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Newsletter Farol Jornalismo #23 (05/12/2014)

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Buenas, gurizada! 

Que tal? Como vão as coisas pros lados de vocês?

Por aqui tudo bem.

Hoje a newsletter foi enviada direto do campus da Unochapecó, na agradável cidade de Chapecó, no velho oeste catarinense, como diria minha amiga Alexandra Zanela. Depois de passar o dia na estrada, cheguei para fazer TURISMO JORNALÍSTICO e acompanhar a Marcela Donini, que vai dar uma oficina de reportagem para web no curso de especialização Jornalismo e Convergência Midiática

Falando dar aulas, uma notícia propaganda em primeira mão: estão abertas as inscrições para o curso de curta duração Twitter para Jornalistas, que eu vou ministrar na ESPM-Sul, em Porto Alegre, em meados de janeiro. Serão quatro noites (segunda a quinta à noite, 16 horas-aula) em que vou tentar mostrar como o Twitter pode ser a “melhor ferramenta para jornalistas desde a invenção do telefone”, como disse Emily Bell no discurso abordado aqui na semana passada. Será a segunda edição do curso – a primeira rolou na Unisinos, no começo deste ano. 

BTW, ainda sobre Twitter, acho que nunca comentei com vocês sobre a minha lista com perfis ligados a tendências no jornalismo. Pois bem, andei dando uma atualizada com alguns nomes. Deem uma olhada. Se vocês quiserem acompanhar, dá pra acessar via web ou assinar usando um cliente como o TweetDeck. 

Bueno vamos lá que hoje já é dia 5 de dezembro e o Natal taí.

Começo com este pequeno artigo do Mathew Ingram. Preciso dizer que ele não tem nada de espetacular, na real. É mais um daqueles textos “fiquem tranquilos que o jornalismo vai ficar bem”. Ingram fala sobre a última leva de jornalistas demitidos do NYT, mas procura ser otimista. Lamenta o enxugamento das redações, mas diz que isso não quer dizer que o jornalismo esteja piorando. Pelo contrário. Afinal, muitos que saíram fundaram suas próprias iniciativas jornalísticas ou foram contratados por marcas novas mas já consolidadas, como BuzzFeed, Vox e Gawker Media.

Beleza, podemos até concordar que há jornalismo dos bons sendo feito por aí, mas ainda estamos atrás de um novo modelo de negócio. E parece que crowdfunding não vai rolar – ao menos não para salvar a pátria. É o que aponta esta pesquisa realizada na Alemanha. Os autores analisaram 25 plataformas de financiamento coletivo em sete países e chegaram à seguinte conclusão (preliminar): em geral, há um mercado pequeno para iniciativas de crowdfunding especializados em jornalismo, e sempre que uma iniciativa generalista (tipo Kickstarter) estiver por perto, quem se dedica apenas a projetos jornalísticos tende a morrer ou estagnar. 

Alguns dados:

  • Foram analisadas 25 plataformas de Estados Unidos, Reino Unido, Nova Zelândia, Alemanha, Canadá, Irlanda, e Austrália;
  • Do total, apenas seis se dedicam exclusivamente a projetos de jornalismo, quatro delas ficam nos Estados Unidos;
  • A maior é o Kickstarter, que emprega cerca de 100 pessoas. Nas outras, as pessoas trabalham, em geral, meio turno;
  • Apenas três oferecem apoio de marketing para vender os projetos, por uma taxa adicional;
  • Do total de 70.383 projetos já executados pelo Kickstarter, apenas 426 são jornalísticos.

Adiante.

Foi lançada nesta semana a Bang, uma revista publicada no Medium só para reportagens policiais e escritas EM INGLÊS. Mas quem está à frente da iniciativa são dois brasileiros:  Leandro Demori, editor do Medium Brasil, e Alexandre de Santi, da agência de conteúdo Fronteira. Serão produzidas reportagens originais e traduzidas matérias já publicadas em português. A ideia deles em apostar em outra língua é dar uma vida nova para muita coisa que já saiu por aqui.

A reportagem de estreia, aliás, foi publicada originalmente em português em um ebook produzido pela Fronteira para a revista Galileu. A próxima sai em janeiro e já tem mais uma no forno sendo produzida na África. Segundo o Leandro, a periodicidade da Bang será mais espaçada, com uma matéria de fôlego a cada 30 ou 45 dias. Eles estão abertos para sugestão de pautas e ideias em geral.

Falando em Medium, um dos textos mais interessantes sobre jornalismo que andei lendo lá ultimamente é este. Na verdade é mais sobre mídia do que sobre jornalismo. Rex Sorgatz, o autor, propõe uma breve história das mídias na era da (pré)internet dividida em três partes: surfar, afogar-se e mergulhar. Segundo ele, já é possível encontrar padrões no passado que podem se repetir no futuro: “uma lógica na história das novas mídias surge do que aparentemente era só acaso”, escreveu.

Um resumo das três fases:

Surfar (1980-2000). Há 25 anos, a internet ainda nem havia surgido, mas a TV a cabo mudou a maneira de consumir TV. Mais canais, mais opções. Era imperativo acelerar para conseguir dar conta de tanta informação. O negócio era “zapear” pelos canais (“channel surfing”). É como se estivéssemos no topo da onda da mídia e em constante movimento. A hiperrealidade estava em alta, com a CNN fazendo a guerra do Golfo parecer videogame e o filme Matrix fechando o ciclo em 1999.

Aforgar-se (2001-2010). A internet chega com tudo querendo  digitalizar todo o conhecimento humano. “Conteúdo” vira a palavra da moda. Surgem (afirmam-se) iniciativas paradigmáticas nesse sentido, como Napster (1999), Wikipédia (2001) e Blogger (1999) e Google News (2002). “Estávamos afundando em tanto conteúdo.”

Mergulhar (2011-). Ao vermos que estávamos nos afogando, a inovação mudou de rumo. Ao invés de “capturar tudo”, o lance agora é “explorar alguma coisa”. E a fundo. Daí vem a febre por longforms, longos podcasts, snowfalls, etc. Todos esses produtos surgem para facilitar a exploração de um assunto. “Nós passamos da era da grande quantidade de dados para a era da exploração profunda”.

Não é nada muito profundo, mas achei interessante. 

Ah, falando em longform, vocês conhecem a Delayed Gratification Magazine? É uma revista cuja proposta é fazer “slow journalism“. Mas o que seria exatamente slow journalism? Eles explicam assim: “Quando as notícias acontecem, esperamos três meses e retornamos a elas, escolhendo apenas o que realmente importa, retornando aos eventos com o benefício da retrospectiva, assim podemos oferecer a você a análise final ao invés da primeira reação.” Fiquei curioso.

Quem me apresentou a Delayed Gratification foi o jornalista Giuliander Carpes, que, aliás, publicou mais um texto no Medium. Ele explora a relação do Facebook com os jornais (e o jornalismo), pegando o gancho no discurso da Emily Bell. 

Bueno, seguimos.

O que vocês acham de veículos jornalísticos usando Tumblr? Eu curto. Primeiro eu achava estranho, mas mudei de ideia depois que vi o Tumblr da Reuters. Por mais que não seja mais o serviço do momento, ainda é um bom lugar para espalhar conteúdo e atingir um determinado tipo de público. Acho que todo veículo deveria ter um, se tiver braços para tanto, claro. O Journalism.co.uk fez um post mostrando como NBC, USA Today, The Guardian, Washington Post e NPR usam o Tumblr. 

Destaco o da NBC, que tem uma cara bem interessante, o tumblr só de gráficos do Washington Post e o da NPR dedicado a viagens, que me lembrou a vez que tentamos transformar o Velha Amiga, nosso finado blog de viagens em um tumblr

Pra ir terminando, duas coisas rápidas e úteis.

  1. Ferramentas para gravação de entrevistas
  2. 39 ferramentas para melhorar as postagens em blogs.

Pra fechar, imagino que vocês viram alguma notícia do caso Eric Garner, o homem negro que foi morto por um policial branco – que não foi indiciado. Tudo foi gravado por uma testemunha que acompanhava a abordagem. O episódio revoltou o país. 

Quero aproveitar o caso Garner para mostrar o Newsy. Não é exatamente uma iniciativa nova, se não me engano foi lançada no início do ano. Mas eles tiveram uma ideia boa: oferecer uma curadoria de notícias em vídeos. A partir de um tema, o caso Garner, por exemplo, eles escolhem trechos de várias fontes e produzem uma notícia própria, geralmente apresentada narrada por um jornalista do Newsy. É uma boa para acompanhar o que vários veículos disseram de um assunto.
 

Bueno, era isso então.
Bom findi e até a semana que vem! 🙂
Moreno Osório

 

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