NFJ#222 Como Guardian, FT e Condé Nast pretendem inovar em 2019; o 8 de março e o jornalismo; Mark, privacidade e as notícias









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NFJ#222 (08/03/2019)

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Que semana, hein? Brasil nas manchetes mundiais e o jornalismo tendo que explicar o que é golden shower. QUE FASE. A repercussão internacional do tuíte de Bolsonaro foi tema do ótimo “Café da Manhã”, podcast da Folha, que teve como convidados a jornalista Juliana Barbassa, do New York Times, e Tom Phillips, do The Guardian. Vale ouvir.


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Facebook diz que vai priorizar a privacidade – e as notícias?

Mark andava sumido aqui na news, mas voltou causando. Na última quarta-feira, o CEO do Facebook anunciou uma grande mudança: disse que vai reorientar o Facebook em torno de mensagens privadas e criptografadas, em vez de compartilhamento público.

Um trecho do comunicado de Zuckerberg:

“Quando eu penso no futuro da internet, acredito que plataformas de comunicações focadas em privacidade se tornarão ainda mais importantes do que as atuais plataformas abertas. Hoje já vemos que as mensagens privadas, histórias efêmeras e pequenos grupos são, de longe, os que mais crescem na comunicação on-line”.

Em entrevista à Wired, Zuckerberg explicou que dois tipos de plataformas são necessárias no mundo: uma mais pública (o que ele chama de equivalente digital da Town Square), ou seja, Facebook e Instagram. E uma outra plataforma de espaço privado (o equivalente digital da sala de estar, segundo ele). “A base que temos para o WhatsApp e Messenger será o ponto de partida para o desenvolvimento dessa plataforma”.

O site Gizmodo fez um resumo, em português, dos principais pontos do anúncio.

Neste texto para a Columbia Journalism Review, Mathew Ingram analisa que a decisão pode ter implicações não apenas para os reguladores, que tentam fazer com que o Facebook reprima conteúdo ofensivo e violento, mas também para o futuro das notícias e informações – incluindo a desinformação.

Ingram lembra que a mudança vem após a tempestade de críticas que o Facebook recebeu – “não apenas por causa das eleições de 2016, mas também devido ao seu papel na promoção da violência em Mianmar, na Índia e em outros lugares”. E enfatiza: “esse novo compromisso com a privacidade, no entanto, vem com compensações, já que um Facebook mais privado é menos sujeito ao escrutínio público – e isso poderia dificultar o rastreamento da desinformação”.

“Histórias que desaparecem, criptografia, grupos privados. Não soa como uma boa notícia para quem quer rastrear desinformação”, escreveu no Twitter a professora de Columbia Emily Bell.

O professor Jeff Jarvis questionou: “o que essa mudança significa para as notícias e para as comunidades que compartilham informações publicamente e se organizam em torno disso? E Mathew Ingram acrescenta: “o compartilhamento privado marcará o fim do suposto compromisso do Facebook em ajudar o jornalismo?”.

Carole Cadwalladr, repórter do The Guardian que deu o furo sobre o caso Cambridge Analytica afirma que a mudança pode consolidar ainda mais o domínio do Facebook no mercado. “Acho que Mark Zuckerberg acaba de anunciar que está mesclando mensagens em todas as plataformas do Facebook e não Facebook e envolveu isso em uma bela embalagem de ‘privacidade e criptografia’ que grandes segmentos da imprensa parecem estar comprando”, disse.

Inovações no jornalismo em 2019

Vocês devem lembrar do recente relatório do Reuters Institute sobre tendências para o jornalismo em 2019, que repercutimos na NFJ #217. O site Inter#acktives fez uma seleção bem interessante com depoimentos de alguns dos entrevistados, que falam especificamente sobre inovação.

Robin Kwong, Head de Entrega Digital no Financial Times:

“Este ano será de mudança da cultura da redação”

“Lidero uma equipe de editores digitais no Financial Times (os chamamos de Produtores Criativos) e a missão da nossa equipe é ajudar os repórteres e editores a pensar sobre a apresentação digital de histórias desde o início, para que possamos envolver notícias e vídeos gráficos e interativos. Também estamos trabalhando com a equipe de Audiência para trazer mais decisões informadas em dados para nossa redação.

Minha equipe é uma equipe completamente nova, então 2018 foi muito importante para estabelecer as fundações certas em termos de recrutamento e integração. 2019 será sobre como podemos fazer a diferença na mudança da cultura de redação. Estamos planejando fazer isso ativando novas formas de contar histórias e criando espaços para aprendizagem que, esperamos, levarão a uma redação mais adaptável.”

Chris Moran, editor de Projetos Estratégicos no The Guardian

“Os cinco princípios do nosso jornalismo”

Como a maioria dos publishers, grande parte do foco do Guardian em 2019 é estabelecer e refinar novos fluxos de receita confiáveis ​​e estáveis ​​para apoiar nosso jornalismo.

Isso envolve uma enorme quantidade de pensamento em torno dos produtos em si (o que podemos oferecer às pessoas que os persuadem a pagar pelo jornalismo?), a otimização dos fluxos de pagamento (como podemos facilitar o pagamento e como podemos detectar alguém que está disposto a pagar?) e cuidadosamente alimentar os dados em torno disso para a redação de forma responsável e positiva.

Pretendemos desenvolver o nosso jornalismo em torno de cinco princípios:

  • desenvolver ideias que ajudem a melhorar o mundo, não só criticá-lo;
  • colaborar com os leitores, e com outros,  para ter maior impacto;
  • diversificar, ter reportagens mais ricas de uma redação representativa;
  • ser significativo em todo o nosso trabalho;
  • reportar com justiça as pessoas, bem como o poder, e fazer novas descobertas.

Federica Cherubini, editora de Projetos de Audiência na Condé Nast International

“Newsletters podem gerar lealdade e um relacionamento pessoal com o público”

O foco do meu trabalho este ano é em iniciativas editoriais que impulsionam a lealdade do público. Minha principal prioridade é entender o que faz o nosso público voltar ao nosso conteúdo e interagir com ele de novo e de novo. Entre várias iniciativas de fidelidade, passei os últimos seis meses concentrando-me nas newsletters.

Para mim, a estratégia de newsletter ideal considera conteúdo e produto como duas faces da mesma moeda. A estratégia editorial, os processos e a execução, o produto e a entrega são fatores essenciais e geralmente são executados por equipes interdisciplinares.

O 8 de março e o jornalismo

Um dia para ação e para reflexão. Algumas sugestões pinçadas nesta sexta-feira.

O Globo lançou uma plataforma / editoria de conteúdos sobre mulheres, a Celina. O jornal aproveitou a oportunidade para afirmar o seu “compromisso de formar equipes cada vez mais plurais, refletindo a composição da sociedade brasileira”. Neste texto são apresentados alguns números referentes à divisão por gênero na redação e às fontes ouvidas pelo jornal. De maneira geral, há uma necessidade de equidade, mas a publicação diz estar trabalhando para corrigir esse desequilíbrio. Para ilustrar a evolução, há comparações entre 2019 e 1969. Confiram um exemplo:

“Em uma amostra pesquisada no Acervo do jornal, em 1969, as páginas do GLOBO tiveram 258 entrevistados num período de sete dias, entre 25 de fevereiro e 3 de março. Desses, 234 foram homens e 24, mulheres. Em 2019, considerando os mesmos dias, foram 433 homens e 212 mulheres. Nessa amostra, o percentual de personagens mulheres com voz no GLOBO saltou, portanto, de 9% para 33% em 50 anos.”

Além do texto de apresentação, a plataforma estreiou com uma reportagem sobre violência sofridas por mulheres nas redes digitais, um vídeo em que mulheres revelam casos de assédio que sofreram na carreira e na vida e a história da professora Celina Guimarães Viana, a primeira mulher brasileira a ter o direito de voto, personagem que dá nome ao projeto do Globo, entre outros conteúdos.

Outra iniciativa importante que rolou hoje foi o lançamento do aplicativo PenhaS, criado pela revista AzMina para ajudar mulheres a enfrentar situações de violência. Dentre as funcionalidades do app estão o GritaPenha, “um ambiente para o pedido de ajuda urgente e produção de provas”, e o DefendePenha, “um chat de apoio que permite que as mulheres dialoguem de forma anônima”. Marília Taufic, coordenadora voluntária do projeto da AzMina, sobre a iniciativa:

“Há muito o que se fazer para acabar com o abuso contra mulheres e o PenhaS é uma das iniciativas para colaborar com a causa do enfrentamento da violência. Acreditamos que a pessoa ou grupo empoderado é o sujeito da própria mudança”

Leiam mais sobre o aplicativo aqui.

Mais quatro links sobre o 8 de março e o jornalismo.

Destaques da indústria

  • O Wall Street Journal está criando novos departamentos e cargos na redação. As novas equipes servirão como incubadoras para novas tecnologias, crescimento de público, comunidade e inovação nas notícias. Na lista estão funções como editor de Audiência Jovem, Designer de Produto, editor de SEO, editor de Vozes da Audiência e Comunidades, cientista de dados e editor de Automação. Vale muito olhar a job description de cada cargo.
  • Inspirado pelo livro “A Day in the Life of The New York Times” – uma crônica sobre 24 horas na redação do Times há 50 anos – o jornal fez uma detalhada descrição de como é o cotidiano atual de produção jornalística. Recomendo muito a leitura.
  • El País conta, neste vídeo, “tudo o que está por trás de um jornal do século XXI”. Repórteres e editores dão depoimentos, gravados na redação, e destacam a crescente importância dos vídeos informativos.
  • Vejam a transformação do modelo de negócios da The Economist em um gráfico.

Coisas rápidas

  • A edição 2019 do Prêmio Comunique-se será dedicada ao jornalista Ricardo Boechat, maior vencedor da história da premiação. O início das votações nas diversas categorias será em 16 de julho.
  • A cidade de Perugia, na Itália, sedia a edição 2019 do Internacional Journalism Festival, de 3 a 7 de abril. Haverá transmissão ao vivo das sessões, com os vídeos on-demand disponíveis no site logo após o término dos painéis.
  • Amanhã (9/3) acontece em Porto Alegre o Open Data Day, encontro anual mobilizado pela Open Knowledge Brasil para o debate e a promoção do uso de dados abertos. Veja aqui a programação.

Era isso, gente! Bom final de semana e até sexta que vem.
Lívia Vieira

Nosso agradecimento de <3 vai para:

Alexandre de Santi, Ana Paula Rocha, André Caramante, André Schröder, André Tamura, Andrei Rossetto, Anne Rocha, Bernardete Melo de Cruz, Bibiana Osório, Bruno Pavan, Carolina Silva de Assis, Cecília Seabra, Davi Souza Monteiro de Barros, Denise Maria Neumann, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Emilene Lopes, Fabian  Chelkanoff Thier, FêCris Vasconcellos, Felipe Seligman, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriel Galli, Gabriela Ludwig Guerra, Gabriela Terenzi, Gisele Reginato, Giuliander Carpes, Guilherme Caetano, Jean Prado, Jocélio Oliveira, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Luiz Antônio Araujo, Luiza Guerim, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco Túlio Pires, Margot Pavan, Nadia Leal, Naiara Cristina Larsen, Natália Levien Leal, Nina Weingrill, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Osório, Pedro Rocha Franco, Priscila Bernardes, Priscila dos Santos Pacheco, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Rogerio Christofoletti, Sérgio Lüdtke, Sérgio Spagnuolo, Silvio Sodré, Vinicius Batista de Oliveira.

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