NFJ#185 oferecida por eder content :: Notícias da conferência da International Communication Association; últimos updates de um cenário sombrio









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NFJ#185 (25/05/2018)

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Buenas, moçada. 
Ruas esvaziando nas cidades de vocês? Aqui em Porto Alegre, percebo a quantidade de carros nas ruas diminuir a cada hora que passa.

De vez em quando consigo parar de pensar na tênue linha que separa a civilização da barbárie. Nesses momentos, procuro visualizar as ruas da minha cidade sem carros, as pessoas andando a pé ou de bicicleta, meio sem rumo, sem saber bem o que fazer. Conversando talvez. Imagino (e espero ansiosamente pel)o silêncio.

Mas logo volto à realidade e projeto o caos.

Vamos à NFJ de hoje? A 185º edição da newsletter do Farol Jornalismo traz um especial sobre a conferência da International Communication Association (ICA), que começou ontem em Praga, na República Tcheca. A Lívia Vieira foi até lá para apresentar um trabalho e vai contar pra vocês um pouco do que viu.

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Quer saber o que rolou na última newsletter? Então venha aqui.

Antes, eu faço dois blocos sobre algumas coisas que rolaram na semana. Nada muito animador, eu diria. Mas amanhã tem final da Champions. E a Copa tá chegando. Dois bons programas para dar uma escapada.

Antes, uma palavra dos amigos do eder content, que patrocinam esta edição.

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Oi, leitores do Farol Jornalismo!

As equipes nas redações continuam enxutas e nós sabemos que a vida não está fácil para quem é jornalista. Mas é ano de Copa e Eleição, o que pode abrir novas oportunidades para quem deseja fazer boas pautas como freelancer.

Depois de ter uma turma lotada no 1º workshop Jornalismo Freelancer, decidimos realizar uma nova edição no dia 9 de junho em São Paulo, das 14h às 18 horas.

A proposta do curso é preparar jornalistas para desenvolver ideias inovadoras e formatar uma pauta “matadora” para venda. Para favorecer as atividades práticas, reduzimos o número de vagas para 20. Vai ter mão na massa e estamos preparando uma experiência incrível!

Ainda não conhece o nosso trabalho? Há mais de três anos, o eder content trabalha com freelancers que trazem pautas para licenciamento e agora estamos compartilhando toda essa experiência.

Esperamos vocês

Andréia Lago

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Índice

Notas sobre um cenário sombrio

É preciso falar o básico: chequem os fact-checkers, mas não os difamem. É a manchete do texto do líder da International Fact-Checking Network, Alexios Mantzarlis no Poynter. Ou seja, tudo bem questionar seus métodos e critérios, mas desde que com métodos e critérios. E não acusações que parecem piada, como o caso da jornalista que possuía, em sua conta no Twitter, a hashtag #LeftyLivesMatter, e por isso foi taxada de esquerdista “escancarada”. O problema é que essa hashtag se refere aos canhotos, e não a um posicionamento político.

Hoje, no editorial que abre a newsletter da Pública desta sexta, Natalia Viana conta como um debate sobre o combate às notícias falsas na Câmara dos Deputados “virou uma arena de ataque aos jornalistas”. “A julgar pelo que eu presenciei na casa do povo, corremos o risco de que ela se torne palco de uma verdadeira inquisição contra jornalistas”, escreveu a codiretora da Agência Pública. 

Mark, por sua vez, parece estar com pressa pra recuperar o tempo perdido. Esta matéria da Wired traz três iniciativas que o Facebook deve lançar para combater a desinformação na sua rede. São elas: convocar acadêmicos para pesquisar sobre o assunto, pagando e fornecendo dados; lançar uma campanha pública de educação usando o topo do NewsFeed, talvez o lugar mais caro da internet, diz o texto da revista; lançar um filme de 12 minutos chamado “Facing Facts”.

Só não esquece, Mark, por favor, do Whats. Lide de uma reportagem do Washington Post sobre as próximas eleições na Índia – a maior democracia do mundo.

“Esqueça debates e comícios. As eleições na Índia agora são travadas e vencidas no WhatsApp, o aplicativo de mensagens do Facebook usado por milhões de pessoas para conversar, fazer ligações e compartilhar informações. Mas o serviço também fornece uma plataforma sem mediação para notícias falsas e ódio religioso, dizem ativistas e observadores.”

Não só na Índia, né. O Meio de hoje destaca esta matéria da BBC sobre boatos circulando via WhatsApp a respeito da paralisação dos caminhoneiros. 

É só o aquecimento.

E aí o Elon Musk sugere a criação de um sistema de classificação de jornalistas de acordo com a sua credibilidade. O Press Gazette resumiu a thread do Twitter em que Musk detalhou sua proposta. No Poynter, Alexios Mantzarlis questionou a proposta “boba” do empresário neste texto. Um trechinho que diz bastante sobre uma ideia que seria muito ingênua se não fosse interesseira. Se houvesseum sistema como esse…

“Não apenas a multidão pode se transformar em turba, seu conhecimento cumulativo não é necessariamente a soma de suas partes. Se 100 pessoas bem intencionadas checarem uma afirmação sobre as luas de Júpiter e um deles é astrônomo da Nasa, todas as avaliações deveriam valer o mesmo?”

Pra fechar o tópico com as últimas atualizações de um tempo cada vez mais obscuro, um texto do Nexo pra dar um quentinho no coração. Daniel DeNicola, professor de filosofia do Gettysburg College: Você não tem o direito de acreditar no que quiser.

Um trechinho: 

“Quem é você para me dizer no que acreditar?”, responde o fanático. É um desafio equivocado: implica que verificar a crença de alguém é uma questão de autoridade. Ignora o papel da realidade. Acreditar possui o que filósofos chamam de direção de ajuste “mente-ao-mundo”. Nossas crenças têm a intenção de refletir o mundo real — e é nesse ponto que as crenças podem sair do controle. Existem crenças irresponsáveis; mais precisamente, existem crenças que são adquiridas e preservadas de maneira irresponsável.”

Bloco SORTIDO

Antes de passar a bola para a Lívia, um corridão de coisas interessantes e SORTIDAS. Entrevista com a Emily Bell: regulação das plataformas é inevitável. E já entrando no ritmo do congresso da ICA, tema que a Lívia vai explorar hoje, uma análise da conferência realizada por Rasmus Kleis Nielsen no Nieman Lab. Ele fez uma categorização dos trabalhos apresentados no evento e concluiu que os estudos de jornalismo (ainda) são muito centrados na redação, preterindo outros atores que compõem o ecossistema midiático. Em outro texto no Nieman, Nielsen propõe uma reflexão sobre os media change deniers, um pessoal que, a exemplo dos climate change deniers, sustenta argumentos que vão de encontro aos resultados da pesquisa científica de ponta. Na Columbia Journalism Review, Mathew Ingram analisa um estudo sobre como o jornalismo ajuda a amplificar ideias extremistas.  

Agora é tudo com a Lívia. Volto para as Coisas rápidas.

Oi, gente! Hoje vou compartilhar com vocês o que de mais interessante vi na pré-conferência “Audience Analytics” do congresso da Internacional Communication Association (ICA), realizada ontem, em Praga. Sim, escrevo da maravilhosa República Tcheca 🙂

No ICA deste ano há mais de 40 pré-conferências sobre diversos temas relacionados à comunicação. Na que participei foram apresentados 10 trabalhos, incluindo o meu. Desses, destaco três:
 

Análise e engajamento com audiências em um ambiente hostil

A autora do trabalho é Karin Assmann, da Universidade de Maryland, EUA. Ela fez etnografia e entrevistou 40 jornalistas de um jornal local americano. O que mais me chamou atenção na pesquisa dela, e que depois se repetiu em outro paper, é a emergência de mais uma função para o jornalista: a gestão de seu próprio perfil, que acaba virando uma marca, e a obrigação de interagir com a audiência nas mídias sociais. Assmann destaca essa triangulação de análise da audiência, engajamento pessoal e interação com a audiência nas redes “num ambiente que é considerado hostil pelos jornalistas que trabalham no veículo, que afeta as normas e práticas institucionais, bem como as atitudes dos jornalistas com relação à audiência e à sua própria profissão”.

A autora relatou um caso que ilustra bem esse conflito: durante seu trabalho de campo na redação, foi publicada uma série de reportagens que expunha má conduta de policiais. Segundo ela, foi uma investigação longa, que envolveu vários jornalistas e cujo lançamento gerou grande tensão, pois coincidiu com o anúncio do Facebook sobre a diminuição no alcance de postagens das páginas. “Para convencer a chefia de que o jornalismo ‘watchdog’ de fato vale o esforço e os recursos, os jornalistas, individualmente, começaram a engajar com a audiência, divulgando links e provocando conversações na plataforma”. Assmann pontua que o ambiente de trabalho dos jornalistas está cada vez mais hostil politicamente, financeiramente, estruturalmente, e isso impacta como eles definem e redefinem suas fronteiras profissionais.
 

O que direciona a identidade jornalística e suas decisões

Diana Bossio (Universidade de Swinburne, Austrália) e Avery Holton (Universidade de Utah, EUA) também abordaram a necessidade imposta ao jornalista de interagir como uma marca (“branding themselves”). Os 39 jornalistas australianos e americanos entrevistados relataram que isso acaba fazendo com que eles criem estratégias de desconexão. “Os resultados sinalizam uma emergente fatigação entre os jornalistas envolvidos com branding pessoal nas mídias sociais, que os tem feito repensar a forma como usam as redes na prática profissional e na vida pessoal, e em como eles interagem com a audiência online, vista ao mesmo tempo como o melhor e o pior aspecto das interações nas mídias sociais”.

Essas estratégias de desconexão incluem bloqueio, silenciamento de usuários ou simplesmente o afastamento das interações com a audiência.

Leiam o depoimento de um dos jornalistas:

“Incluí uma nota na bio do Twitter sobre minha paixão por carne, tipo como uma brincadeira, e no fim do dia meu chefe me ligou dizendo que os leitores estavam reclamando sobre minha falta de empatia com vegetarianos e veganos.”

Para alguns dos profissionais entrevistados, essa aproximação com a audiência é positiva, pois eles querem ver a pessoa por trás da história. Mas para outros se torna insustentável, já que o volume de comentários, perguntas e interações é muito grande.  “É como se você não parasse de trabalhar nunca”, disse um dos entrevistados.
 

Equilíbrio entre a lógica da mídia de massa e a lógica das redes

Shira Dvir Gvirsman, da Universidade de Tel Aviv, entrevistou 20 editores de Israel. A autora diz que, de forma genérica, o papel do editor de mídias sociais é modificar o conteúdo já criado pelo veículo para adequá-lo às redes sociais, e então promover tanto o conteúdo específico como a organização. Mas, em alguns casos esse fluxo é diferente e até reverso. Por exemplo, editores às vezes criam conteúdos especificamente para as redes, que não são apropriados para publicação no site do veículo, mas que têm potencial viral. Além disso, editores pedem para a redação criar conteúdos com o único propósito de gerar tráfego social.

Vejam um dos depoimentos:

“Havia o anúncio de uma nova camisinha digital. E eu disse ‘wow, isso vai trazer muito tráfego’. Então fui ao editor e ele disse ‘vou resolver isso pra você’, ele escreveu uma matéria e postei no Facebook”.

Outra descoberta da pesquisa é que os editores de mídias sociais não falam sobre normas, mas sobre branding. Segundo a autora, somente um dos entrevistados falou sobre valores jornalísticos. Para os demais, importa mais o valor da marca.
 

Analytics: olhando para o futuro

Ao fim da conferência, três pesquisadores renomados comandaram o painel “Moving Forward in Audience Analytics Research”, em que apontaram gaps e novos caminhos possíveis de pesquisa. A professora Wiebke Loosen, do Hans-Bredow-Institut, Alemanha, começou dizendo que sempre que falamos em jornalismo falamos sobre audiência, mas que jornalistas costumam esquecer disso. E que o grande desafio hoje é sobre a habilidade ou inabilidade dos jornalistas de lidar com o debate público. Loosen afirma que há necessidade de mais pesquisas comparativas sobre métricas online, principalmente entre veículos com modelos de negócio distintos. “Elas influenciam da mesma forma organizações comerciais e públicas?”, indagou.

Para Chris W. Anderson, da Universidade de Leeds, Inglaterra, existe um falso clichê de que os jornalistas não se importavam com a audiência antes da emergência das métricas online. E que por isso pesquisas que investiguem essas transformações ao longo dos anos são muito importantes. “O que eles pensavam no início da década de 1990, por exemplo?”. Além disso, Anderson pergunta qual é a visão que os jornalistas têm sobre a audiência: eles a veem em um ambiente mais democrático de debate ou como consumidores?

Anderson também rejeita a simplificação de que jornalistas se importam com as métricas porque é uma força de mercado. Para ele, não se trata só da clássica questão econômica, mas de uma mudança de cultura e da forma como o jornalismo engaja ou não sua audiência.

Por fim, o professor Folker Hanusch, da Universidade de Viena, Áustria, chama atenção para o impacto das métricas no bem-estar do jornalista e também para a necessidade de pesquisas que abordem a questão da vigilância. Para ele, diversificar as abordagens teóricas e utilizar métodos inovadores é essencial nesta área.

Pareceu interessante pra vocês? Pra mim foi demais! Eu poderia falar sobre todos os 10 trabalhos, que mostraram muito bem as transformações no jornalismo contemporâneo, principalmente em sua relação com a audiência. Os papers completos ainda não estão disponíveis, já que essas conferências servem justamente pra recebermos críticas e melhorarmos os trabalhos. Mas assim que tiver acesso a eles aviso aqui na NFJ.

Moreno de novo para fechar a news.
 

Coisas rápidas

E era isso.
Bom final de semana e até sexta que vem, pessoal.
Moreno Osório e Lívia Vieira

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