Buenas, moçada!

E aí, e esse verãozinho? De boa pra vocês? Por aqui, tudo certo. Do lado de fora, estação amena, com tardes quentes e noites frescas. Do lado de dentro, certa languidez: aquela tensão entre preguiça e trabalho, típica do verão, vocês sabem. Um olho na tela, outro na previsão do tempo, e, de quando em quando, uma conferida no trânsito da rodovia que liga Porto Alegre às praias do RS. Como a previsão é de chuva, foco total em Djoko e Murray, na final do Australian Open.

Weekend plans.

Bueno, antes de começar, queria anunciar que a NFJ vai parar durante o mês de fevereiro. Pausa para descansar e para trabalhar em outras frentes. Justo, não? Voltarei em março, mais precisamente no dia 4. Feito? Cuidem-se!

Ok, vamos lá.

Começo com uma entrevista de Melissa Bell, uma das fundadoras do Vox, ao Nieman Reports, publicada no começo do mês. O texto está divido em tópicos. Melissa fala de colaboração, diversidade na redação, cultura empresarial, publicidade, Snapchat e sobre a evolução da marca Vox. A respeito disso, aliás, ela ressalta a importância de se conectar com a audiência em plataformas diferentes, gerando oportunidades de obter mais receita e mais conexão com o público. Se estivermos no Snapchat, diz ela, e o Snapchat tiver uma grande audiência, é interessante que esse público veja o Vox como uma fonte confiável. Quando parte dessa audiência topar com o Vox em outras plataformas, essa confiança virá à tona.

Falando em marcas, este link do Journalist’s Resources (JR) fala de um estudo publicado recentemente que investigou a relação de amor e ódio que jornalistas, em geral, possuem com as mídias sociais: entendem a importância dessas plataformas, mas têm dificuldades entre equilibrar interesses pessoais e profissionais em suas postagens. O texto do JR traz, organizadas em tópicos, algumas constatações oferecidas pelo estudo. Em resumo, elas dizem que jornalistas têm necessidade de se apresentar como especialistas em sua área de atuação, vivem uma constante tensão para equilibrar aspectos pessoais e profissionais em suas postagens, e ainda têm muitas dúvidas sobre como se comportar nessas plataformas.

Adiante com este link do Journalism.co.uk sobre um recurso lançado pelo Washington Post para dar mais contexto à cobertura das eleições presidenciais norte-americanas. É o Backdrop, um botão que aparece no pé das matérias no momento em que o usuário começa a rolar a página – na web e o no mobile. Ao apertar o botão, uma nova janela com conteúdos mais gerais sobre o pleito é aberta. Para voltar à matéria, basta fechar o Backdrop, que vai continuar disponível, mas vai mudar de cor, mostrando que o leitor já acessou as informações ali disponíveis. Quando o Backdrop é atualizado, ele volta à cor original.

Uma pausa para: dar parabéns ao site do NYT, que fez 20 anos no dia 22.

Agora, dois textos que talvez vocês tenham visto na semana, pois circulou bastante.

O primeiro é esta matéria do Politico sobre o Blendle, aquele empreendimento holandês que se propõe a ser o iTunes de notícias. O texto relata um pouco da trajetória da ideia surgida da cabeça de Alexander Klöpping e Marten Blankesteijn, dois jovens baseados na pequena cidade de Utrecht. Alex Spence e Joe Pompeo, os autores da reportagem, contam que o Blendle quer levar ao jornalismo um comportamento que já se tornou natural em outros segmentos midiáticos, como música, filmes e séries, com o surgimento de serviços como Spotify e Netflix. Na matéria, Klöpping diz que seus amigos pagam por filmes, com o Netflix, mas que ninguém paga por jornalismo. O Blendle entrou nesse jogo oferecendo conteúdos jornalísticos de diversas publicações diferentes em uma plataforma centralizada. Os leitores pagam pelas matérias que consomem.

Segundo disse Klöpping ao Politico, os conteúdos que tendem a fazer mais sucesso são longas entrevistas, artigos de opinião e extensas reportagens investigativas. Por outro lado, as matérias caça-clique são as que mais recebem críticas e pedidos de devolução do dinheiro (o Blendle oferece a possibilidade de o usuário pedir ressarcimento caso o conteúdo não lhe agrade). Curioso, não? Apesar disso, ele não é visto como o salvador do modelo de negócio, e sim mais uma (pequena) fonte de receita para as publicações que disponibilizarem seus conteúdos nele.

Depois do sucesso na Holanda e na Alemanha, onde o Blendle foi lançado no ano passado, o desafio agora é repetir o desempenho nos Estados Unidos. A estreia deve ser ainda no primeiro semestre, com uma cartela de grandes clientes. Embora a lista esteja em segredo, o fato de o NYT ter investido uma grana alta no Blendle ano passado indica que eles não devem entrar no mercado americano para brincar.

O outro texto que circulou bastante é este aqui, publicado no YouPix, sobre uma “curadoria de conteúdo underground”. Eden Wiedemann, o autor, conta como descobriu um sujeito que oferece a seus clientes listas temáticas de WhatsApp por R$ 10. Isso mesmo. Dá pra entrar em listas com informações de trânsito (muito melhor que o Waze, segundo o taxista que contou a Eden como o lance funciona), curadoria de clipes de músicas sertanejas, piadas e até uma com conteúdos anti-PT. Pra ser incluído, basta depositar dez contos na conta do dono das listas e mandar o comprovante por zap-zap. Um trechinho do texto:

“Foi preciso um trabalho investigativo pra chegar até o “Galego”, como é chamado o sujeito que na época tinha mais de 500 grupos de Whatsapp, a maior parte com o limite de 100 pessoas participando, faturando, pelo que eu pude apurar, algo em torno de 15 mil Reais por mês. E isso tem meses, hoje ele pode estar muito, muito maior. Um imenso universo underground, completamente fora do radar dos hard users e formadores de opinião da web, de curadoria de conteúdo!”

Ele trocou uma mensagens com o tal “Galego”, que não quis muita conversa, “pra não despertar olho grande”. Vale muito a pena dar um conferes no texto.

Outra pausa para: assistir ao trailer do documentário sobre James Foley.

Seguimos com um bloquinho dedicado ao Twitter e ao Facebook.

Primeiro, este texto escrito por Ben Thompson, estrategista, consultor e palestrante na área de tecnologia. Thompson desenvolve um argumento para demonstrar como, ao longo dos últimos anos, o Facebook engoliu o Twitter. De modo geral, nada muito novo, para quem acompanha a discussão. O raciocínio gira em torno de dois pontos principais: a explosão mobile e a “dificuldade” de uso do Twitter vs a facilidade proporcionada pelo Facebook. Ele usa alguns gráficos que mostram que, em meados de 2009, 2010, quando os smartphones começaram a se multiplicar, o Twitter não conseguiu fazer sua base de usuários crescer significativamente, enquanto o Facebook, né, vocês sabem. Separei um trecho do texto que, no meu entender, resume bem esse momento e a diferença entre as duas plataformas.

Antes uma rápida contextualização. Imediatamente antes do parágrafo abaixo, Thompson falava de como a era mobile triplicou ou quadruplicou o número de pessoas com a possibilidade de estarem conectadas em “espaços vazios” da vida. Se antes a regra era estar conectado em frente a um desktop, quando em geral se está fazendo alguma coisa (trabalhando, estudando, etc), com os smartphones há uma transformação em relação ao estar conectado. Desde então, todos estamos conectados a todo momento, inclusive nos “espaços vazios” da vida.

“Quando se trata de ‘espaços vazios’, a maioria das pessoas não quer trabalhar, mas trabalho é exatamente o que o Twitter exige. Você precisa saber quais são seus interesses, saber quem seguir a partir desses interesses, e então, o principal de tudo, escolher as partes que te chamam mais atenção em um fluxo de tweets sem qualquer filtro; o Facebook, por outro lado, faz todo o trabalho para você.”

A dificuldade de usar o Twitter é o mote deste outro texto. Walt Mossberg, do The Verge, questiona várias funcionalidades do Twitter, perguntando para que servem, qual a diferença entre retweet e quote, blocking e muting, e por aí vai. Segundo ele, o Twitter se transformou em um “secret-handshake software”, apelido dado por ele a algo tão complicado que só membros de uma sociedade secreta são capazes de usar. O Twitter precisa mudar isso, ele defende. A questão é como reconstruir a plataforma de maneira a atrair novos usuários e manter os heavy users.

este longo texto do Bloomberg Business traz detalhes sobre a evolução do botão “like”, do Facebook. Já adianto que não é o botão “dislike”, se é que vocês já não sabem disso. O que vem por aí é o Facebook Reactions, uma funcionalidade que vai ser acrescida ao botão de curtir. Serão seis emojis animados que permitem demonstrar reações mais específicas ao conteúdo com o qual se está interagindo. Os sentimentos são os seguintes: angry, sad, wow, haha, yay, e love. Segundo a matéria, eles devem tornar a rede social de Mark ainda mais viciante e lançar ainda mais complexidade no algoritmo do já indecifrável News Feed.

Além de contar detalhes sobre a novidade, que deve começar a ser testada nas próximas semanas, a reportagem também é um longo perfil de Chris Cox, o sujeito que está no comando das mudanças no aplicativo do Facebook.

Já em marcha lenta, recomendo esta matéria do Nieman Lab para quem está de olho em podcasts, especialmente quem está interessado em produzir um. Shan Wang, que escreveu o texto, conversou com várias pessoas que estão trabalhando em (novos) podcasts dentro de organizações jornalísticas norte-americanas para saber quais são os principais desafios para quem quer se aventurar na área.

Notícias sobre modelos de negócio aqui do sul: o jornal Zero Hora anunciou nesta semana a unificação das edições impressas do final de semana. Por aqui, a medida está sendo tratada como a extinção da edição de sábado (que sempre teve vida curta, já que ao meio-dia de domingo a ZH dominical já está nas ruas). Assim, a edição de domingo infla, ganha novos cadernos e fica mais “arrevistada”. Esta superedição segue circulando no sábado (O.o). Para os leitores não ficarem desatualizados no churrasco de domingo, além das notícias publicadas no site, o jornal vai distribuir entre seus assinantes uma edição exclusivamente digital, a exemplo do ZH Noite, que circula no final da tarde dos dias úteis. Com a medida, a ZH segue firme na sua estratégia de conduzir pela mão sua tradicional audiência ao mundo digital. Parece que está dando certo.

Pra fechar, dicas do Journalism.co.uk para proteger redes sociais. E do Poynter para escolher as melhores ferramentas de acordo com o formato da história.

Uma última: uma carreta-museu com a história do jornalismo brasileiro vai passar por 16 cidades do país. Massa, hein?

Bueno, era isso então.
Bom fevereiro pra vocês todos e até março! 🙂
Moreno Osório