NFJ#214 Achou 2018 ruim? Espere até ver 2019 :: especial Predictions for Journalism, do Nieman Lab









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NFJ#214 (14/12/2018)

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Oi, gente! Lívia aqui 🙂

Vamos dedicar esta edição da NFJ ao especial “Previsões para o jornalismo em 2019”, feito anualmente pelo Nieman Lab. São análises de dezenas especialistas sobre o futuro do jornalismo, um trabalho de fôlego que inspirou “O jornalismo no Brasil”, que vai para a sua terceira edição neste ano. O material está quase pronto e vai ser publicado na semana que vem. Fiquem ligados na próxima edição da NFJ!

Voltando às previsões do Nieman Lab, confesso que não li todos os textos, mas pelos resumos pude perceber que alguns temas concentraram mais a atenção dos especialistas – e não por acaso foram assuntos que tratamos durante todo o ano aqui na NFJ: crise das plataformas, ameaça das fake news, crise de confiança no jornalismo, empoderamento e engajamento da audiência, jornalismo como serviço público, necessidade de desconexão, entre outros.

Diante disso, selecionei oito análises que focaram realmente em previsões para 2019 ou que apresentaram pontos de vista bastante originais. Para enfatizar as projeções, o Moreno preparou cards com alguns destaques. Eles acompanham sete dos oito tópicos e dão toque diferente a esta edição especial. Mas como certamente deixei coisas boa de fora, já fica a sugestão de leitura do especial completo (até porque ele vai seguir sendo atualizado pelos próximos dias). Vamos lá?

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Índice

Achou que 2018 foi ruim? Espere até ver 2019

Para James Wahutu, do Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade de Harvard, o fim de 2018 é quando chegamos ao topo da montanha-russa. “A descida, para a qual não estamos prontos, vai envolver muitos gritos enquanto caminhamos para o Brexit em 2019 e para as eleições dos EUA em 2020”. Embora se concentre no cenário norte-americano e inglês, vale ler o que ele tem a dizer, já que por aqui há semelhanças.

Wahutu enfatiza que mentiras e imprecisões factuais serão apresentadas como vozes legítimas do “outro lado” – ele lembra da cobertura sobre mudança climática em ambos os países, sob a justificativa da objetividade. “Mas talvez a coisa mais desanimadora seja o fato de que o estado continuará a usar seu espaço privilegiado no ecossistema midiático para manipular a construção narrativa”.

Para ele, a menos que os jornalistas decidam se posicionar e repensar o status quo atual, 2019 será mais sombrio. “A enxurrada diária de notícias, cheias de pânico, está prestes a entrar em alta velocidade”.

O futuro pode estar dentro da própria organização de notícias

Renée Kaplan, diretora de Engajamento de Audiência no Financial Times, prevê que em 2019 a diferença cultural entre redação e outras áreas da organização vai começar a diminuir. Ela pondera que a proteção da autonomia das notícias nunca foi tão central, e é mais do que nunca uma base para o jornalismo de qualidade em todas as redações. “Mas o que está se dissolvendo – e continuará a se dissolver em um ritmo acelerado no próximo ano – é a fronteira impermeável entre as áreas aparentemente ‘estrangeiras’ de uma organização de notícias”.

Com o sucesso dos modelos de assinatura e membership, Kaplan enfatiza que a palavra ‘receita’ está encontrando seu caminho – “e será cada vez mais bem-vinda – em reuniões de pauta e de planejamento”.

Kaplan avalia que editores e repórteres estão cada vez mais se familiarizando com estratégias de marketing e despertando para outros níveis de impacto e engajamento que eles nunca souberam que poderiam acessar – “através daquele colega que eles sempre veem no elevador, mas nunca souberam o que ele faz. Agora eles sabem que esses colegas podem ajudá-los a alcançar os leitores e aumentar o valor de seu trabalho”.

É sério: o que nós fazemos para as pessoas?

Esta é a grande pergunta de 2019, para Tamar Charney, editora na NPR One. Segundo ela, costumamos falar sobre pageviews, engajamento, estatísticas de circulação e assinaturas, mas tudo isso acontece quando oferecemos algo que tem valor para as pessoas. “Saber o que fazemos para as pessoas também nos mostra porque estamos fazendo o que estamos fazendo. Isso nos ajuda a saber se estamos fazendo as coisas pelas razões certas”, afirma.

Charney conta que sua equipe usa algoritmos para personalizar podcasts e conteúdos em diversas plataformas, de smart speakers a cable boxes. Ela pondera que a personalização pode ser ruim por criar bolhas, mas os algoritmos editoriais também podem ser usados para ampliar os horizontes das pessoas, expondo-as a outros pontos de vista.

Diante de tantos desafios enfrentados pela indústria de notícias – poderes políticos, pressões financeiras e mudanças tecnológicas -, em 2019 Charney afirma que a ferramenta mais poderosa será saber muito claramente o que estamos tentando fazer para o público. “Dessa forma, eles também saberão o que podem esperar de nós”.

Este é o momento “mate ou morra” para o jornalismo

Tyler Fisher, desenvolvedor de aplicativos de notícias no Politico, começa dizendo que o caminho para 2019 se dá através do usuário e que redações inteligentes vão colocar os leitores no centro de seus modelos de negócios. Para ele, Facebook, Google, Amazon se tornaram outros “monstros digitais” indignos de confiança por causa do foco implacável em tecnologia e dados em detrimento do respeito por seus usuários.

“O jornalismo não pode se dar ao luxo de cometer o mesmo erro. As redações têm a oportunidade de criar produtos digitais fortes para os cidadãos, de se recusar a vender dados de usuários a terceiros”. Assim, elas obterão as informações necessárias para fazer o melhor produto possível sem trair a confiança do usuário.

Mas a previsão de Fisher é que nada disso vai acontecer, pois os publishers têm mostrado pouco desejo de realmente mudar suas estratégias. “A maioria das redações continuará com o status quo. Mais demissões. Mais fechamentos. Mais falhas”.

Para ele, as startups digitais continuam buscando dinheiro de capital de risco, esperando lucrar com receita publicitária. Jornais de referência demitem funcionários. Por que alguma coisa mudaria no próximo ano? Afinal, todos no topo de alguma forma continuam ganhando dinheiro. “Minha esperança é que o fogo aceso em todo o setor se torne grande demais para ser ignorado”.

As notícias estão morrendo, mas o jornalismo não

A crise central do jornalismo não é está nos modelos de negócios, qualidade, ética ou confiança. É que a notícia, o coração do jornalismo, está morrendo. Está perdendo sua relevância cultural após quase dois séculos – e, assim, seu valor de mercadoria. Esta é a avaliação de Hossein Derakhshan, pesquisador do MIT Media Lab. Ele explica que, gradualmente, com a invenção do cinema, televisão, videogames, YouTube, Twitter e Netflix, há muitas outras coisas além das notícias para se discutir na mesa do café da manhã.

De acordo com Derakhshan, o desafio para o jornalismo nos próximos anos é se reinventar em torno de algo que não seja a notícia, ao mesmo tempo em que resiste à sedução da propaganda e do entretenimento. “Eu pessoalmente acho que o jornalismo pós-notícias vai girar em torno do drama. Isso significa que devemos fazer vários experimentos inspirados em formas artísticas mais antigas como literatura, teatro, cinema, fotografia e até música e dança”, afirma.

Para ele, a verdade é que a notícia está morrendo, mas o jornalismo não vai – e não deveria.

Nem todo mundo é branco: o que dizemos ao falarmos “nós”?

Jenée Desmond-Harris, editora do The New York Times, admite que é mais esperança do que previsão: 2019 será o ano em que a imprensa vai lembrar que nem todos são brancos. E lança algumas perguntas:

“É verdade que esse bairro, comida ou penteado é novo para todos? Ou seria mais preciso dizer que é uma tendência que recentemente foi adotada por americanos brancos? É realmente verdade que esse político que morreu é lembrado com carinho pelos americanos por sua civilidade e bondade, ou isso é muito menos verdadeiro quando se trata de pessoas que foram afetadas por suas posições contra os direitos civis e aceitação do racismo?”.

Para ela, trata-se de um problema permanente, mesmo quando há diversidade na redação, e ser o mais preciso possível é essencial para construir relacionamento com novos públicos.

O pêndulo começa a voltar

Donald Trump é o personagem principal da análise de Ben Smith, editor-chefe do BuzzFeed News, mas de novo podemos traçar aproximações com o contexto brasileiro. Acompanhem o raciocínio dele:

A dieta midiática de Trump está congelada nos anos 80 e fez com que as percepções de toda a indústria de mídia – editores, publicitários, políticos – entrassem em uma espécie de distorção temporal. A plataforma mais importante é a TV. O consumidor mais importante é um homem branco de 70 anos. “As primeiras páginas dos jornais impressos – The New York Post! – moldam a política. O presidente adora o Twitter, mas isso porque ele percebeu que trata-se de uma ferramenta poderosa para programar o que ele vê como o meio real, a televisão”.

Smith afirma que os últimos dois anos criaram a ilusão de que a mídia tradicional viverá para sempre e que, se Trump é obcecado pela Vanity Fair, talvez os desafios enfrentados pela mídia impressa não sejam tão ruins quanto todos pensavam.

Mas o pêndulo dessa percepção “que oscilou, bizarramente, para o passado, provavelmente retornará ao presente”, prevê Smith. E o ponto de virada foi as midterms (eleições de meio de mandato que aconteceram em novembro). Para ele, a derrota de Trump lembrou que os seres humanos com menos de 50 anos continuam a votar, participar e existir. “A cultura é cada vez mais dominada por uma nova geração diversa e nativa da mídia digital que, há apenas alguns anos, estava obviamente em ascensão: social, móvel, global. E as primárias democratas (que serão em 2019) lembrarão a todos que essas novas mídias importam”.

O grande gap entre jornalismo e pesquisa

Seth C. Lewis, professor da Universidade de Oregon, afirma que este problema não será resolvido em um ano, mas em 2019 podemos pelo menos tentar construir um campo de pesquisa mais sintonizado com as questões políticas, tecnológicas e econômicas centrais para o jornalismo – e também uma indústria de notícias disposta a formar parcerias com acadêmicos e aprender com suas pesquisas.

“Jornalistas têm pilhas de dados do Chartbeat, mas poucos modelos para entender a psicologia social das audiências. Eles estão questionando coisas como filtros-bolha, bots e jovens pagando por notícias, quando há crescente evidência de pesquisa disponível com respostas a essas perguntas”, afirma.

Para Lewis, ambos perdem com isso, “principalmente em um momento em que juntos poderíamos tornar os debates científicos, políticos e públicos sobre o jornalismo muito mais bem informados, baseados em evidências e mutuamente benéficos”.

Estar presentes nas conferências uns dos outros – as de mercado e as acadêmicas – pode ser um primeiro passo, mas o professor também acredita que simplesmente compartilhar ideias já contribui muito para diminuir o sentimento de defensiva e a indiferença.

Assino embaixo.

Coisas rápidas

  • BNDES lançou uma agência de notícias com seção dedicada a desmentir boatos.
  • A Agência Pública anunciou que nos próximos quatro anos estará focada em investigar o governo Bolsonaro e as consequências que essas ações terão na vida dos brasileiros – em especial, das populações mais vulneráveis.
  • Para assistir: palestra inaugural do professor C. W. Anderson na Universidade de Leeds: “Quem se importa com o jornalismo?”.
  • “Como trilhar caminhos além das redações” é o curso de extensão promovido pela PUC-RS nos dias 15 e 16 de janeiro, com os professores Luiz Antonio Araujo e Tercio Saccol. Mais informações aqui.

Era isso, gente
Bom final de semana e até sexta que vem!
Lívia Vieira
 

Nosso agradecimento de <3 vai para:

Alexandre de Santi, Ana Paula Rocha, André Schröder, André Tamura, Andrei Rossetto, Anne Rocha, Bernardete Melo de Cruz, Breno Costa, Bruno Pavan, Carolina Silva de Assis, Cecília Seabra, Davi Souza Monteiro de Barros, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Emilene Lopes, Fabian  Chelkanoff Thier, FêCris Vasconcellos, Felipe Seligman, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriel Galli, Gabriela Ludwig Guerra, Gabriela Terenzi, Gisele Reginato, Giuliander Carpes, Guilherme Caetano, Ísis Falcão, Jean Prado, Jocélio Oliveira, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Leonardo Pujol, Luiz Antônio Araujo, Luiza Guerim, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco Túlio Pires, Margot Pavan, Nadia Leal, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Osório, Pedro Rocha Franco, Priscila Bernardes, Priscila dos Santos Pacheco, Raquel Chamis, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Rogerio Christofoletti, Sérgio Lüdtke, Sérgio Spagnuolo, Silvio Sodré, Vinicius Batista de Oliveira.

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