Buenas, moçada!

Antes de qualquer coisa: sim, a NFJ ganhou um patrocinador. É com entusiasmo digno de uma SEXTA-FEIRA que anuncio a vocês a parceria entre o Farol Jornalismo e o Volt Data Lab. Quem assina a newsletter há mais tempo deve conhecer o Volt. O trabalho do Sérgio Spagnuolo aparece com frequência entre os conteúdos citados aqui. Se não conhecem, taí uma boa oportunidade.

O Volt nasceu em 2015 como um projeto pessoal do Sérgio. De lá pra cá, já fez muita coisa massa. Nos últimos tempos, juntou forças com o Aos Fatos, outra iniciativa que surgiu recentemente no cenário do jornalismo independente brasileiro. Agora, o Sérgio deu mais um passo: lançou um serviço de jornalismo de dados.

A newsletter será patrocinada pelo Volt por dois meses. Em junho e julho, o logo do Farol Jornalismo vai dividir espaço com o logo do Volt. Talvez vocês tenham notado que o título do email também mudou um pouquinho. Aqui dentro, o Sérgio vai ter um espaço para apresentar a proposta dele. Deem uma lida no que ele tem a dizer. E lembrem de informar, caso assinarem, que souberam do projeto do Volt na NFJ.


Volt lança serviço de jornalismo de dados para pequenas e médias redações

O jornalismo de dados tem crescido em importância e em volume de reportagens e furos. Já não se trata apenas de um subsídio para matérias, e sim de um recurso indispensável para qualquer publicação. Reportagens de impacto como NSA files (Guardian), Drone Papers (Intercept), Panama Papers, Farra do Fies (Estadão), Pedaladas Fiscais (Aos Fatos) foram feitas com análise e exploração de dados.

Mas muitas redações no Brasil ainda não têm acesso a esse tipo de recurso. É custoso investir em ferramentas e em uma equipe especializada, além de tempo e recursos em treinamento, análise e visualização de dados.

É por isso que Volt Data Lab, uma agência de jornalismo especializada em reportagens baseadas em dados, vai passar a publicar, em julho, um serviço de notícias voltado a pequenas e médias redações.

Com menos do valor de um freelancer por mês, sua redação ou ONG terá acesso a, pelo menos, quatro reportagens com assuntos da semana, gráficos de notícias quentes e descontos exclusivos em cursos e projetos sob demanda.

E mais: os assinantes do plano anual que contratarem o serviço em junho receberão gratuitamente uma ferramenta de gráficos com as cores e logo de sua organização customizada pelo Volt. Sua redação poderá produzir seu próprio conteúdo visual.

Atenciosamente,
Sérgio Spagnuolo


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Bueno, vamos nessa?

Começo com mais uma notícia triste para o Twitter. Mais gente está usando o Snapchat diariamente do que o serviço de mensagens em 140 caracteres. Segundo a Bloomberg, 150 milhões de pessoas usam o Snapchat por dia, enquanto o Twitter possui menos de 140 milhões de usuários diários. O Nieman Lab publicou uma matéria explicando o que isso significa para o jornalismo. A partir de dados de uma pesquisa recente do Pew (assunto da última NFJ), o texto chama a atenção para o fato de que, embora o Snapchat esteja crescendo entre os jovens, o Twitter ainda se “mantém popular para o consumo de notícias”. Também ressalta a tentativa de alguns veículos conquistarem também este “território” e a manutenção do Twitter como uma plataforma influente: “você não vê os snaps de Donald Trump nas transmissões de TV, por exemplo”, diz o texto do Nieman Lab. Pra quem anda se aventurando jornalisticamente pela snap, o Online Journalism Blog publicou cinco dicas para encontrar usuários interessantes para seguir profissionalmente.

Adiante.

Uma rápida sobre a importância do Twitter para o jornalismo: post do grupo Mídia RS, ligado à pesquisadora Raquel Recuero, da UCPel, com uma análise de publicações no Twitter relacionadas ao estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro. O texto traz resultados de mais de 55 mil tweet coletados em quatro momentos diferentes, fornecendo um panorama da movimentação social em torno do caso.

Aproveitem e leiam este artigo publicado no European Journalism Observatory sobre diversidade no jornalismo. A autora, Nadia Bellardi, reflete sobre como é importante que a nossa profissão procure colocar nas suas narrativas a complexidade do mundo atual. Para isso, ela traz dados interessantes (às vezes preocupantes) sobre a representatividade das minorias nos conteúdos jornalísticos.

Ela cita um estudo realizado em 140 países que mostra que, em 2015, apenas 24% “das pessoas vistas, ouvidas ou lidas em matérias de TVs, rádios e jornais eram mulheres – a mesma proporção de 2010”. E que é raro imigrantes que chegam à Europa serem ouvidos. Quando são, quase nunca é sobre quem eles são para além do rótulo de imigrante. Destaco um trecho que, no meu ver, resume o nosso dever.

“O jornalismo em si é sobre questionar, explicar e explorar ideias, esclarecer e surpreender. A habilidade de envolver “o outro” precisa se tornar um princípio básico do pensamento jornalístico ou ser promovido por meio de projetos específicos. Profissionais da mídia precisam endossar a igualdade reconhecendo que a diversidade possui muitos tons e que a complexidade é norma na sociedade atual.”

É ou não é?

Flash: fala que o Mark te escuta.

Post provocador feito pelo Rafael Coimbra, do Labmídia, a respeito da quantidade de dados que estamos gerando a partir do ponto de vista da energia. O texto é curtinho, mas faz pensar. Problematiza um aspecto nem sempre abordado a respeito do armazenamento: à medida que nossa vida vai sendo digitalizada, as nossas memórias se transformam em sinais digitais gravados nos nossos HDs ou, cada vez mais, em servidores remotos das grandes corporações. Se levarmos em conta a necessidade de energia elétrica necessária para fazer funcionar esses hardwares, chegamos à conclusão que estamos transformando nossas memórias em eletricidade. Isso tem consequências, diz o Rafael Coimbra. Um deles é que precisaremos encontrar formas de baratear esse processo, dado o crescimento exponencial da quantidade de dados. Outro é a organização dessa bagunça toda.

Lendo o texto, não tem como não lembrar da memória jornalística. Porque uma coisa são os arquivos pessoais das pessoas, outra são os registros de como estava se comportando uma sociedade em determinada época. Ou seja, estamos transformando a História em eletricidade. Será que temos habilidade suficiente para mantê-la disponível (energia para deixar os computadores ligados e arquivos localizáveis) para sempre? Às vezes acho meio perigoso esse negócio de abstrair a existência a níveis cada vez mais distantes da materialidade das coisas.

Mais um texto em português. Agora esta coluna do Ronaldo Lemos sobre as informações falsas circularem mais rápido nas redes sociais do que as verdadeiras (ou de quem tenta corrigir as falsas). Não que seja uma grande novidade, mas é sempre bom quando alguém realiza um esforço empírico para demonstrar o que era apenas impressão. No caso, trata-se de um estudo do American Press Institute em parceria com a Universidade de Columbia. Lemos destaca um dos principais resultados da pesquisa: para cada três tweets que espalham uma informação falsa, há apenas um que tenta desmenti-la ou dá a informação correta.

Adiante.

Matéria do Poynter sobre o avanço dos ad blocks para aparelhos mobile no mercado asiático. O texto cita um estudo feito pela consultoria PageFair, que aponta o seguinte: um em cada cinco smartphones da região utiliza algum tipo de bloqueador de publicidade em seus browsers. O uso desse tipo de recurso cresceu 90% em 2015. O Poynter ressalta também que a PageFair tem interesse nos resultados da pesquisa, já que vende softwares para desarmar a ação desses bloqueadores. O estudo é citado nesta matéria do Meio&Mensagem a respeito de uma estratégia lançada pela Folha de S.Paulo para bloquear os ad blocks.

Falando em anúncios, deem uma olhada neste texto do Frederic Filloux, do Monday Note. Ele diz que nós temos muito o que aprender com a indústria dos apps de jogos. Filloux entrevistou o CEO da eRepublik Labs para saber como funciona por dentro uma estratégia de planejamento, desenvolvimento e venda capaz de gerar uma receita média por usuário de US$ 144 por ano para o jogo Age of Lords. Sabendo-se que este game app possui 2 milhões de usuários… Para dar uma ideia, Filloux compara esses números com os números do NYT. A receita média por assinante do jornal norte-americano é de US$ 90 por ano, levando em conta descontos e promoções, ou seja, características típicas de uma publicação.

O legal do texto é que o analista de mídia francês esmiuça os fluxos operacionais de um desenvolvedor de games e esboça algumas conclusões, indicando o que a indústria de mídia poderia aprender com os desenvolvedores de jogos. Duas delas me chamaram a atenção. Primeiro, tratar bem o usuário premium. Filloux diz que, embora seja quase um senso comum a necessidade de cuidar dos leitores mais leais, os veículos pouco fazem para valorizar o comportamento dessas pessoas. O sujeito que paga uma boa grana por conteúdo precisa ser mimado, diz ele. Um coisa simples de se fazer seria dispensá-lo de ver toneladas de anúncios. Segundo, a compra por meio de um clique (one-click purchase). Para Filloux, esse recurso funciona bem para Amazon e Apple e pode ser interessante para iniciativas de mídia. Medium ou Google poderiam oferecer essa possibilidade, ele palpita.

Outra rápida mas não tão útil: A AP inseriu o termo “emoji” em seu guia de estilo. Decisão razoável, ainda que já existe uma BÍBLIA escrita utilizando emojis. Tá certo.

Semana passada, um dos destaques da NFJ foi uma pesquisa realizada pelo Sérgio Lüdtke sobre as iniciativas jornalísticas digitais brasileiras. Pois bem, ele segue publicando os resultados. Nesta semana foi ao ar este aqui, sobre como foi feito (ou não) o planejamento desses empreendimentos. Nem preciso dizer que vale a pena ler, mas vou dar um spoiler, azar: quase 67% das iniciativas jornalísticas citadas na pesquisa não elaboraram um plano de negócio antes de começar a funcionar. Como diz o Lüdtke, não que seja obrigatório ter um business plan para ter sucesso, “mas começar um negócio sem ter um plano de negócios equivale no Jornalismo a publicar um texto que não responda às perguntas exigidas pelo lide“. Mas nem tudo é terra arrasada. Outro números apresentados na pesquisa mostram que estamos aprendendo a planejar. Mas isso eu não vou contar. Leiam lá.

Mudando de assunto.

Vocês conhecem a Pacific Standard? Pois bem, a Pacific Standard é uma revista publicada na web e em papel considerada uma das apostas do jornalismo para superar o clickbait, ou caça-clique, no bom português. Esta matéria publicada no Thougths on Journalism traça um perfil da revista e de quem está à frente dela. Ela começou em 2008 com o nome de Miller-McCune e com a ideia de traduzir conteúdos mais densos, funcionando como uma “ponte entre o mundo acadêmico e a maioria dos leitores”. Hoje, é uma publicação que trocou todas as métricas mais comuns por uma: impacto. O que mais me chamou a atenção no texto escrito por Simon Owens, no entanto, foi uma declaração do editor-chefe da revista Nicholas Jackson a respeito de por que imprimir uma versão da Pacific Standard:

“Nós estamos tentando fazer da versão impressa algo que dure […]. Não há razão para imprimir se você não está tentando criar uma lembrança, um objeto ornamental que você sinta vontade de compartilhar com outras pessoas e passar adiante. Porque se você quer guardá-la e mostrá-la, ela pode gerar muito mais influência entre os leitores do que quando uma página de um site carrega. Nós pensamos muito sobre isso. Nós queremos algo que dure mais do que um momento”.

Interessante, não? E ainda podemos fazer relações com o texto do Rafael Coimbra sobre as nossas memórias estarem virando eletricidade. Simplificando a questão para gerar reflexão: o que gera mais impacto, uma revista em papel ou dados guardados em impulsos elétricos? O que dura mais?

Pra ir fechando, deem uma olhada neste material da Pacific Standard sobre algoritmos que ajudam a Justiça dos EUA a prever a possibilidade de pessoas presas cometerem novos crimes. De maneira bem resumida, o programa analisa qual é o risco de a pessoa em questão cometer um crime novamente a partir de uma base de dados. Eis que a matéria (que cita uma investigação da ProPublica) sublinha que o algoritmo desenvolvido para “tornar as decisões da Justiça mais justas” está reproduzindo os preconceitos registrados nas decisões humanas.

Pra fechar, a última coisa rápida.

Feito?
Agora vou ali tomar uma cerveja e curtir essa MASSA DE AR FRIO que chegou pelas bandas de Porto Alegre. Domingo tem final de Roland Garros. Avante fíndi!
Até a semana que vem.
Moreno Osório