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Newsletter Farol Jornalismo #110 (23/09/2016)

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Buenas, moçada! Que tal? Bien?

Não sei vocês, mas nos últimos dias eu declarei oficialmente aberta a RETA FINAL de 2016. Agora é FOCO, FORÇA e FÉ no mínimo até 15 de dezembro. 

Vamos nessa, então.

Começo com a estreia do Farol Jornalismo no mundo dos podcasts. Conforme havia antecipado na semana passada, ontem foi ao ar a NFJ Café, a primeira temporada do nosso podcast.

Serão quatro entrevistas. Todas foram gravadas no Café do Duque, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, e tiveram a produção, a gravação e a finalização da Barbara Nickel, do podcast Coisas que a gente cria.

Como eu também disse na semana passada, a NFJ Café é um projeto conjunto do Farol Jornalismo com o Coisas que a gente cria. Pra saber mais sobre como surgiu essa parceria, leiam estes dois textos (1, 2), escritos por mim e pela Barbara.

Mas chega de papo.

Ouçam o primeiro episódio clicando na imagem abaixo. Ou clicando AQUI


Para saber mais sobre a Luciana Kraemer e sobre o que conversamos, vou transcrever a de abertura do podcast, beleza? Assim vocês têm um resumo antes de dar play. 🙂

A Luciana dá aula há oito anos. Antes disso, ela fez carreira no jornalismo televisivo, com foco em reportagens sobre infância e violência. O interesse nesses temas culminou no mestrado em Ciências Sociais que ela defendeu na PUCRS em 2008, mas até hoje molda a postura que ela tem em relação ao jornalismo e à ética jornalística, e também ao compromisso que a profissão deve ter com a investigação. Luciana foi membro da diretoria da Abraji de 2010 a 2014 e hoje faz doutorado em Informática na Educação.

Durante pouco mais de uma hora, vocês vão ver todos esses tópicos emergindo. A gente começou pelo desafio da docência e sobre o significado de ser professor hoje. Falamos sobre plágio, sobre ética e sobre o currículo de jornalismo, especialmente em função dos flertes recentes com a tecnologia. Seguimos com a relação do jornalismo com movimentos sociais, sobre as diferenças entre hoje e a época em que ela estudou isso no mestrado. Ainda teve espaço para destacar a importância da entrevista, problematizar o ativismo no jornalismo e discutir o papel de entidades como a Abraji no cenário atual.  

Semana que vem seguimos com o segundo episódio. O papo vai ser com o editor do Medium Brasil, Leandro Demori, que muitos de vocês já conhecem. A entrevista vai ao ar dia 29, quinta-feira. Mas vocês não precisam esperar a newsletter para ouvir. Basta acompanhar o Farol Jornalismo no SoundCloud, no iTunes ou no seu player de podcast favorito. É só buscar por Farol Jornalismo. Em breve os episódios estarão no nosso site. 

Feito? Então vamos à NFJ

Agora é com a Marcela. Volto mais tarde.
 

Fragmentação e consolidação no ecossistema informativo
Na manhã de 13 de setembro, tive uma conversa curiosa com um aluno de primeiro semestre do jornalismo. Com frequência pergunto a eles qual a notícia mais importante dos últimos dias. A resposta daquela manhã chuvosa em Porto Alegre era fácil: a cassação de Eduardo Cunha, confirmada no dia anterior.

Então eu perguntei pelo placar dos votos, mais ou menos, que derrubaram o deputado. “Uns 10 contra?”, disse o aluno. “Muito bem! Quem são eles?”
(grilos)
“Outra notícia importante de ontem?”
(grilos)
“A posse de Cármen Lúcia como presidente do STF”, eu mesma respondi. “Ah, é mesmo…” “O que ela disse em seu discurso?”, perguntei.
(grilos)

Para cada bola de feno que rolava entre nós, eu dava a resposta com alguns detalhes. No final dessa conversa, o menino me perguntou: “como eu faço pra me manter atualizado assim?”

Respondi que não havia mistério: é preciso investir tempo e ler as notícias para além da timeline do Facebook, fonte principal de informação de 99% dos alunos das minhas turmas de primeiro semestre. Segui com um sermão papo de que é preciso ler as notícias do início ao fim. No meu caso, leio jornais e ouço rádio – a tv não está na minha rotina de consumo de informação. E por jornais eu não estava me referindo ao papel, que fique claro, mas aos conteúdos produzidos e empacotados por grandes veículos nos seus portais ou nos seus impressos.

Claro que pedir os nomes dos deputados que não abandonaram Cunha pode ser uma informação detalhada demais para quem tem 19 anos. Claro que eu, aos 34, também consumo informação pelas redes sociais. Meu ponto é ilustrar o efeito desse tipo de consumo por pílulas, que eu noto por experiência própria: com frequência esquecer a fonte da informação e partes importantes da notícia (quem mesmo falou aquilo? está confirmado? não desmentiram depois? parece que era boato… não entendi direito porque só li a manchete…).

Alguns autores chamam esse fenômeno de fragmentação, que, junto ao movimento de consolidação – fusão de empresas de comunicação devido à crise do mercado -, desenha o novo ambiente jornalístico que vivemos, conforme destaca Ricardo Gandour. O ex-diretor de conteúdo do Grupo Estado e hoje diretor de jornalismo da CBN, do Grupo Globo passou seis meses como pesquisador visitante na Escola de Jornalismo de Columbia e, como resultado, lançou o ebook Um Novo Ecossistema Informativo: como a fragmentação digital está moldando a forma pela qual produzimos e consumimos notícias – que eu li até o final \o/

Como ele mesmo diz na introdução, o estudo é uma contribuição para o debate sobre os rumos do jornalismo que alerta para riscos aos quais a profissão está exposta nessa fase ainda de transição do modelo industrial para o pós-industrial. Gandour também apresenta recomendações. A seguir, tentarei resumir a explicação do contexto atual pelos olhos do autor, algo já bastante discutido por aqui, e citar algumas das suas sugestões (vocês também podem ver este vídeo que resume a parada toda).

A abundância de informação na rede leva a duas principais consequências. A primeira: notícias de qualidade misturadas a boatos, além de opinião misturada com informação, fragmentam o consumo de conteúdo polarizando e empobrecendo o debate público. A segunda: como a velha lógica da oferta e demanda, joga o valor da notícia como produto lá embaixo, provocando a tal crise de modelo de negócio, especialmente para os grandes veículos – o que, por sua vez, leva à consolidação.

Gandour chama a atenção para o fato de que, mesmo fragmentado, o ambiente ainda é abastecido pelos grandes veículos, que geram a matéria-prima que será “despedaçada” e “distribuída”. No momento em que essas empresas precisam cortar gastos, o impacto na qualidade do material produzido é evidente. O autor apresenta fontes que tratam da queda no volume de reportagens originais produzidas, além de números de um levantamento próprio, feito neste ano, junto a 60 diários associados da ANJ. De acordo com ele, a produção própria de conteúdos e o uso de conteúdos de terceiros (compra de agência de notícias) sofreram redução expressiva (entre 29% e 53% das redações reduziram a produção própria; entre 47% e 55% das redações reduziram uso de agências). Em outro estudo, Gandour comparou a atividade digital de redações com a dos governadores estaduais. A conclusão, “alarmante” para o autor, é que há cada vez menos informação originada de redações profissionais e cada vez mais informações de fontes oficiais.

Como consequência da consolidação temos o surgimento de novos pequenos veículos, os nativos digitais. Gandour reflete sobre o impacto e a independência de iniciativas sem fins lucrativos, bastante comuns nos Estados Unidos. Apesar de considerar uma das raras boas notícias no mercado, o autor questiona até quando os filantropos irão sustentá-las. Em relação à produção jornalística, a tendência é que os novos negócios acabem se aproximando das formas “clássicas”.

“Essa aproximação é natural, quase óbvia e inexorável. Jornalismo é jornalismo, e não dá para ser praticado a meia dose. Jornalismo não é um formato, e análise, checagem e preparação da informação para ser disponibilizada ao público.”

Entrando nas recomendações propostas pelo autor, uma delas se refere a preparar profissionais para esse novo mercado, indo além do ensino de habilidades digitais:

“No novo cenário que já se apresenta, não resta a menor dúvida de que o papel das escolas duplo na estruturação e atualização dos currículos e nas metodologias de sala de aula. É necessário manter-se atualizado frente às novas possibilidades tecnológicas, de interação e de distribuição, de análise de dados. Mas ao mesmo tempo, fazer com que essas novas ferramentas estejam a serviço do fact-checking, da investigação, da contextualização e da narrativa jornalística. Que não sejam apenas cosméticos, mas que contribuam para a essência do fazer jornalístico.

Entre as sugestões para combater a fragmentação está o investimento em tecnologia, com aposta em algoritmos que possam restaurar “algum nível de ‘enquadramento’ e hierarquia informativa”, o que ele chama de “contexto engine”. Fiquei curiosa para saber mais sobre essa sugestão, pouco desenvolvida no estudo.

Outra recomendação para combater o efeito da fragmentação no debate público é educar as pessoas para o consumo midiático, introduzindo ainda na escola uma disciplina que ensine sobre habilidades de leitura e interpretação de notícias. “Saber entender o contexto de uma notícia faz parte da educação do cidadão”, diz, e complementa: “ensinar a minuciosamente aprender a discernir as diferenças entre um texto informativo e um outro opinativo – esse já seria um enorme benefício”.

Moreno assumindo as rédeas. De novo. Agora até o final.

Discussão sobre estrangeirismos no jornalismo
Dois links do blog do Master en Innovación en Periodismo da Universidad Miguel Hernández, na Espanha. Primeiro este, sobre estrangeirismos no jornalismo. Achei curioso, útil e divertido o post. O texto chama a atenção para o fato de que “la comunicación en Internet es cada día más anglófona” (deixei em espanhol de propósito porque é bonito e não é em inglês), sugerindo para que pensemos sobre isso – especificamente no jornalismo. Então são listadas várias expressões estrangeiras, como big data, branded content e FREEMIUM (uhg!) seguidas de sugestões de traduções para o castelhano. Só para ter uma ideia, os exemplos citados ficariam assim: “datos masivos”, “contenido de marca”, “gratis parcial”. O que vocês acham? Sabemos que hispano hablantes são mais resistentes a estrangeirismos. Mas e aqui, será que conseguiríamos deixar de lado algumas dessas expressões que deixam nossas atividades mais COOL?

Jornalistas inovadoras da Latino-América
O outro link é este, sobre as jornalistas mais inovadoras da América Latina. O texto reúne nomes influentes da Latino-América. O post é uma sequência de outro, publicado em junho, com mais nomes. Boa fonte de referências para quem quer saber quem são as mulheres que estão fazendo a diferença no jornalismo latino-americano. Favoritem.

Facebook, o inimigo número 1 do jornalismo
Este é o título deste artigo publicado no Guardian. Roy Greenslade, o autor, faz basicamente uma sistematização de casos negativos recentes envolvendo a firma de Mark e depois apresenta os principais pontos discutidos por outro texto, este, de Jemima Kiss, publicado na British Journalism Review. O raciocínio gira em torno do grande poder acumulado pelo Facebook ao dominar os fluxos de receita de publicidade e a distribuição de conteúdo. Greenslade complementa dizendo que isso está causando o fim do jornalismo como conhecemos, o que representa uma ameaça para a democracia. Constatação um tanto fatalista, sabemos, mas Greenslade também faz um exercício de ponderação. Vale a pena dar uma lida. Se não for o caso, destacar esses dois textos serve para ficarmos ligado que a discussão jornalismo vs Facebook segue na superfície. 

As lições do reported.ly
Como vocês sabem, o reported.ly acabou. As operações foram suspensas em 31 de agosto. Agora é hora de consolidar o aprendizado e partir pra outra. Por isso é interessante dar uma conferida neste link do Journalism.co.uk. O site britânico acompanhou a conferência de Andy Carvin, editor do reported.ly, no ONA. no último dia 17. A fala de Carvin resume, no meu entender, a herança que a iniciativa bancada por pouco mais de um ano e meio pelo First Look Media deixa para o jornalismo.

Se no tópico anterior Roy Greenslade lamentava o fim do jornalismo como conhecemos, a experiência do reported.ly pode representar um jornalismo capaz de se reinventar. Ao menos em determinado tipo de cobertura. Para dar conta dos acontecimentos que emergiam globalmente, a pequena equipe trabalhava imersa nas redes sociais (nos primeiros meses, o reported.ly nem tinha site), especialmente o Twitter – ambiente classificado por Carvin como seu local de trabalho, justamente por sua característica: um grande feed de acontecimentos sem a interferência de algoritmos. 

Outro ponto interessante abordado na conferência foi o contato do reported.ly com suas fontes nas redes socais. Ainda mais que uma das principais atividades do veículo era cobrir fatos sensíveis, como tiroteios, atentados e desastres naturais. Com a ética nas redes socais ainda em construção, como diz o texto do Journalism.co.uk, o que mais acontece é testemunhas in loco serem ACOSSADAS por veículos de notícias de todo planeta. Consciente desse comportamento de abutre digital, o reported.ly procurava, segundo a ex-editora Kim Bui, que também participou da conversa, deixar claro para suas fontes que a relação estabelecida entre elas era um “trabalho conjunto”. “Eu vou te ajudar a contar essa história”, disse Kim, reproduzindo um exemplo de abordagem a usuários.

Kim Bui também escreveu um texto no Medium sobre a experiência do reported.ly. 

A morte do jornalismo ‘ele disse’, ‘ela disse’
É o título desta análise na The Atlantic. Peter Beinart celebra esta matéria do NYT como uma espécie de contra-ataque do jornalismo à estratégia midiática da campanha de Donald Trump. Leia-se: usar o seu poder como fonte para fazer notícias e ser notícia.

Este parágrafo do texto explica a lógica. Os grifos são meus.

“Essas matérias [jornalismo ‘ele disse, ela disse’], para o professor de jornalismo Jay Rosen, seguem a seguinte fórmula: ‘Há uma disputa pública. A disputa gera notícias. Não há nenhuma tentativa de avaliar o que é verdade e o que não é nessa disputa. [..] A simetria dos dois lados opostos coloca o repórter no meio de extremos polarizados'”

O contra-ataque foi o seguinte. Durante a semana, o Trump finalmente admitiu que Obama nasceu nos Estados Unidos, e culpou a Hillary por espalhar boatos de que ele havia dito isso. Um prato cheio para o jornalismo declaratório. Eis que em vez de colocar na sua manchete uma matéria “objetiva”, apenas publicando o que foi dito, assumindo o papel de meros mensageiros que alguns jornalistas ainda insistem em dizer que são, o NYT estampou na área mais nobre do jornal um texto analítico cujo título dizia o seguinte: Trump Gives Up a Lie But Refuses to Repent. Ou “Trump deixa de lado uma mentira mas se recusa a se arrepender”. Rápido, rasteiro e um tanto CONDENATÓRIO, não?

Como escreveu Beinart:

“Não uma ‘falsidade’, o que deixaria aberta a possibilidade de que Trump apenas se enganou, mas ‘mentira’, o que sugere, precisamente, que Trump tinha toda a condição de saber que o que ele estava dizendo sobre a cidadania era falso.”

Beinart felicita a iniciativa do NYT, dizendo que os candidatos sempre forçaram a barra em relação à verdade, e que, por sua vez, os jornalistas sempre responderam com delicadeza. Talvez estejamos vendo uma mudança de postura. É como se o autor dissesse: se vocês, candidatos, aprenderam a usar as regras do jogo (da mídia) ao próprio favor, esquecendo o compromisso público, talvez seja a hora de mudar as regras. Por fim, ele chama a atenção para o papel importantíssimo que terão os jornalistas nos debates americanos (o primeiro é segunda-feira). “Eles [os jornalistas] precisam estar preparados para confrontar Trump de um jeito que eles nunca estiveram para confrontar um candidato antes”, escreveu Beinart. E vocês, o que acharam desse tipo de jornalismo?

Coisas rápidas

  • APNS que o De Correspondent chegou a 47 mil assinantes. A expectativa dos holandeses é chegar a 50 mil até o fim do ano. Invejaram? Eu também.
  • Pra ficar de olho: Journalism 360º, iniciativa para ajudar jornalistas a encarar os desafios que a profissão vem enfrentando nos últimos tempos.  

Pra fechar, um rápida autopromoção: na quarta-feira que vem estarei em São Paulo para o YouPIX CON, evento massa que reúne gente que anda produzindo conteúdo massa pela web afora. Fui convidado para participar de um do que eles chamam de think groups. Serão três grupos de áreas diferentes que terão objetivo de fazer uma lista com “cinco coisas pra não errar mais” dentro dos seus universos de trabalho. Ficaram curiosos? Eu também. O evento é fechado, mas dá pra pagar um “ingresso” pra assistir online. Se algum assinante da NFJ se interessar, eu tenho cupons de desconto. Quem vai? 🙂

Bueno, era isso, então.
Bom final de semana e até sexta que vem!
Quinta, na real, com o segundo episódio da NFJ Café!
Moreno e Marcela

A NFJ é gratuita e gostaríamos que continuasse assim, mas sua produção dá bastante trabalho. 

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