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Newsletter Farol Jornalismo #100 (15/07/2016)

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E aí, que tal vai a coisa por aí?

Eis que a NFJ chega na sua CENTÉSIMA edição. Já são 100 sextas-feiras jogando milhares de caracteres sobre jornalismo no colo de vocês. Que loucura, não?

Muito obrigado a todos vocês, moçada. O que começou com um exercício de sistematização pessoal, hoje é uma reflexão sobre jornalismo que chega toda sexta-feira na caixa de entrada de muita gente pelo Brasil (e pelo mundo) afora. 

Sigo em frente aqui. Sempre apostando antes no conteúdo do que na forma, mas de olho em formatos que possam incentivar discussões sobre o nosso campo de atuação, o primeiro passo para fortalecer a prática jornalística.

Chego na NFJ #100 olhando para o passado e projetando o futuro. Para isso, queria uma ajudinha. Pode ser? Preparei uma pesquisa para vocês me dizerem o que acham da NFJ, o que poderia melhorar, o que deveria ficar como está. São apenas 13 questões. E as respostas são anônimas. Conto com o senso crítico AGUÇADO de vocês. Sério mesmo.

Qual sua opinião sobre a NFJ? Responda a pesquisa

Bueno, é isso. Antes de começarmos, aquela palavrinha do Volt Data Lab, nosso patrocinador. Hoje, aliás, além da divulgação dos cursos, há um conteúdo bacana sobre jornalismo de dados no segundo box. Feito? Vamos nessa, então.

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Estão abertas as inscrições para o curso de Jornalismo de Dados do Volt Data Lab em Brasília. A edição será realizada no final de semana dos dias 27 e 28 de agosto. Para conhecer o programa do curso e realizar a inscrição, clique aqui.

Lembrando que seguem abertas as inscrições para o curso de Jornalismo de Dados que será realizado em São Paulo, nos dias 25 a 28 de julho. Restam apenas algumas vagas. Inscreva-se logoAssinantes da NFJ têm R$ 40 de desconto.

#DDJ-NFJ
Uma seleção de links sobre jornalismo de dados indicados pelo Volt Data Lab

O debate: fique por dentro da discussão sobre jornalismo de dados no mundo

O resultado: coisas legais que andam sendo feitas

Volt no Facebook

Volt no Twitter

Site do Volt

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Vamos lá.

Ainda sobre LIVES, racismo e breaking news em rede
Bom, como era de se esperar, ainda está se falando muito sobre os episódios ocorridos na semana passada nos EUA. Aos poucos vão aparecendo reflexões sobre jornalismo. Portanto, o assunto segue por aqui. Começo indicando este texto do BuzzFeed. Trata-se de uma bela análise do Charlie Warzel sobre os pontos fortes e fracos, além de uma certa interdependência, do Twitter e do Facebook quando o assunto é breaking news em rede. 

Achei o texto bom não só porque aborda a atuação (jornalística) das duas plataformas durante a emergência de um acontecimento, mas também porque Warzel faz uma análise preciosa do Twitter e do Facebook, uma daquelas que faz a gente se dar conta de coisas que sempre estiveram na nossa cara, mas não as víamos. Farei um breve resumo.

Na primeira parte do texto, Warzel diz que o caso de Diamond “Lavish” Reynolds, em Minnesota, e Michael Kevin Bautista, em Dallas, nos mostram que o acompanhamento de eventos ao vivo não é mais assunto somente do Twitter. O “Facebook Live mostrou ser o lugar para onde o mundo vai para mostrar o que está acontecendo”, escreveu o repórter do BuzzFeed, citando os casos da semana passada. Ele segue, então, falando sobre a decadência do Twitter, enfileirando números e links que mostram sua agonia. 

MAS o seguinte. Diz Warzel:

“Mas a semana nos deixou um lembrete: mesmo sofrendo críticas de todos os lados, e apesar de sofrer ataques constantes de um rival muito mais forte, como o Facebook, o Twitter se mantém não apenas resiliente mas vital quando a coisa encrespa. O valor do Twitter durante semanas como essa é difícil de questionar: quando a coisa fica intensa, quando o breaking news complica, o Twitter ainda é indispensável.”

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Segundo ele, o Twitter, ou melhor, seus usuários, acabaram aprendendo com os acontecimentos do passado (e os erros cometidos nessas oportunidades), tornando esse ambiente propício não só para propagação de rumores, mas também para que esses mesmos rumores sejam desmentidos e as informações corretas venham à tona.

Um pequeno parêntese. Deem uma olhada neste post do Emergency Journalism sobre um usuário do Twitter que resolveu analisar os enquadramentos midiáticos da cobertura do tiroteio de Dallas. Talvez possa ser um exemplo do que Warzel diz. Fecha parêntese.

Mais um trecho:

“Apesar da confusão, trolls ocasionais e perfis falsos tentando sacanear redações pressionadas pela ânsia de dar antes, o ecossistema noticioso do Twitter durante um breaking news – com seus diversos tipos de comunidades [aqui ele cita vários grupos que participaram da cobertura na semana passada] – se mantém sem rivais à altura quando situações complexas e caóticas fervilham ao mesmo tempo em que acontecem.”

Por outro lado, o Facebook, diz Warzel, não foi feito pra isso. O Facebook é um lugar de congregação, onde as pessoas dividem a intimidade com a família e com os amigos, e o algoritmo favorece esse tipo de comportamento. Foi apostando nisso que Mark lançou mão da plataforma Live: para que as pessoas sigam dividindo seus momentos íntimos, mas agora ao vivo. Mas as ferramentas acabam se transformando também no que as pessoas fazem delas. Diamond Reynolds teve a ideia de usar o Live para contar ao mundo que seu noivo havia sido morto pela polícia antes que as autoridades impusessem sua própria versão dos fatos. Sua transmissão pegou o Facebook de surpresa.

Como escreveu Warzel, “trata-se de um território desconhecido para o Facebook, e a plataforma está claramente lutando contra o lado sombrio da vida em tempo real.

Enquanto o Facebook precisa aguentar a dor e a delícia de ser o que é ao lidar com a responsabilidade de oferecer aos seus usuários ferramentas capazes de proporcionar momentos tão históricos quanto perturbadores como o de Reynolds, o Twitter reafirma sua importância e talvez sua especificidade em meio à luta pela própria vida.

Assim:

“A batalha pelo breaking news em rede foi, por muito tempo, enquadrado como uma questão de ‘o vencedor leva tudo’, mas a realidade que emerge é bem mais matizada. Ambas as plataformas são imperfeitas e surpreendentemente interdependentes, com ideias e eventos indo de uma para outra, e vice-versa, enquanto se espalham.”

Adiante. Mas seguindo no mesmo assunto.

“I call that news”
É o que diz a colunista de mídia do Washington Post e ex-ombudsman no NYT, Margaret Sullivan, sobre a atuação do Facebook no caso Diamond Reynolds. Segundo Sullivan, as decisões tomadas pelo Facebook não são diferentes das tomadas por editores ao decidirem o que vai pra capa de um jornal. Sobre isso, eu destaco três aspectos do texto:

Sobre a autonomia dos algoritmos em decidir o que vai ao ar e o que é barrado pelos usuários, ela diz que sempre será necessário uma mão humana. No caso de Reynolds, é provável que o vídeo tenha saído do ar porque muitos usuários o denunciaram como ofensivo, fazendo com que ele fosse derrubado pela própria plataforma. Quando o acontecimento ganhou proporções midiáticas, o vídeo foi colocado de volta. Sullivan chama a atenção para o fato de essa moderação ser feita por trabalhadores mal pagos ao redor do mundo – “o trabalho deles é ver o que de pior há na natureza humana”. 

Ela também sublinha o fato de as empresas de mídias sociais estarem em uma posição na qual as empresas tradicionais de jornalismo sempre tentaram resistir – tornaram-se um braço das autoridades para investigações criminais. “A imprensa tradicional vê a si mesma como um contrapeso ao governo, como era a intenção dos seus fundadores; as plataformas de mídias sociais não são nada disso”, escreveu Sullivan. 

Por fim, um parágrafo inteiro dela:

“Sim, as plataformas de mídias sociais são negócios. Elas não têm obrigação de chamar o seu serviço de ‘jornalismo’ ou descrever seus critérios como decisões editoriais. Elas são livres para descrever suas missões: transformar o mundo na praça central da cidade ou criar um planeta mais conectado. Mas dada a sua extraordinária influência, elas precisam lidar, da forma mais transparente possível, com essa extraordinária responsabilidade”. 

Toca aqui, Sullivan! o/

Se quiserem seguir no assunto, indico este link do NYT. Uma aspa de um dos entrevistados pela matéria, o diretor do Dart Center for Journalism and Trauma da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, Bruce Shapiro: “Empresas e plataformas terão de educar as pessoas sobre como os seus vídeos vão ter um grande impacto”.

Caso Reynolds e liberdade de expressão: mais perguntas do que respostas
Este artigo do professor de jornalismo norte-americano Dan Gillmour faz perguntas pertinentes a respeito do que pode significar o caso Reynolds para o jornalismo e para a liberdade de expressão (dentro e fora das redes). Vou transcrevê-las porque acho que elas sistematizam muito do que é discutido aqui na newsletter:

  • Trata-se de uma mudança revolucionária, ou evolucionária, na criação, distribuição e acesso midiático?
  • A transmissão representa um ponto de virada para o jornalismo cidadão?
  • Quais responsabilidades eu e você temos em situações em que nós podemos testemunhar eventos e comportamentos importantes, e onde isso pode nos levar?
  • No que podemos confiar, e o que devemos compartilhar?
  • O Facebook parece ter sido pego quase de surpresa pelas consequências de oferecer uma plataforma de vídeo em tempo real. O Facebook e outras plataformas de distribuição centralizadas têm deveres em relação a uma postura editorial?
  • Ampliando a questão, quem vai controlar o que nós poderemos produzir e assistir nos próximos anos? O Facebook? O governo? Ou eu e você?

Na sequência do texto, Gillmour procura explorar essas questões e, olha, a coisa é complicada. Ele aborda, por exemplo, a nossa “obrigação” como cidadãos em usarmos nossas câmeras para registrar momentos importantes. Logo depois, discute as consequências de recursos tecnológicos que permitem autoridades a bloquear a gravação de vídeos em determinados lugares. Em seguida, diz que, no fim das contas, quem será capaz de dar a palavra final nesse tipo de situação são as empresas de tecnologia.

E pra fechar esse tópico, dicas da ONG Witness sobre como salvar transmissões.
E ainda, o Facebook manda, a gente obedece: News broadcasters investem em vídeos ao vivo no Facebook depois da mudança do algoritmo. E quando mudar de novo?

FRENESI Pokémon GO
Que coisa, não? A primeira vez que eu ouvi falar do Pokémon Go foi no sábado passado, quando o Fernando, meu cunhado de 11 anos, fez um comentário meio aleatório sobre o jogo, numa daquelas tentativas de participar da conversa dos adultos a partir de um tema que ele conhece. Fernando disse que, no Brasil, seria complicado as pessoas saírem na rua caçando pokémons com seus celulares em punho por causa da insegurança. Naquele momento, nossa reação (minha e da Marcela) evidenciou o típico gap existente entre o mundo das crianças / pré-adolescentes e dos adultos: não fazíamos a mínima ideia do que ele tava falando, e portanto fomos incapazes de dar sequência à conversa que ele nos propunha. Um erro clássico. Ainda não sabíamos, mas Fernando estava nos dando a oportunidade de discutir o mais novo fenômeno cultural-midiático do mundo.

Todo esse preâmbulo para dizer o seguinte: ouçam seus filhos. Brincadeira. Mas é sério.

O que eu queria dizer, na verdade, é: fiquemos de olho nesse lance. Afinal, consta que ele já tá ultrapassando o Twitter em número de usuários ativos por dia na plataforma Android. E esse é só um dos números superlativos que o jogo vem apresentando desde que foi lançado, há duas semanas, oficialmente apenas nos EUA, Nova Zelândia e Austrália. Não quero me alongar muito aqui, afinal, a timeline de vocês já deve estar soterrada de links sobre o assunto (se ainda não está, em breve estará). Então, foquemos no que diz respeito ao jornalismo. Vou indicar apenas dois conteúdos sobre o fenômeno. 

Primeiro, este link do Poynter sobre o que o jornalismo pode aprender com o Pokémon GO. A principal lição é a seguinte: o uso da realidade aumentada, principal característica do jogo, pode ter grande utilidade para as redações, diz Melody Kramer, a autora do texto. A partir de alguns questionamentos, Kramer lista uma série de possibilidades para o uso jornalístico da tecnologia. Isso pode ser feito dentro dos próprios jogos, como uma lista de matérias sobre um local da cidade onde as pessoas estão caçando pokémons, ou de maneira independente, criando seus próprios aplicativos e coletando dados.

Falando em coleta de dados, o outro link que eu gostaria de indicar é este aqui, do Buzzfeed. Porque não dá só pra jogar confetes no Pokémon GO. Alguma crítica sempre é bem-vinda. Pois bem, no texto, o repórter Joseph Bernstein nos mostra o tamanho da quantidade de dados que Pokémon GO coleta dos nossos aparelhos móveis. Pensemos um pouco: o aplicativo tem acesso à nossa câmera e ao nosso GPS. Ele pode saber, por exemplo, onde estivemos, quanto tempo ficamos lá, como chegamos até lá e quem estava conosco. Deem uma lida nesse trecho bem assustador do texto:

“De acordo com a política de privacidade do Pokémon GO, a Niantic (desenvolvedora do jogo) pode coletar – entre outras coisas – seu email, endereço IP, a página onde você estava antes de logar no Pokémon GO, seu usuário e sua localização.

Este parágrafo segue falando sobre um bug (ou não) que permitiria à Niantic ter acesso à conta inteira do Google de quem logasse no jogo a partir de um dispositivo iOS, o que significaria um acesso potencial de leitura e escrita ao Gmail e ao Google Drive, por exemplo. Mas tanto a matéria do BuzzFeed quanto este post, citado por Bernstein, trazem atualizações informando que a empresa já liberou um patch que corrige esse problema. 

Antes de seguirmos, mas um link de brinde: não entregue sua vida ao Pokémon GO.

Dados, dados, dados
Quer entender melhor o potencial que um jogo como o Pokémon GO tem para recolher nossos dados para que alguém os use contra/ a favor (d)a gente? Leia este texto do Rafael Coimbra no Lamídia. Ele faz um exercício bacana para nos mostrar como a publicidade pode usar os dados que nós e as nossas coisas (internet das coisas, saca?) geram para nos vender produtos, serviços, etc. O parágrafo que ele simula uma situação é bem interessante. Como ele é muito grande, vou reproduzir aqui só o começo.

“Você está em casa e vai uma festa sábado à noite. Sua smart TV (conectada à internet e as redes sociais) sabe que você vai ao evento porque você disse compareceria. Está lá na página da festa. Você mesma confirmou. A TV sabe ainda que a festa vai ser numa área aberta (por meio da geolocalização) e que vai esfriar mais tarde (previsão do tempo web).”

Leia o resto

Programação para jornalistas
O nosso colega Felipe Cruz fez uma pesquisa sobre o ensino de programação no jornalismo. Talvez alguns de vocês tenham respondido o questionário que ele montou. Pois bem, a pesquisa está concluída e o Felipe a apresentou como TCC da pós-graduação em Jornalismo Digital da ESPM de São Paulo. Enquanto o trabalho não vem a público, ele me autorizou a divulgar alguns números. São eles:

  • A pesquisa foi respondida por 44 pessoas. A maioria é jornalista ou estudante de jornalismo morador da cidade de São Paulo e região;
  • Dos respondentes, 68,2% não sabem o básico de linguagem de programação;
  • 84,1% acham que jornalistas deveriam aprender linguagem de programação;
  • 79,5% acham que linguagem de programação deveria ser ensinada nas faculdades de jornalismo;
  • 72,7% se disseram dispostos a investir em um curso de linguagem de programação voltado a jornalistas.

E aí, o que vocês acham desses números?

Dois links sobre Cuba
Querem saber como funciona o Granma? Deem uma olhada neste link. E que tal um projeto jornalístico que tem como público-alvo os millennials cubanos? Venham aqui

Sobre Nice
Vamos dar tempo para as análises sobre a cobertura aparecerem, certo?

É isso, então? Hoje a NFJ chegou cedinho, hein? Assim sobra mais sexta-feira pra todo mundo. Bueno, estou pronto para mais 100 edições. Bora? Então até semana que vem!
Ah, não esqueça de responder a pesquisa sobre a NFJ! 🙂

Moreno Osório

A NFJ é gratuita e gostaríamos que continuasse assim, mas sua produção dá bastante trabalho. 

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