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Newsletter Farol Jornalismo #38 (27/05/2015)

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E aí, gurizada! Bem?

A partir de hoje vocês vão notar uma razoável diminuição no tamanho da newsletter. Embora a proposta seja ser um espaço de discussão aprofundada, pesquisas informais indicaram que não é bem assim pra digerir 9 mil caracteres no final da tarde de sexta-feira. A ideia é cortar uns 3 mil caracteres desse total (como eram as primeiras edições). Além de ficar mais fácil de ler, a newsletter vai chegar um pouco mais cedo – ali por volta das 13h. Mas, claro, trata-se de um teste. Se, no fim das contas, a coisa se descaracterizar muito, voltamos ao tamanho GG.

Feito? Então vamos adiante.

Talvez vocês tenham visto um dos últimos movimentos do império do senhor Zuckerberg: convencer jornais e sites de notícias a publicar seus conteúdos diretamente no Facebook (leiam a notícia da Exame e a do NYT).

O principal argumento de Mark é melhorar o ato de consumir notícias a partir do Facebook. Hoje, quando o usuário clica em um link, é enviado para uma página externa, que leva alguns segundos para carregar. Como diz a matéria do NYT, o “Facebook acha que isso é muito tempo, especialmente em aparelhos móveis, e que quando se trata de fixar a atenção dos leitores, milissegundos importam”. 

Em troca, o Facebook repartiria a grana da publicidade com os produtores de conteúdo – algo que não acontece agora. Hoje, essa relação funciona da seguinte forma: vocês publicam seus conteúdos no Face, o Face gera tráfego para os sites.

O que parece ser um oportunidade atraente, no entanto, pode se mostrar um mau negócio. O principal motivo é os produtores de conteúdo abrirem mão dos dados dos seus usuários. Com o tráfego passando apenas pelos domínios do Facebook, jornais e sites de notícias perdem o controle sobre informações importantíssimas a respeito de quem os leem. Como diz a análise do Niemam Lab, o que Mark realmente quer é manter os seus 1,4 bilhão de usuários dentro do Facebook.

Nas palabras de Joshua Benton:

“O Facebook é origem de uma grande parcela do tráfego dos produtores de conteúdo – 40% ou mais em alguns casos. Combine isso com a ‘appficação’ da vida online das pessoas – uma debandada da open web em direção a ícones de mídias sociais na tela dos telefones – e você começa a ver as reais motivações.” 

Isso me lembra a pergunta que volta e meia reaparece: o Facebook é a internet?

Para milhões de pessoas isso é fato. Lembram daquela pesquisa que descobriu que milhões de usuários do Facebook não faziam ideia de que estavam na internet?

Embora faltem elementos para afirmar que a iniciativa do Facebook é, de fato, uma furada, eu fico com um pé atrás. O Facebook já tem poder demais. Sigo achando que devemos usar o Facebook para dar mais alcance ao conteúdo, mas sem entregar de mão beijada o resultado do nosso trabalho aos computadores do Mark.

Não ser seduzido pelo Face é jogo duro, eu sei. Mas tem gente brigando.

Leiam o post de Rafael Coimbra, do Labmídia, sobre a Aliança Pangeia, um esforço de cinco gigantes do mundo da comunicação (Guardian, CNN, Financial Times, Reuters e  Economist) para fazer frente ao Facebook. A ideia é oferecer à sua audiência global (110 milhões) o que eles têm de melhor: credibilidade.

Diz Coimbra:

“O foco aqui é a qualidade, não a quantidade. Google e Facebook levam vantagem na ampla base de usuários e na experiência com a publicidade online. Já os integrantes da Aliança Pangeia saem na frente quando o assunto é credibilidade.”

Jogo pesado, hein? Bueno, seguimos.

Semana passada citei a pesquisa do American Press Institute sobre hábitos de consumo de notícias dos millennials. Durante a semana, a Marcela Donini deu uma entrevista na FM Cultura aqui de Porto Alegre sobre o assunto. Dá pra ou vir aqui.

Falando em millennials, achei interessante essa entrevista do IJNet com Nelson Graves, criador de um site de notícias voltado para esse público, o News-Decoder. O nome vem da constatação de Graves a respeito do comportamento de suas filhas na hora de se informar. Elas demonstravam interesses em consumir notícias, mas muitas vezes não entendiam o contexto que estava por trás do fato noticiado. A ideia do site é ser um lugar onde essa geração vai conseguir decodificar as notícias.

O site vai funcionar em duas partes. A primeira, que terá livre acesso, será de notícias redigidas por millennials e por uma equipe de jornalistas mais experientes. A segunda será um fórum em que serão discutidos alguns assuntos noticiados. Dele participarão membros da comunidade, acadêmicos especializados e estudantes. A ideia é cobrar pelo acesso a este fórum, mas apenas de instituições e bibliotecas. 

Mais uma do IJNet.

Boa entrevista com editor sênior do Quartz Gideon Lichfield. À frente de uma publicação que em apenas dois anos obteve uma audiência de 10,9 milhões de usuários únicos por mês e 110 mil assinantes (!) na newsletter diária, Lichfield diz que o jornalista digital precisa ser também um designer da experiência do usuário:

“No digital, todo jornalista também precisa ser, de algum modo, um designer de experiência do usuário. Eles precisam pensar em como o usuário vai chegar à matéria, o que vai fazê-lo ler e compartilhar o conteúdo, o que vai fazer querer chegar até o final do artigo. Em que tipo de aparelho a matéria será lida? Em que parte do dia o usuário vai lê-la? Quais métodos podem ser usados, além do texto, para dizer o que eu quero dizer, mas de forma mais eficiente?”

Anotaram as perguntas?

Outra coisa legal que Lichfield disse é que o Quartz não é dividido em editorias, e sim nas “obsessões” de 50 jornalistas. Essas obsessões variam de assuntos bizarros a pautas relacionadas à economia chinesa ou ao Banco Central Europeu.

Adiante.

Pra ir entrando no ritmo do final de semana, um textinho na Atlantic sobre a “gloriosa vida de um jornalista produtor de conteúdo patrocinado”. James Fallows publicou uma troca de emails que ele teve com pessoas que estavam oferecendo oportunidades de negócio (leia-se: publicar conteúdo patrocinado na Atlantic).

Falando em final de semana, aproveitem o horário depois do almoço para assistir a este minidoc do NYT sobre o chefe da sucursal do jornal em Teerã, tem só cinco minutos. É o primeiro episódio de uma série semanal. Acho que vai ser ótimo para percebermos que o Irã não é exatamente da maneira que dizem que é.

Finalizando:

Fechamos com pouco mais de 6,6 mil caracteres. Ficou bom pra vocês? 

Bueno, era isso então.
Bom fíndi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório

 

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