Buenas, moçada!

Antes de mais nada, gostaria de convidar vocês a responderem a um questionário sobre a importância do ensino de programação para jornalistas. O formulário foi desenvolvido pelo colega Felipe Cruz, que está concluindo um curso de Jornalismo Digital. Ele quer saber se os jornalistas conseguem perceber a importância da programação para a profissão. Quem já percebeu isso há horas é o Volt Data Lab, nosso patrocinador. Antes de irmos para a NFJ (que está longa hoje, já aviso), a mensagem do editor Sérgio Spagnuolo sobre os novos cursos do Volt.

Volt lança novos cursos em SP e Curitiba e serviço de jornalismo de dados

O Volt Data Lab, uma agência especializada em reportagens baseadas em dados, abriu quatro turmas para os cursos de Programação Web para Jornalistas, Jornalismo de Dados e Ferramentas de Visualizações. Serão três edições em São Paulo (os três cursos) e uma em Curitiba (Jornalismo de Dados). As vagas são limitadas e os assinantes da NFJ ganham R$ 40 de desconto.

Em julho, o Volt vai passar a publicar um serviço voltado a pequenas e médias redações. Com menos do valor de um freelancer por mês, sua redação ou ONG terá acesso a, pelo menos, quatro reportagens com assuntos da semana, gráficos de notícias quentes e descontos exclusivos em cursos e projetos sob demanda.

E mais: os assinantes do plano anual que contratarem o serviço em junho receberão gratuitamente uma ferramenta de gráficos com as cores e logo de sua organização customizada pelo Volt. Sua redação poderá produzir seu próprio conteúdo visual.

Para mais sobre o Volt, acessem nossas páginas no Facebook e no Twitter.

Atenciosamente,
Sérgio Spagnuolo


Saiba mais sobre a oferta e assine agora

Bueno, vamos nessa?

Bom, enquanto vivemos um friozinho ESSENCIAL que mantém a temperatura abaixo dos 15ºC e mais um dia de rodada tripla da Euro, chegamos à NFJ#96 sentindo cheiro de quentão e no ritmo de Freed from Desire, mas na versão ÉBRIA dos torcedores norte-irlandeses em sua homenagem ao jogador Will Griggs. Lindo.

Esta edição será dedicada ao State of the News Media, relatório anual do Pew Research Center que traça um diagnóstico da situação da mídia nos Estados Unidos e que serve de termômetro para as tendências pelo mundo. Se vocês quiserem saber como foi a pesquisa no ano passado, confiram a NFJ#43 e #44. E também ao Digital News Report, do Reuters Institute for the Study of Journalism. Vocês podem conferir o resumo da edição de 2015 na edição #50 da NFJ.

Feito? Vamos lá. Primeiro, a State of the News Media.

Bom, como a pesquisa é muito grande, vou abordar alguns aspectos que nos interessam mais aqui, especialmente os relacionados à mídia digital. Se vocês quiserem ler apenas uma coisa da pesquisa, leiam o texto de overview. Ele faz um resumo bem interessante de todos os achados do levantamento. O diagnóstico sobre o jornalismo digital é certeiro, eu diria. Converge com tudo o que andamos observando nos últimos meses aqui na NFJ. Confiram aqui. Eu traduzi três parágrafos, mas a vontade é de traduzir tudo. Ficou meio longo, mas vale a pena:

“Não é novidade pra ninguém que a realidade financeira da web não vem se mostrando amigável para as iniciativas noticiosas, sejam elas tradicionais ou nativas digitais. Tem gente fazendo dinheiro com a web, mas não são as organizações jornalísticas. Em 2015, o total investido em anúncios digitais cresceu 20% (em número absolutos, US$ 60 bilhões), uma taxa mais elevada que em 2013 e em 2014. Mas organizações jornalísticas não foram as principais beneficiárias. Na verdade, comparando com um ano atrás, um índice maior da receita proveniente de anúncios digitais – 65% – foi engolida por apenas cinco empresas de tecnologia. Nenhuma delas é jornalística, embora muitas – incluindo Facebook, Google, Yahoo e Twitter – integrem notícias em seus “cardápios”. Essa concentração começou quando o investimento ocorria no desktop, mas rapidamente estabeleceu raízes também nas plataformas mobile.”

Além disso, os dados sugerem que o impacto que essas empresas de tecnologia estão causando nos negócios do jornalismo vai muito além do lado financeiro – atinge os elementos centrais da indústria. Na era pré-digital, as organizações jornalísticas controlavam amplamente os seus produtos e serviços desde o começo até o fim, incluindo apuração exclusiva / original; redação e produção; empacotamento e entrega; experiência da audiência; e critérios editoriais. Com o passar o tempo, empresas de tecnologia como Facebook e Apple se transformaram em players integrantes – senão dominantes – na maioria dessas áreas, substituindo escolhas e objetivos das iniciativas jornalísticas pelos seus.

Os laços que ligam essas empresas aos publishers tiveram início, em muitos casos, como esforços das organizações de mídia na busca por seu caminho em um mundo novo. Primeiro, as empresas de tecnologia criaram novos caminhos para a distribuição, na forma de mecanismo de busca e emails. Depois, desenvolveram modelos financeiros, com a criação de redes de anúncios e lojas de aplicativos, que tiveram sequência com produtos que impactam no engajamento da audiência (Instant Articles, Apple News e Google AMP). Agora, as recentes acusações relacionadas ao possível envolvimento dos editores do Facebook nas seleções feitas pelo “trending topics” fizeram os holofotes se voltarem ao papel dessas empresas de tecnologia nos processos editoriais. As acusações, sejam elas verdadeiras ou não, sublinharam o envolvimento humano em qualquer ferramenta de aprendizado de máquina, não apenas a do Facebook. O Snapchat disse ter na sua equipe 75 pessoas ligadas ao nível editorial e, em meados de maio, anunciou que irá começar a usar algoritmos para selecionar notícias.

Bom, não?

Agora que já apresentei os principais trechos do diagnóstico, seleciono alguns dos principais dados. Importante: os números são de 2015 em comparação com os resultados de 2014. E não custa lembrar que são referentes ao cenário dos EUA.

  • Queda na circulação dos jornais (impresso e digital): 7%
  • Queda na receita dos jornais (impresso e digital): 8%
  • TVs a cabo cresceram 8% (número inclui receita e número de assinantes)
  • Já a receita das TVs a cabo cresceu 10%.
  • Noticiários de TV locais estão mais ou menos no mesmo parâmetro de 2014: cresceram 1% nos noticiários noturnos e caíram 2% nos noticiários matutinos.
  • Receita digital cresceu 20%

Vamos explorar melhor os números do digital. A pesquisa divide em dois factsheets este segmento: audiência e receita. Sobre a audiência, o texto do Pew chama a atenção para a dificuldade de reunir dados devido à “falta de consistência” das várias métricas que medem esses serviços e à “miríade de plataformas e news providers“. Dito isto, diz que “essas várias fontes de dados sugerem que as audiências continuam a se voltar para as fontes digitais para buscar por notícias, com destaque para o uso do mobile em detrimento do desktop”. Além disso:

[…] com a maioria dos adultos norte-americanos buscando notícias nas mídias sociais, publishers estão fazendo esforços para estar presentes em várias mídias sociais; a observação mais de perto as práticas dos sites nativos digitais mostra que isso é verdade não só para Facebook e Twitter, mas para Snapchat e Instagram.

Os autores da pesquisa chamam a atenção para uma comparação interessante envolvendo mídias digitais e a pauta do ano nos EUA: as eleições presidenciais. Em 2016, 44% dos entrevistados disseram ter consumido via mídias sociais alguma informação sobre o pleito eleitoral na semana anterior à sondagem, segundo esta pesquisa publicada pelo próprio Pew em fevereiro. O número é ainda maior quando amplia-se o foco para mídias digitais em geral: 65% dos entrevistados. Em 2012, ao responder uma pergunta um pouco diferente, 17% disseram acessar mídias sociais para se informar sobre as eleições. E 36% disseram usar fontes digitais em geral.

Outro parágrafo interessante:

“[…] para cada um dos quatro setores analisados – jornais, revistas, emissoras de TV nacionais e publicações nativas digitais -, a maioria dos veículos (77 de 110) apresentou crescimento em sua média mensal de audiência total no quarto quadrimestre de 2014, comparado com o mesmo período de 2015. Para os 50 jornais estudados, 33 tiveram crescimento médio em seus visitantes únicos mensais, e para as 12 revistas, 9 apresentaram crescimento. Observando as 8 TVs, incluindo as maiores redes, canais a cabo e TVs latinas, 6 aumentaram seu tráfego. Finalmente, 29 dos 40 sites nativos digitais apresentaram crescimento.”

O Pew atribui este crescimento ao incremento da audiência mobile. Essa realidade é mais marcante para os jornais: entre os 50 veículos observados, 44 apresentaram tráfego mobile maior do que o oriundo do desktop. No ano passado eram 28.

Mais um, agora sobre o tráfego de sites nativos digitais:

“Em termos de tráfego médio, quase três quartos dos veículos nativos digitais estudados – 29 de 40 – apresentaram crescimento em sua taxa de visitantes únicos mensais do quarto quadrimestre de 2014 ao mesmo período de 2015. Dezenove deles cresceram 10% ou mais. E os dados sugerem que isso se deve ao tráfego mobile. A vasta maioria desses sites (38 de 40) atraiu mais visitantes pelas plataformas mobile do que em desktops em 2015. Em 2014, eram 32 de 40.”

Como destacado nos highlights, a pesquisa chama a atenção para a presença desses veículos em plataformas de redes sociais diversas. Dos 40 analisados, todos estão presentes em Facebook, Twitter e YouTube. Trinta e seis estão no Instagram e 20 no Snapchat. Trinta e cinco sites possuem newsletters e 19 produzem seus próprios podcasts. A presença em plataformas de terceiros, no entanto, pode significar “perda de tráfego e alguns dados dos usuários”, diz o texto do Pew.

Leiam a íntegra do factsheet sobre audiência digital aqui.

Ok. Agora alguns dados sobre as receitas de mídia digital. Vamos a um parágrafo:

“Em 2015, US$ 59,6 bilhões foram gastos em todo tipo de publicidade digital, incluindo mecanismos de busca, mídias sociais, sites de notícias ou de qualquer outro tipo. Trata-se de um aumento de 20% em relação a 2014, de acordo com a estimativa do eMarketer. Esta taxa de crescimento é um pouco maior do que as dos últimos três anos, quando o crescimento anual ficou entre 15 e 17%. O investimento em mídias digitais representa um terço (33%) de todo o gasto em publicidade em qualquer plataforma (US$ 183 bilhões). Isso representa uma fatia maior do que a de 2014, quando os números estavam em 28% e US$ 175 bilhões, respectivamente.”

A publicidade mobile representa 53% (US$ 31,6 bilhões) do total de investimentos digitais, um crescimento de 65% em relação a 2014. Este último número, embora ainda seja considerável, é menor do que os registrados em anos recentes, quando a taxa de crescimento esteve em três dígitos, diz o texto da pesquisa.

Como também já destaquei no texto dos highlights, o Facebook e seus semelhantes abocanharam grande parte de toda a grana investida no digital. Dos US$ 59,6 bilhões, US$ 38,5 bilhões foram para os cofres de apenas cinco empresas (Google, Facebook, Yahoo, Microsoft e Twitter). Isso significa 65% do total. Em 2014, a fatia referente às cinco maiores empresas correspondia a 61%. Do total investido em mídias digitais (59,6 bi), 30% foi para o bolso de Mark. Em 2014 foram 25%.

Leiam a íntegra do factsheet sobre receitas digitais aqui.

Agora, uma espiada na situação dos jornais. Vamos lá para mais um trecho:

“Para os jornais, 2015 foi um ano de recessão. A circulação nos dias da semana caiu 7% e no domingo, 4%, ambos índices apresentando o maior declínio desde 2010. Ao mesmo tempo, as receitas oriundas de publicidade apresentaram a maior queda desde 2009, caindo quase 8% de 2014 a 2015. Um quarto da receita de publicidade vem agora do digital, mas não porque essa área cresceu: a receita da publicidade digital caiu 2% em 2015. Já a receita da publicidade não digital caiu ainda mais: 10% em 2015. Em 2014, o último ano em que este dado esteve disponível, o número de empregos em redações caiu 10%, mais do que em qualquer outro ano desde 2009. A força de trabalho nos jornais afundou em cerca de 20 mil postos, ou 39%, nos últimos 20 anos.”

Feia a coisa, não?

Alguns números em tópicos:

  • A circulação dos jornais nos dias da semana caiu 7% (a maior desde 2010). Muito devido à queda na impressa (9%); a circulação digital aumentou 2%.
  • A circulação dominical caiu 4%; em 2014 já havia caído 3%.
  • Mesmo em queda, as versões impressas seguem “parte vital do modelo de distribuição dos jornais”: 78% das versões dos jornais distribuídas nos dias de semana e 86% aos domingos são impressas.
  • 51% dos que consomem jornais leem exclusivamente no papel, enquanto apenas 5% leem apenas no desktop, 5% leem unicamente em aparelhos mobile e 7% leem tanto no mobile quanto no desktop.
  • O número de leitores exclusivos do papel era de 62% em 2011 e 59% em 2011. Os últimos dois tópicos são baseados nesta pesquisa citada pelo Pew.

Os dados relativos aos jornais são extensos. Sugiro darem uma boa olhada.

Antes de seguirmos para outros assuntos, só queria chamar a atenção para um dado sobre podcasts: “21% dos norte-americanos com 12 anos de idade ou mais disseram ter ouvido ao menos um podcast no último mês, refletindo um aumento substancial desde 2013 – quando a parcela era de 12%”.

Gurizada, vou parar por aqui. Mas tem informação pra se divertir durante TODO O FINAL DE SEMANA. Tem pra todos os gostos: revistas, TV a cabo, TV local, rádio.

Talvez na semana que vem eu aborde algum aspecto que tenha me escapado hoje.

Adiante? Adiante. Que ótimo. Acabei de descobrir que o Reuters Institute for the Study of Journalism divulgou ontem o seu relatório anual sobre o estado do jornalismo, o Digital News Report. Sentem aí que lá vem mais alguns milhares de caracteres. Bom, antes de mais nada, assistam a este vídeo. Ele mostra os key findings do estudo. Dá pra ter uma boa ideia só vendo ele. Este gráfico também é uma boa alternativa para conferir os resumos da pesquisa.

Bueno, vamos lá. O legal do Digital News Report é que ele apresenta um panorama mundial, já que o levantamento foi feito a partir de 50 mil entrevistas realizadas em 26 países diferentes, inclusive o Brasil. Começando pelo começo, aqui tem o resumo dos resultados. Vou destacar os dois primeiros na íntegra:

  • Dentre toda a nossa amostra, metade (51%) disse usar mídias sociais como fonte de notícias semanalmente. Doze por cento disseram que as mídias sociais são sua principal fonte noticiosa. O Facebook é, de longe, a rede social mais importante para achar, ler/assistir e compartilhar notícias.
  • As mídias sociais são mais importantes para mulheres (que são menos propensas a acessar as notícias diretamente nos sites ou apps) e para os jovens. Mais de um quarto (28%) dos entrevistados que têm entre 18 e 24 anos disseram que as mídias sociais são sua principal fonte de notícias – mais do que a televisão, que é a principal fonte para 24% dessa faixa etária. Pela primeira vez as mídias sociais superaram a TV como principal fonte de notícias entre os jovens.

Vou focar nos resultados referentes ao Brasil. Ao fim, dou mais alguns dados gerais.

Dos entrevistados que disseram ser as mídias sociais sua principal fonte de notícias, os brasileiros (Brasil urbano, no caso, como nas pesquisas anteriores) estão na frente. É o maior índice entre os países: 18%. Ano passado eram 10%.

Dá pra acessar os dados do Brasil aqui. O estudo da Reuters aponta a Globo como principal marca entre os usuários, tanto no meio digital quanto nos formatos tradicionais (TV, rádio e impresso). Entre os formatos tradicionais, 53% dizem consumir notícias das organizações Globo semanalmente, enquanto 21% dizem que a Globo é sua principal fonte de notícias. Em relação ao meio online, 51% dizem consumir notícias semanalmente no G1, mas o UOL é a principal fonte de notícias online dos brasileiros (16%). O G1 fica em segundo, é fonte principal para 13%.

Sobre o uso de mídias sociais no Brasil, confiram este parágrafo do texto assinado por Rodrigo Carro, jornalista associado ao Reuters Institute e analista financeiro:

“A fascinação exercida pelas mídias sociais é muitas vezes explicada em função da cultura hiper-social do Brasil, onde as pessoas são consideradas mais abertas a fazer amigos. Mas o Facebook e outras redes estão sendo usadas para além do contato pessoal. No Brasil urbano, mídias sociais são usadas como fonte de notícias para aproximadamente 72% dos que responderam a nossa pesquisa. Em dezembro de 2015, uma dúzia de veículos jornalísticos brasileiros – alguns pertencentes a pesos pesados da mídia mainstream – começaram a publicar diretamente no Facebook usando o formato Instant Articles.”

Abre parêntese.
Chamo a atenção para o fato de que, segundo esta mesma pesquisa da Reuters, 58% da população têm acesso à internet. Isso significa que os percentuais são referentes sempre a esta parcela da população, e não à totalidade dos brasileiros.
Fecha parêntese.

O texto de Carro também aponta para o fato de que 1.400 profissionais perderam o emprego em 2015 e que, apesar do peso da grande mídia na cobertura dos escândalos políticos recentes, 9 dos 10 jornais mais vendidos do país perderam leitores em 2015. Por outro lado, diz ele, “o consumo de notícias online cresceu 50% na primeira metade de 2015 quando comparado ao mesmo período do ano anterior”, apesar da adoção de paywalls por jornais brasileiros.

Chama a atenção também que 22% dos entrevistados no Brasil disseram ter pagado por algum conteúdo jornalístico online durante o ano passado. É o terceiro maior índice dentre os 26 países da amostra. O Brasil também é o terceiro quando o tópico é confiança na imprensa: 58% dizem confiar nas notícias na maior parte do tempo. Por sua vez, 36% dizem acreditar que a imprensa está livre de influência política indevida e 35% têm a mesma impressão sobre influência comercial.

  • O país em que o índice de confiança na imprensa é maior é a Finlândia (65%). O mais baixo é o da Grécia (20%). Em geral, as pessoas confiam mais na imprensa do que em jornalistas e editores, diz o estudo da Reuters.

Este dado é interessante: os entrevistados demonstram preocupação sobre a personalização e o uso de algoritmos para selecionar notícias: eles temem perder informações importantes ou não ter acesso a pontos de vista diferentes dos seus. Os mais jovens dizem se sentir mais confortáveis com algoritmos do que com editores.

Que coisa, não?

Bueno, vou ficar por aqui. Porque, né, todos queremos mergulhar no final de semana. Pra quem quiser seguir o baile e mergulhar nos números, e não no COPO, sugiro conferirem esta página de artigos escritos a partir dos resultados.

Peço perdão pela falta de variedades desta edição, mas vocês entendem. O State of the News Media e o Digital News Report são os dois principais relatórios sobre a situação midiático-jornalística do mundo ocidental. É provável que semana que vem ainda tenhamos uns respingos na NFJ#97. Feito? Beleza, mas não acabou ainda.

Sobre a prisão do jornalista Matheus Chaparini
Em geral, a NFJ, como vocês sabem, aborda assuntos que relacionam jornalismo com tecnologia. Mas preciso dar destaque para a prisão do jornalista Matheus Chaparini, do jornal Já, pela polícia militar gaúcha enquanto ele trabalhava na cobertura da ocupação da Secretaria da Fazenda estadual, em Porto Alegre, por estudantes secundaristas insatisfeitos com a situação da educação no Estado, na última quarta-feira. Embora acredite que muitos de vocês já devam saber, acho importante que essa notícia chegue a mais gente, especialmente profissionais do jornalismo, dentro e fora do Rio Grande do Sul. Fiz uma seleção de links sobre o caso, em especial entrevistas concedidas pelo Chaparini e textos de colegas sobre o absurdo da situação. Peço que leiam e façam chegar a mais colegas.

Chaparini foi preso após a PM retirar à força os estudantes que resistiam dentro do prédio da secretaria. Ele acompanhava a ação e, quando questionado, se identificou como jornalista. Mesmo assim, recebeu voz de prisão, foi levado a uma delegacia e depois ao presídio central, onde ficou até o começo da madrugada de quinta. Ao sair, publicou dois relatos, um no Facebook e outro na página do Já. No dia seguinte, a secretaria de segurança emitiu esta nota dizendo que Chaparini “se identificou como jornalista quando já estava consumada a prisão pelo ato de invasão” (o jornal Já publicou uma resposta rebatendo todos os pontos levantados pelas SSP). Este vídeo feito pelo próprio jornalista mostra que ele se identificou várias vezes ao comandante da operação. Em entrevistas concedidas posteriormente (Sul21, G1, ZH, Felipe Vieira, Rádio Guaíba, Record), Chaparini disse inclusive que havia participado de uma coletiva com o próprio comandante, do lado de fora do prédio, antes da ação. E que, na oportunidade, já havia se identificado como jornalista ao fazer uma pergunta ao policial, fato confirmado pelo colega Luís Eduardo Gomes, do Sul21, que também estava no local. O editor do Já, Elmar Bones, publicou este texto dizendo que o repórter cumpriu o seu papel.

Desde quarta, jornalistas têm vindo a público para apoiar Chaparini e repudiar a ação da polícia militar do governo do Estado, especialmente depois que um colega de profissão questionou o trabalho de Chaparini. Sobre isso, recomendo este texto, de Igor Natusch, este, da Débora Fogliatto, e este, da Maressah Sampaio. Neste, Jefferson Pinheiro reflete sobre o trabalho da mídia alternativa. O Sindicato dos Jornalistas do RS publicou uma nota de repúdio e disse estar cobrando a apuração dos fatos da prisão. Nesta matéria do Jornal do Comércio, o presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), João Batista de Melo, chamou de equívoco a polícia “não separar os profissionais da informação dos manifestantes”. Além disso, está circulando no Facebook um abaixo-assinado repudiando o ato de desocupação do prédio da Secretaria de Fazenda e a prisão de Chaparini, que, até a noite de quinta, já havia sido assinado por quase duas centenas de jornalistas. Por fim, hoje ao meio-dia dezenas de profissionais do jornalismo participaram de um ato em apoio a Chaparini em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual, no centro de Porto Alegre.

O ato teve cobertura de vários veículos da capital, embora nenhum do Grupo RBS (pelo menos por volta das 18h desta sexta). Leiam a cobertura do Sul21, do Jornal do Comércio (em vídeo), da Rádio Guaíba, do Correio do Povo. No sábado (dia 18), a ARI vai promover um debate público sobre a prisão de Chaparini.

Feito? Agora sim.
Era isso. Bom fíndi e até a semana que vem.
Moreno Osório