facebook está fazendo para a segunda temporada do podcast. A principal é, claro, possibilitar a publicação, na timeline, de teasers do programa em áudio – sem aquela gambiarra da WNYC.

Só pra terminar o assunto grandes plataformas, esta matéria do re/code fala das últimas mudanças no Apple News. Segundo o texto, o app de notícias da Apple ficou mais parecido com um jornal anunciar que vai começar a fazer uma curadoria de “top stories” duas vezes ao dia, ao invés de apostar apenas em uma seleção baseada no comportamento do usuário. “[…] de manhã e de tarde, a Apple vai reunir algumas histórias que ela considera interessante para todos os seus usuários. Você sabe, como um jornal”, diz a matéria assinada por Peter Kafka. Bueno, é isso.

Adiante.

Interessante esta ideia que está sendo desenvolvida na Carolina do Norte, nos EUA: uma redação para freelancers. Dizendo de outro jeito, é mais ou menos como um coworking, mas voltado para jornalistas. A ideia vem sendo gestada por um grupo de repórteres veteranos da região com saudades do tempo de redação. Leiam o que disse ao Nieman Lab Mary E. Miller, que trabalhou muitos anos no jornal The News & Observer e hoje está à frente da ideia do N.C. Newsroom Cooperative:

“Como alguém que hoje é freelancer e que tem muitos amigos que são grandes jornalistas, mas que não conseguem colocar em prática o jornalismo que eles costumavam praticar porque foram demitidos de grandes veículos, apenas me ocorreu que uma das melhores coisas do meu tempo no jornal era a redação”.

Boa, hein. Que tal uma dessas por aqui?

Eu, se fosse vocês, daria uma olhada nesta entrevista com o produtor de vídeos do NYT Soo Jeong Kang sobre o trabalho do departamento de vídeos do jornal durante a cobertura dos ataques em Paris. É uma daquelas boas oportunidades para entender como um grande veículo age diante da explosão de um breaking news. Uma das coisas legais que Kang conta é como eles acharam os personagens de um dos vídeos mais chocantes do dia 13 de novembro: este, filmado por um jornalista do Le Monde que mostra uma mulher pendurada na fachada do teatro Bataclan implorando por ajuda e dizendo estar grávida. Após identificarem a jovem, tentaram entrevistá-la, mas ela negou por estar traumatizada. Então entrevistaram Sébastien, a pessoa que a resgatou. O resultado está neste vídeo. Um belo trabalho.

Já que o assunto é NYT, confiram esta matéria do Journalism.co.uk sobre o diretor-executivo do NYT R&D Lab, Matt Boggie. O texto é a cobertura da participação de Boggie em um evento em Paris. Na oportunidade, ele falou sobre a atuação do laboratório criado em 2006 e que atualmente conta com sete engenheiros. “No laboratório, nós observamos as tendências mais gerais relacionadas à trajetória da tecnologia, acompanhamos a indústria da mídia, então elencamos algumas hipóteses e, por fim, criamos protótipos”, disse, segundo o Journalism.co.uk.

O texto listou algumas tendências que o NYT L&D diz estar acompanhando:

  • Privacidade de dados
  • Objetos conectados – “aparelhos que você carrega por aí e que monitoram suas atividades, mesmo que eles não se pareçam com computadores.”
  • A relação entre leitor e repórter – “como esta membrana está começando a ser furada e como os dados vão e voltam entre as duas instâncias.”
  • Interfaces pessoais e contextuais, que monitoram não apenas as atividades das pessoas, mas o contexto ao redor delas, fornecendo sugestões baseadas em dados.
  • Colaborações entre repórteres e robôs – usando inteligência artificial para “nos ajudar a encontrar histórias e contá-las de diferentes formas”.

Pegando carona nas tendências, este outro material do Journalism.co.uk apresenta technology trends – selecionados pela Amy Webb e seu Webbmedia Group – que os jornalistas devem acompanhar em 2016. Um rápido resumo:

  • Robôs: para auxiliar o trabalho de jornalistas – estejam eles em redações ou não -, como os desenvolvidos para o comunicador Slack.
  • Inteligência artificial: para além do que já vem sendo pensado a respeito, Webb destaca a possibilidade de melhorar a capacidade de computadores transcreverem entrevistas, agilizando a produção jornalística.
  • Interfaces de ambiente: os veículos de notícias podem começar a aproveitar melhor o fato de nossos telefones saberem bastante sobre nós, se estamos parados ou em movimento, por exemplo, para nos oferecer conteúdos em formatos mais adequados para cada tipo de situação, o que possibilitaria aumentar os níveis de atenção do público.
  • Rabbit holes intencionais: trata-se da possibilidade de aperfeiçoar o uso de hiperlinks para oferecer ao leitor uma “jornada ao local em que a história em questão começou ou em que um evento significativo aconteceu”.
  • Checagem de fatos em tempo real: tendência que já viveu um boom em 2015 deve seguir sua trajetória ascendente no ano que vem.

Quem acompanha a NFJ sabe que trauma vicário é um assunto constante por aqui. Gostaria de indicar este link da BBC a respeito. Ele traz os principais resultados e recomendações de um estudo realizado pelo Eyewitness Media Hub. Nesse sentido, o principal desafio ainda é gerar o entendimento sobre a gravidade dos traumas secundários sofridos por jornalistas, e a partir disso traçar planos para amenizá-los.

Outro assunto que andei comentando aqui recentemente foi – a propósito da desinformação nos ataques de Paris – a necessidade de se pensar em uma educação para notícias / jornalismo nas escolas. Sobre isso, deem uma olhada neste texto, que fala de uma iniciativa de um grupo atuando no Berkam Center, na Universidade de Harvard, que se dedica a estudar internet e sociedade. Eles criaram um programa para oferecer news literacy a jovens de Chicago, incentivando-os discutirem o papel das notícias e do jornalismo junto às suas comunidades. No link há quatro artigos produzidos por este grupo a partir das experiências colocadas em prática nos últimos meses. Acompanharei.

Falando em comunidade, vejam cinco dicas do De Correspondent para construir comunidades em torno do jornalismo. Pra fechar uma NFJ cheia de bullets:

  • Coloque o correspondente (jornalista) no centro da comunidade.
  • Mantenha a conversação viva com newsletters informais (ó!).
  • Faça reaparecer histórias evergreen (não sabe o que é evergreen? aqui).
  • Ache estratégias para encarar a “guerra de plataformas”.
  • Traduza e faça circular suas histórias.

Para mais detalhes, deem uma olhada na matéria do Journalism.co.uk.

Coisas rápidas (em mais bullets):

Feito?
Bueno, era isso então.
Bom final de semana e até sexta que vem! 🙂
Moreno Osório